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Transformação Digital: cultura de experimentação

Inovação e Design Thinking - Apresentação

Olá, sou Roberto Pina, seja muito bem-vindo, muito bem-vinda a mais esse curso da formação em Transformação Digital, e agora nós vamos falar sobre a cultura da experimentação.

O público-alvo desse curso são pessoas de áreas de tecnologia e negócios interessadas em conhecer mais sobre o tema de transformação digital, lideranças de diferentes níveis, membros de áreas de governança ou estratégia, e consultores e consultoras em transformação organizacional.

Esse curso é o quarto da série de formação em Transformação Digital. O objetivo é fornecer uma visão ampla a respeito dessa temática que vai muito além, como nós estamos vendo, de aspectos puramente técnicos.

Há também fatores a considerar de ordem cultural, estratégica, que são fundamentais para o sucesso dessa grande missão que é a transformação digital nas organizações.

Então nesse curso falaremos do terceiro pilar da transformação digital, que é a cultura de experimentação. Começaremos dentro do tema falando de inovação e Design Thinking, depois de gerenciamento da inovação, abordagem Lean Startup, o método, o workshop estruturado, Lean Inception, que é uma ferramenta importante para a inovação. E depois falaremos a respeito de princípios de experimentação, que é um termo chave quando se fala de inovação.

Para quem participa há como benefício de aspectos estratégicos da chamada transformação digital e evolução pessoal e profissional permitindo ao participante, ou a participante, posicionar-se de maneira mais precisa nesta temática. Então vamos iniciar o nosso conteúdo falando de princípios básicos de inovação. Vamos lá?

Inovação e Design Thinking - Inovação

Existem várias conceituações de inovação, mas uma que é genérica e suficiente para os nossos propósitos aqui, é a seguinte, é a geração de conhecimentos novos, ou novas aplicações de conhecimentos existentes, para agregação de valor em produtos, serviços, processos ou modelos de negócio.

Então apareceu novamente a palavra valor, que é chave para transformação digital e para os seus pilares. Então conhecimentos novos, ou novas aplicações de conhecimentos já vigentes, para agregação de valor é considerado inovação.

Então uma primeira consequência desse conceito é que não basta ter uma ideia, não basta ser criativo, é preciso que essa criatividade, essa iniciativa, acabe realmente desembocando em produtos ou serviços que efetivamente levem ao mercado valor, esse é um aspecto muito importante.

Porque somente criatividade, mas sem agregação de valor ao mercado, não caracteriza a inovação de fato. Veja, por exemplo, o caso clássico do relógio de pulso, quem teve a ideia do relógio de pulso foi Santos Dumont, que nas suas experimentações precisava verificar o tempo dos voos sem ter que ficar desviando muito olhar. Então uma maneira prática de fazer isso seria olhar para o próprio pulso.

Então ele solicitou ao seu amigo Luiz Cartier que colocasse ali uma correia em torno de um relógio que permitisse atá-lo ao seu pulso e ele então poder fazer as suas experiências com este dispositivo.

Então, podemos dizer que Santos Dumont inventou, teve a ideia do relógio de pulso, mas quem inovou, quem foi o inovador foi Luiz Cartier, porque em seguida o Cartier patenteou essa invenção e ofereceu ao mercado um novo produto, relógio de pulso.

Da mesma forma o avião atribui-se a Santos Dumont a invenção desse artefato, mas quem foi inovador foi William Boeing, que passou a produzir aviões, criou uma coisa que é a indústria aeronáutica, oferecendo então ao mercado viagens de avião.

Então perceba então a diferença entre ideia e invenção, e inovação. A inovação ela desemboca no mercado, ela leva ao mercado aquela novidade, aquela nova oferta de valor.

E por que as empresas devem inovar? Porque especialmente com os recursos digitais que estão cada vez mais evoluídos, o mundo está mudando a maneira como as indústrias funcionam e também isso se reflete no comportamento das pessoas.

Os modelos tradicionais de trabalho, as relações sociais, também familiares, o governo, a educação, o consumo, etc., estão mudando radicalmente. Então, hoje o trabalho pode ser remoto, existem redes sociais, a forma de relacionamento com o governo está se tornando cada vez mais digital, a educação está se tornando cada vez mais digital e os seus pilares tem sido questionados. O consumo hoje conta com uma coisa chamada, comércio eletrônico. Então, tudo isso são mudanças muito importantes e muito rápidas, e as empresas que não acompanharem isso com novas ideias e oferta de valor vão ficar pelo caminho.

Mercados podem surgir e desaparecer rapidamente, desafiando a competitividade da empresa, neste exato instante pode estar nascendo em um quarto, em uma garagem, ou em uma faculdade, uma startup que vai derrubar uma indústria consolidada, isso não é mais lenda nem fantasia, é uma realidade, e a única certeza é a mudança. As coisas mudam realmente de maneira muito acelerada.

