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Pontos-chave:
O perfil de quem ocupa cargos de C-level está sendo redesenhado. A inteligência artificial, transformação digital e novas demandas corporativas estão mudando o que se espera de CEOs, CFOs, CMOs e demais lideranças executivas: não apenas suas responsabilidades, mas as competências que as sustentam.
Uma pesquisa da McKinsey, publicada em março de 2025, mostra que apenas 16% das pessoas executivas se sentem confortáveis com a quantidade de profissionais de tecnologia com qualificação disponíveis para apoiar suas transformações digitais. A demanda por talentos tech deve ficar de duas a quatro vezes maior que a oferta nos próximos anos.
Esse é um sinal de que a própria liderança executiva precisa desenvolver novas competências para lidar com essa escassez de pessoas e conduzir a transformação mesmo sem o time ideal.
Continue acompanhando este artigo para entender o que são C-levels, seu papel diante das transformações atuais e quais são as novas competências que definem essa liderança agora.
C-level é o conjunto de cargos executivos de mais alta hierarquia em uma organização. Atualmente, o que se espera dessas lideranças é muito mais do que gerir suas áreas isoladamente. As pessoas que ocupam esses cargos e formam a alta diretoria são responsáveis por definir direção estratégica, alocar recursos e conduzir a empresa em cenários de transformação constante.
A expressão C-levels vem do inglês: o "C" é abreviação de Chief, que significa "chefe" ou "principal" em português.
Por isso, todos os cargos de C-level começam com "Chief", por exemplo:
Todas as pessoas que ocupam esses cargos formam a alta diretoria e são responsáveis por definir direção estratégica, alocar recursos e conduzir a empresa em cenários de transformação constante.
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A diferença central entre quem ocupava um cargo de C-level há uma década e quem ocupa esse cargo hoje está no tipo de exigência que essa função carrega.
Antes, o papel era garantir que a operação funcionasse dentro do previsto. Hoje, a exigência é liderar mudanças constantes em tecnologia, modelo de negócio e força de trabalho, sem perder capacidade de execução.
Antigamente, uma boa liderança executiva era medida principalmente por competência técnica ou por habilidades interpessoais isoladas, como saber se comunicar bem ou tomar decisões com segurança.
Hoje, o que mais importa é a capacidade de manter a empresa se adaptando às mudanças o tempo todo, em vez de seguir um plano fixo criado uma vez e executado sem revisão.
Isso muda o que se espera de cada cargo.
Essa combinação de conhecimento técnico com capacidade de mobilizar pessoas em cenários de alta volatilidade, antes rara, hoje é esperada como padrão em qualquer cargo de C-level.
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As competências e habilidades para liderança que definiam uma boa pessoa executiva há alguns anos continuam relevantes, mas deixaram de ser suficientes.
Veja a seguir as cinco habilidades que mais se destacam no cenário atual.
Reconfigurar times deixou de ser uma ação pontual, feita apenas em momentos de crise ou reestruturação isolada. Agora, essa é uma competência que precisa ser exercitada o tempo todo, e não só quando surge um problema.
Isso significa saber identificar quais funções vão mudar, quais competências precisam ser desenvolvidas internamente e como conduzir essa transição sem perder produtividade nem o engajamento das pessoas.
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A presença da IA em praticamente todas as áreas do negócio elevou o letramento em IA e dados de uma competência técnica desejável para uma exigência estratégica de qualquer cargo executivo.
A ideia não é que C-levels devam se tornar pessoas especialistas técnicas, mas entender riscos, oportunidades e limites da tecnologia o suficiente para tomar decisões informadas.
Uma liderança que não questiona as recomendações de um sistema de IA, apenas confia cegamente nelas, está delegando decisões estratégicas para uma ferramenta cujo funcionamento e limitações ela não compreende de verdade.
Isso é tão arriscado quanto ignorar a tecnologia por completo, porque impede que essa pessoa perceba quando a IA está errando ou sugerindo algo que não faz sentido para o contexto da empresa.
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Conduzir transformações organizacionais deixou de ser uma tarefa pontual e se tornou parte constante da rotina executiva. Isso exige comunicação clara, capacidade de mobilizar equipes em cenários incertos e alinhamento entre áreas que antes operavam de forma mais isolada, como tecnologia, RH e operações.
Um exemplo prático: quando uma empresa decide adotar a IA generativa em larga escala, a mudança não afeta só o time de tecnologia. Ela afeta a forma como o RH recruta e treina pessoas, como o financeiro projeta custos e como o marketing comunica a transição para clientes.
Coordenar todo esse movimento exige um tipo de liderança que saiba conectar áreas diferentes em torno de um mesmo objetivo, e não apenas administrar cada área de forma isolada, como costumava acontecer.
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Antes, as empresas costumavam planejar seus próximos passos com anos de antecedência. Hoje, o cenário é outro: dados incompletos, tecnologia em evolução constante e mercados voláteis exigem que C-levels antecipem riscos e tomem decisões relevantes sem esperar certeza total.
