Liderança e Gestão

Boreout: o que é e como identificar o tédio da Geração Z no trabalho

Athena Bastos

Athena Bastos


Pontos-chave:

  1. A síndrome de boreout é um quadro de adoecimento associado à falta de estímulo e de sentido no trabalho, marcado por tarefas repetitivas, poucos desafios e sensação de inutilidade.
  2. Segundo o "State of the Global Workplace: 2026 Report", em 2025, 64% das pessoas empregadas no mundo apareceram como não engajadas no trabalho. Ou seja, a maior parte das equipes cumpre a rotina sem envolvimento real com o que faz.
  3. O tratamento do boreout dentro das empresas passa por redesenhar tarefas, criar conversas frequentes sobre carreira e sustentar o aprendizado contínuo dos times, com lideranças preparadas para perceber os sinais cedo.

Uma pessoa entra numa empresa, aprende o processo do seu trabalho em poucas semanas e, no quarto mês, já está executando a rotina no automático. Tudo se repete: as mesmas planilhas, as mesmas reuniões e nenhum desafio, e é neste momento que o problema começa.

Segundo o "State of the Global Workplace: 2026 Report", do Gallup, 64% das pessoas empregadas no mundo apareceram como não engajadas em 2025, contra 20% engajadas. Isso significa que a maior parte da força de trabalho global ocupa uma zona intermediária: cumpre suas tarefas, mas não se envolve além do esperado.

Isso costuma acontecer porque, quando a rotina para de exigir atenção ou aprendizado, o foco no trabalho diminui, e a motivação acompanha essa queda. Esse quadro tem nome: boreout, síndrome que tem ganhado espaço nas conversas sobre gestão de pessoas, principalmente em relação à Geração Z.

Neste artigo, vamos entender melhor o que é boreout, quais são os sintomas, a diferença entre ele e o burnout, e o que fazer para tratar esse quadro dentro das empresas. Acompanhe!

Boreout: o que é?

Boreout é o adoecimento mental provocado pela falta de trabalho relevante, marcado por tédio prolongado, poucas atividades desafiadoras e sensação de que a própria contribuição não faz a diferença para a empresa.

Boreout: tradução e origem do termo

A tradução de boreout ajuda a fixar sua ideia: o termo vem do inglês bored, que significa estar entediado(a). Esse conceito foi proposto em 2007 pelos consultores suíços Philippe Rothlin e Peter Werder, que escreveram o livro “Boreout!: Overcoming Workplace Demotivation” e retrataram o quadro como um sofrimento ligado à subutilização profissional.

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O que é a síndrome de boreout dentro de uma empresa?

Na rotina organizacional, a síndrome de boreout costuma se apresentar em três camadas diferentes.

  • 1. Subutilização: a pessoa tem repertório técnico ou experiência que a função não exige.
  • 2. Monotonia: as tarefas se repetem sem variação, prazo relevante ou margem de decisão.
  • 3. Falta de sentido: não existe conexão visível entre o que é entregue e o resultado do negócio.

Na prática, o que muda entre cada camada é o tipo de risco, mas a consequência costuma ser a mesma: quem sente tédio no trabalho tende a fazer o mínimo, evita se envolver em iniciativas e deixa de trazer problemas à tona.

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Boreout: sintomas e sinais no dia a dia

Como esse quadro não apresenta crises, os sintomas de boreout aparecem primeiro em pequenos comportamentos que a liderança precisa aprender a ler. Podemos dizer que a cultura organizacional sente o desânimo da pessoa colaboradora antes de qualquer indicador de performance.

Abaixo, os sinais mais comuns de membros da equipe que estão desenvolvendo o boreout.

  • Queda de iniciativa: a pessoa deixa de propor melhorias, porque sabe que só trará mais responsabilidades para ela, e passa a somente esperar por instruções.
  • Procrastinação em atividades simples: tarefas curtas começam a ocupar o dia inteiro. Um relatório que levava duas horas pode passar a consumir um turno completo.
  • Afastamento das conversas do time: a participação em reuniões cai para o mínimo necessário e pouca contribuição.
  • Cansaço sem esforço proporcional: o desgaste aparece mesmo em semanas de baixa demanda, o que costuma confundir o diagnóstico do quadro.
  • Movimentação discreta no mercado: perfis atualizados e processos seletivos em paralelo antecipam um pedido de demissão ainda não comunicado.

Quando isolados, esses sinais podem ter várias explicações, mas se aparecem juntos e por semanas, a leitura mais provável é de desengajamento por falta de estímulo e um possível boreout.

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Burnout x boreout: qual é a diferença?

Os dois quadros levam ao mesmo destino, o esgotamento da relação com o trabalho, mas partem de origens opostas. Com isso, a diferença entre burnout e boreout está no que provoca esse desgaste.

  • Burnout: excesso de demanda.
  • Boreout: ausência de tarefas significativas.

Na comparação entre elas, a segunda tende a ser identificada mais tarde, justamente porque não gera um ruído de forma tão alarmante; muitas vezes pode até demorar para ser percebida.