Há dois tipos de inovação, a inovação incremental, que ela não tem caráter assim revolucionário, mas contribui para melhoria pouco a pouco de produtos e consecutivamente dos negócios da empresa sem grandes alterações.

Então o carro ele é um produto que foi sofrendo evoluções expressivas, sem dúvida, um carro de hoje é muito diferente de um carro a 100 anos atrás, mas essas inovações elas foram incrementais, o carro ainda tem roda, ainda tem um motor a explosão, ele não é na sua essência diferente de um carro de algumas décadas atrás, mas foi tendo cada vez mais eletrônica embarcada, novos dispositivos, houve evoluções, houve inovações, mas elas não são tão revolucionárias assim, elas são incrementais, a cada ano surge uma novidade, mas nada muito radical, como, por exemplo, um carro voador, isso ainda não aconteceu.

Já a inovação do tipo disruptiva ela é mais radical, ela traz mudanças assim significativas e de grande monta no modelo de negócio ou no produto, trazendo novas dinâmicas competitivas.

Então, a invenção do transistor, por exemplo, foi uma inovação disruptiva porque permitiu o surgimento dos microprocessadores, houve uma grande miniaturização dos componentes eletrônicos, e isso viabilizou o barateamento dos computadores, então isso foi uma inovação disruptiva. Então, de vez em quando acontece inovações dessa natureza, e elas são muito importantes.

A semente da inovação é a ideia, tudo nasce com uma ideia, um grande produto ou uma grande empresa hoje nasceu de uma ideia. E as ideias revolucionárias, muito boas, elas por si só, elas não garantem a evolução de uma organização, ou a própria inovação.

Existe o caso clássico da Kodak, a câmera digital ela foi inventada na Kodak, houve até protótipos, mas a Kodak não foi para frente com esse projeto com receio de que aquela inovação, ou aquela possível inovação, porque não chegou ao mercado através dela, fosse competir com os seus próprios produtos, com os filmes tradicionais, então a Kodak deixou um pouco de lado, mas aí outras empresas vieram, utilizaram essa ideia, foram com ela para frente e levaram isso ao mercado na forma de um produto revolucionário e a Kodak perdeu pé.

Então isso mostra que não adianta ter boas ideias, é preciso realmente saber trabalhar, saber mudar, ter a coragem de fazer isso e ter a visão para levar para o mercado coisas revolucionárias, porque senão alguém vai fazê-lo. Então esses são os conceitos básicos a respeito de inovação. E na sequência vamos falar do Design Thinking, que é uma abordagem estruturada para lidar com esses esforços de inovação. Vamos lá?

Inovação e Design Thinking - Design Thinking

O Design Thinking é uma abordagem ou competência estratégica para a inovação, foi adaptada à administração em uma empresa chamada IDEO, em especial com os esforços de Tim Brown.

Vamos observar esse termo Design Thinking, para entender afinal do que se trata, em inglês, quando eu coloco um substantivo e um adjetivo, eu coloco na frente o adjetivo, então no termo Design Thinking, design é o adjetivo, e thinking é o substantivo, como se fosse, por exemplo, carro vermelho, red car, primeiro o red, vermelho que é o adjetivo, depois car, carro que é o substantivo. Então design é o adjetivo e o thinking é o substantivo.

O design ele se relaciona ao que falamos também em português, utilizando esse termo design, o design se formos traduzir ele significa projeto, concepção, então o design de uma cadeira, o design de um processo, é o projeto, é a concepção, é como aquele item foi borrado, como ele foi desenhado, como ele foi concebido, então isso é design.

E o thinking ele se relaciona a pensamento, a maneira de pensar, então o Design Thinking é um pensamento voltado ao design, é que não existe esse termo, mas é um pensamento designizado, ou um pensamento calcado em design, em projeto, em concepção, então eu penso com essa pegada de projeto, de concepção.

Se eu vou, por exemplo, criar um restaurante com princípios de Design Thinking, eu vou criar o processo daquele restaurante, eu vou borrar aquele restaurante pensando no design, pensando na utilização pelos usuários daquele espaço. Então em essência é isso que significa o termo Design Thinking.

As principais características dessa abordagem são as seguintes, ela é baseada em conhecimento, exploração e experimentação. Então tem um caráter empírico, eu vou descobrindo, eu vou através de feedback, eu vou através de estudo e experimentação continuada, um tipo de experimentação rápida, vendo o que funciona melhor, tem por tanto esse caráter iterativo e empírico e ela é centrada no ser humano. Eu vou trabalhar para atender as necessidades e expectativas de pessoas que vão utilizar aquele produto ou serviço.