Isso não significa abandonar o planejamento de longo prazo, mas revisá-lo com muito mais frequência, garantindo que cada ajuste de curto prazo continue fazendo sentido dentro do objetivo maior da empresa, e não seja uma decisão isolada que contradiz as anteriores.
É comum que pessoas em cargo executivo prefiram esperar dados completos e análises exaustivas antes de agir. Mas a competência que se torna essencial nesse cenário é justamente o contrário: saber decidir com o que se tem disponível, monitorar o resultado de perto e ajustar rápido se algo não estiver funcionando.
No entanto, esses pontos exigem um tipo diferente de liderança, com alguém que funcione como referência técnica e, ao mesmo tempo, inspire o time, estando sempre à frente do que é novo.
Uma pessoa C-level boa no que faz não guarda conhecimento só para si, mas forma pessoas sucessoras, capazes de tomar decisões parecidas mesmo quando ele não está por perto.
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A transformação que está acontecendo no mundo dos negócios não redesenha apenas as competências dos cargos já existentes. Essa mudança também está criando novas posições dentro da C-suite, com atribuições cada vez mais concretas.
Com a aceleração da tecnologia e uso da inteligência artificial, cargos como Chief AI Officer, Chief Data Officer e Chief Transformation Officer são as grandes novidades nas empresas. Conheça mais sobre eles a seguir.
O(a) Chief AI Officer (em tradução livre, diretoria de inteligência artificial) é responsável por definir a estratégia de IA da organização, estabelecer estruturas de governança, minimizar riscos e garantir uso ético e transparente da tecnologia.
Essa liderança escolhe, entre as várias formas possíveis de usar IA na empresa, aquelas que realmente trazem resultado prático para o negócio, em vez de testar a tecnologia só porque ela é nova.
Também trabalha lado a lado com times de dados e engenharia para garantir que a estrutura tecnológica da empresa consiga crescer junto com essas iniciativas, e presta contas ao conselho sobre o retorno e o desempenho de cada projeto de IA.
Esse é o cargo que mais cresce dentro da C-suite atualmente. Segundo o IBM CEO Study 2026, conduzido com a Oxford Economics, 76% das organizações já têm uma liderança de Chief AI Officer, quase o triplo dos 26% registrados um ano antes.
O(a) Chief Data Officer (em tradução livre, diretoria de dados) deixou de ser apenas quem gerencia a conformidade e qualidade de dados para se tornar protagonista da estratégia de IA.
Segundo o “Gartner CDAO Agenda Survey 2025”, 70% de quem atua no cargo têm a responsabilidade principal de definir como a IA vai ser usada na empresa: desde o planejamento até a aplicação no cotidiano.
O próprio Gartner prevê que, até 2027, 75% dos(as) CDAOs que não forem vistos(as) como essenciais para o sucesso da IA na organização vão perder a posição de C-level.
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O(a) Chief Transformation Officer (em tradução livre, diretoria de transformação) atua integrando as áreas que, sem essa liderança, costumam avançar cada uma por conta própria, como tecnologia, dados, operações e RH.
Por exemplo: o time de tecnologia pode implementar uma nova ferramenta de IA, enquanto o RH continua treinando pessoas do jeito antigo, sem conexão entre as duas iniciativas. O resultado é um conjunto de ações isoladas que, somadas, não resultam na transformação real que a empresa esperava.
A liderança resolve esse problema ao definir prioridades claras para toda a empresa, em vez de deixar cada área escolher suas próprias metas de forma isolada. Assim, tecnologia, dados, operações e RH passam a trabalhar na mesma direção, e a organização constrói, aos poucos, a capacidade de sustentar a mudança ao longo do tempo, em vez de depender de esforços pontuais e desconectados.
Esses cargos não substituem CEOs, CFOs ou CMOs tradicionais. Eles complementam a estrutura executiva em áreas que, até pouco tempo atrás, não exigiam liderança dedicada e agora exigem atenção constante.
Seja em cargos novos ou tradicionais, a competência para liderar transformação precisa ser desenvolvida com o tempo, por meio de experiência prática, aprendizado contínuo e apoio de outras pessoas mais experientes.
Para desenvolver as novas competências, é preciso primeiramente identificá-las. Programas pontuais não são suficientes para desenvolver habilidades para liderança, como letramento em IA ou gestão de mudança em escala.
É preciso investir em treinamentos e desenvolver habilidades para liderança em estratégias de aprendizado estruturadas, com aplicação prática no contexto real da organização, conectadas diretamente aos desafios de transformação que cada pessoa em cargo executivo enfrenta no próprio dia a dia.
Isso é válido tanto para quem já ocupa cargos de C-level quanto para profissionais que estão construindo a carreira rumo a essas posições. Quanto antes essas competências começarem a ser desenvolvidas, menor o custo de adaptação quando a pessoa assumir responsabilidades executivas plenas.
A Alura Para Empresas oferece trilhas de capacitação em liderança estratégica, dados e IA para organizações que querem preparar C-levels atuais e profissionais que aspiram ao cargo, para os desafios de transformação do mercado.
Fale com nossa equipe de especialistas e descubra como estruturar esse desenvolvimento na sua organização.
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