Afinal, uma equipe sobrecarregada costuma pedir ajuda; mas um time entediado apenas reduz o ritmo, e essa queda de produtividade pode ser entendida como acomodação em uma primeira leitura da situação.

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Por que o boreout afeta principalmente a Geração Z?

A discussão sobre boreout ganhou força com a entrada da Geração Z no mercado de trabalho. Formado por pessoas nascidas entre 1997 e 2009, esse grupo tende a atribuir grande importância ao propósito e ao desenvolvimento profissional.

O relatório "2026 Gen Z and Millennial Survey", da Deloitte, mostra que 96% das pessoas da Geração Z considera o propósito importante para a satisfação e o bem-estar no trabalho.

Na prática, para esse grupo, perceber sentido no que se faz tem peso na permanência nas organizações. Isso não significa que a Geração Z se entedie com mais facilidade, mas que suas expectativas em relação ao trabalho podem tornar a falta de propósito mais difícil de sustentar.

O mesmo levantamento da Deloitte aponta a falta de reconhecimento pelo trabalho como a segunda maior fonte de estresse entre profissionais dessa geração, citada por 47% das pessoas entrevistadas.

Juntos, os dois dados mostram uma geração que valoriza propósito, reconhecimento e oportunidades de desenvolvimento. Quando esses elementos não aparecem na rotina, o risco de desengajamento é grande, um cenário que favorece o boreout.

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Boreout: tratamento e o que a empresa pode fazer para evitar essa síndrome

O tratamento do boreout costuma começar pela organização da rotina e o redesenho de tarefas e funções por parte da empresa. Os quatro passos a seguir ajudam a estruturar esse processo.

1º passo: mapeie o que cada função realmente exige

Compare o repertório de quem está no time com as atividades que cada membro da equipe faz na semana. Uma pessoa contratada para fazer a análise de dados que passa o mês consolidando planilhas manualmente pode estar em subutilização, mesmo com a agenda cheia.

2º passo: redesenhe tarefas antes de trocar pessoas

Rotinas repetitivas podem ser automatizadas ou redistribuídas, liberando espaço para o trabalho analítico. Um time que deixa de produzir relatórios à mão pode assumir a leitura desses números junto às áreas de negócio para encontrar novas oportunidades de atuação, por exemplo.

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3º passo: transforme a conversa de carreira em rotina

Perguntas sobre o que a pessoa quer aprender e onde ela se sente pouco aproveitada precisam entrar na cultura de feedback da empresa. Sem esse espaço, o desengajamento tende a aparecer só na entrevista de saída.

4º passo: sustente o desenvolvimento contínuo

Segundo o relatório "The Future of Jobs Report 2025", do Fórum Econômico Mundial, 39% das habilidades atuais devem ser transformadas ou se tornar obsoletas até 2030. Por isso, desenvolver novas competências também passa por manter as pessoas desafiadas e estimuladas no trabalho.

O problema é que esse tipo de incentivo ainda recebe pouca atenção. Segundo a McKinsey, apenas 20% das pessoas em posições de liderança acreditam que recompensas não financeiras influenciam o desempenho.

Isso reforça a importância de combinar remuneração com reconhecimento, aprendizado e oportunidades de crescimento para reduzir o risco de boreout e turnover — taxa de rotatividade de talentos em uma empresa.

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Tire suas dúvidas sobre o boreout

Como o boreout ainda é pouco discutido nas empresas, é comum haver dúvidas sobre seus impactos, fatores de risco e formas de prevenção. A seguir, respondemos a algumas das principais questões sobre o tema. Confira!

1. O boreout exige acompanhamento clínico?

Não, o boreout não tem classificação própria. Diferente do burnout, que aparece na Classificação Internacional de Doenças (CID) como fenômeno ligado ao trabalho, o tédio prolongado ainda é tratado como conceito de gestão e de psicologia organizacional.

2. Trabalho remoto aumenta o risco de boreout?

Não necessariamente. O risco aumenta quando o trabalho remoto vem acompanhado de pouca autonomia, tarefas repetitivas e baixa percepção de impacto. Nesses casos, a distância pode reforçar a sensação de desconexão e irrelevância.

Para reduzir esse risco, é importante dar visibilidade às entregas, criar espaço para novos desafios e manter conversas frequentes com o time sobre desenvolvimento e responsabilidades.

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3. Como preparar times e lideranças para lidar com o boreout?

A melhor forma é preparar quem gerencia para identificar sinais de desengajamento e ampliar o repertório das equipes para que assumam trabalhos de maior valor. Isso pode ser desenvolvido a partir de algumas iniciativas.

A Alura Para Empresas apoia organizações nessa jornada com um ecossistema de aprendizado que combina treinamentos e formações personalizadas para times de diferentes áreas e níveis de senioridade.

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Athena Bastos
Athena Bastos

Coordenadora de Comunicação e Branding da Alun Business. Especialista em Branding e Gestão de Marcas, pela UCB, em Digital Data Marketing pela FIAP. Bacharela e Mestra em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. Produz conteúdos há mais de 15 anos para canais digitais e há mais de 7 anos lidera estratégias de marketing e comunicação para negócios.