As grandes fases dessa abordagem conforme a empresa IDEO são, a inspiração, onde eu tenho insight, mas ainda não penso na solução, na materialização da solução, a ideação em si, onde eu vou gerar algumas ideias um pouco mais concretas, baseadas no conceito da empatia que nós vamos falar daqui a pouco. E a implementação, implementação essa feita com base em muita experimentação, muitas experiências.

Para problema simples, podemos fazer o uso de um raciocínio linear, então, por exemplo, a lâmpada queimou, o que eu faço? Troco a lâmpada. Então quando eu vou conceber alguma coisa simples, eu posso fazer o uso, ou isso é suficiente, o raciocínio lógico linear. Então, o problema eu consigo definir facilmente, e posso também fazer uma implementação fácil. Então, se a pessoa vai ao médico e ela tem alguma coisa cujo diagnóstico é muito fácil, o médico rapidamente dá o diagnóstico, e olha o remédio, e é isso aqui, e acabou, está resolvido o problema.

Agora, para situações complexas, e isso daí é preponderante no mercado, existe a abordagem chamada do duplo diamante. Que é uma contribuição importante do Design Thinking para inovação ou para o desenvolvimento de produtos complexos, ou resoluções de problemas complexos.

Ela tem esse nome duplo diamante porque é uma metáfora, uma ilustração de como é que funciona a dinâmica da coisa. Primeiramente, em um problema complexo, nós nem sequer sabemos exatamente qual é o problema, então precisamos antes de mais nada, formular de maneira adequada o problema em si.

Começamos fazendo isso com divergência, abrimos várias hipóteses do que é o problema, e depois trabalhamos em uma convergência, chegando na primeira síntese que é mais ou menos a formulação do problema. Então pegando um exemplo novamente da medicina, a pessoa chega com uma mancha na perna, diferente, então aquilo pode ser um monte de coisa, pode ser uma alergia, pode ser um tumor, pode ser qualquer coisa, então inicialmente o médico ele relaciona várias hipóteses e vai solicitar alguns exames para que então seja concebido um diagnóstico.

Com base nesses resultados, primeiramente havia muitas hipóteses, mas depois dos exames já vai eliminando, tumor não é, alergia não é, então o que pode ser isso? Então, eu convirjo isso para um diagnóstico, ou para um diagnóstico provável, e essa é a primeira síntese.

Muito bem, então já temos o problema definido, agora vamos para a segunda parte do diamante que é a solução. Para buscar a solução usamos o mesmo mecanismo, primeiro, fazemos uso de uma divergência, um pensamento divergente, listando várias soluções possíveis para aquele problema, no exemplo que eu estou dando, várias medicações possíveis, e depois então eu faço uma convergência para chegar na síntese que é uma hipótese para resolução do problema.

Então há vários remédios possíveis, para aquele tipo de problema de pele, mas esse aqui não dá porque a pessoa é alérgica, esse aqui também não, por algum outro motivo, mas aí eu convirjo e vejo, esse aqui parece ser um adequado, então vamos utilizar esse medicamento, este tratamento. Então essa daí é a abordagem do duplo diamante. Primeiramente eu tenho que descobrir qual é o problema, aí eu defino, depois eu passo a desenvolver soluções possíveis e finalmente eu entrego a solução.

A empatia, é um outro instrumento, é um outro elemento extremamente importante no Design Thinking e naquilo que ele se propõe. E consiste na capacidade de compreender e vivenciar sentimento de outras pessoas, é nos colocarmos na pele de outras pessoas.

Empatia então ela envolve, observar o comportamento de quem usa no contexto de suas vidas, então eu vou conceber alguma coisa, algo que pretende ser inovador, eu tenho que observar o comportamento do usuário, levar em conta o ponto de vista dele, me colocar na pele dele.

Interagir e entrevistar pessoas usuárias de maneira programada e eventual, conversar para obter mais feedbacks a respeito das necessidades e das expectativas das pessoas que provavelmente vão usar aquilo. E fazer uma imersão, vivenciar as experiências dos usuários, experimentar, então eu vou lá e sinto o produto ou serviço, tirando também as minhas conclusões.

Então esses são passos importantes que envolvem o uso da empatia e que são fundamentais para boa concepção de produtos ou serviços conforme preconizado pelo Design Thinking. Na sequência, vamos continuar falando de todos esses mecanismos da inovação trazendo o conceito de sistema de inovação organizacional, vamos lá?

Sobre o curso Transformação Digital: cultura de experimentação

O curso Transformação Digital: cultura de experimentação possui 109 minutos de vídeos, em um total de 46 atividades. Gostou? Conheça nossos outros cursos de Gestão Estratégica em Inovação & Gestão, ou leia nossos artigos de Inovação & Gestão.

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