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Aprender a desaprender: a habilidade essencial para empresas em transformação

Athena Bastos

Athena Bastos


Em um cenário globalizado, dinâmico e impulsionado pelo avanço constante da tecnologia, os processos de aprendizado também estão passando por transformações.

Um dos maiores desafios para profissionais e líderes atualmente é desenvolver a habilidade de aprender a desaprender — ou seja, questionar práticas estabelecidas, abandonar padrões ultrapassados e abrir espaço para novos conhecimentos.

Isso não significa invalidar o que foi construído até aqui, mas sim ressignificar experiências e conceitos para alinhá-los às demandas atuais e futuras.

Essa postura permite que lideranças e equipes se adaptem com agilidade, cultivem a inovação empresarial e estejam preparadas para enfrentar um mercado em permanente mudança.

Para compreender como essa habilidade pode transformar sua rotina de trabalho e fortalecer sua capacidade de liderança, continue a leitura deste artigo e descubra como aprender a desaprender é uma competência tão estratégica no mundo corporativo contemporâneo.

O que significa aprender a desaprender?

O conceito de aprender a desaprender tem como principal motivador o sociólogo e futurólogo Alvin Toffler, que escreveu em seu livro “Future Shock” a seguinte frase: Os analfabetos do século XXI não serão aqueles que não sabem ler e escrever, mas aqueles que não podem aprender, desaprender e reaprender.

A partir disso, em 1970, Alvin conseguiu realizar uma previsão realista de como as organizações e suas pessoas colaboradoras precisariam se adaptar às mudanças bruscas e às novas tecnologias. Isso porque empresas que permanecem presas a velhas formas de operar perdem velocidade de adaptação.

Ou seja, uma equipe que não se permite desaprender pode se tornar resistente à inovação, e presa a padrões que foram eficientes no passado, mas que agora se tornaram obstáculos para resultados maiores.

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Além disso, é importante ficar claro que o desaprender não se trata de abandonar o lifelong learning — conhecimento adquirido ao longo da vida —, mas de questionar crenças, práticas e modelos que já não correspondem às necessidades atuais. Ou seja, trata-se de abrir espaço para novas formas de pensar, agir e liderar.

Assim, compreender o que significa aprender a desaprender é essencial para profissionais e empresas que desejam manter-se inovadoras, ágeis e preparadas para transformar desafios em oportunidades.

Aprender, desaprender e reaprender: o ciclo ideal

Seguindo a linha de pensamento de Alvin Toffler, é preciso entender que aprender, desaprender e reaprender são etapas diferentes, mas complementares, para se adaptar às transformações constantes. Veja o significado de cada uma delas abaixo.

  • Aprender: adquirir novos conhecimentos e experiências.
  • Desaprender: desapegar-se de conceitos antigos, informações desatualizadas e práticas que já não funcionam, abrindo espaço para o novo.
  • Reaprender: a oportunidade de aprender novamente, porém com uma nova perspectiva, desconstruindo conceitos que moldam a sua forma de agir, reagir e pensar.

Este é um ciclo contínuo, que exige questionamentos constantes e disposição para acolher o novo. Ao adotar essa postura, é possível otimizar processos, aprimorar conhecimentos e focar no que é realmente essencial.

Por que aprender a desaprender é tão importante para empresas em transformação?

Segundo a pesquisa global “Hopes and Fears 2024” feita pela PwC, 34% das pessoas profissionais no Brasil não entendem por que é preciso mudar, enquanto 59% dizem que aprender novas competências é um fator-chave para permanecer no emprego.

Nesse contexto, incorporar as novidades na rotina de uma equipe se torna um caminho estratégico para que empresas e profissionais acompanhem as transformações de forma ágil e eficaz. Essa postura evita que a mudança seja vista como algo custoso ou demorado, além de fortalecer uma cultura de aprendizado contínuo, que abre espaço para novas experiências, oportunidades de melhoria e ganhos de produtividade.

A seguir, confira alguns dos principais motivos para começar a aplicar o conceito de aprender a desaprender na sua empresa.

1. Aceleração dos processos de inovação

Não é porque um processo antigo continua sendo aplicado que ele é o melhor caminho para o futuro. Muitas vezes, ideias obsoletas criam barreiras à criatividade. Ao desaprender, abre-se espaço para testar novas ideias, tecnologias e ferramentas que realmente podem agregar valor à rotina. Afinal, inovar não significa somente adicionar o novo, mas também retirar o que já não faz sentido.

2. Redução dos riscos

Embora aprender algo novo possa parecer arriscado, permanecer em práticas antigas não é sinônimo de melhoria. Ao lidar com um mercado que se transforma repentinamente, insistir em processos antigos pode afastar novas oportunidades, clientes e futuramente inviabilizar negócios.

O desaprender, nesse contexto, envolve revisar constantemente as metodologias aplicadas, antecipando problemas antes que eles se tornem críticos. Dessa forma, a mudança e o reaprendizado tornam-se proativos, em vez de apenas serem fruto de reações diante crises.

Leia também: Os tipos de metodologias ágeis mais usados pelas empresas

3. Manutenção da motivação das equipes

Ao estar em um processo constante de renovação, as equipes se sentem motivadas a contribuir. Essa ação se reflete em maior engajamento, colaboração e comprometimento com os resultados, pois o trabalho fica mais alinhado às transformações do mundo real.

4. Fortalecimento do reskilling nas empresas

Aprender a desaprender também está diretamente ligado ao reskilling, ou seja, à aquisição de novas competências estratégicas para o futuro da empresa.

Assim, ao investir em reskilling, as organizações garantem que suas pessoas colaboradoras desenvolvam habilidades atualizadas, aumentem sua empregabilidade e contribuam de forma mais efetiva para projetos inovadores.

Leia também: Upskilling e Reskilling — o que é, qual a diferença entre eles e a importância para as empresas

5. Criação de resiliência organizacional

O processo de mudanças é inevitável. Mas uma cultura organizacional que favorece o aprendizado, agregando as novidades de forma consciente e responsável, desenvolve uma maior resiliência por não depender de apenas um método ou estratégia.

Essa flexibilidade aumenta a capacidade de recuperação em momentos de crise e amplia a exploração de novas oportunidades. Assim, a mudança deixa de ser vista como ameaça e passa a ser encarada como parte natural do crescimento.

Leia também: Surge skilling — habilidades de aprendizado acelerado que estão moldando o mercado de trabalho

O papel da Inteligência Artificial na estratégia do aprender a desaprender

Um dos exemplos mais marcantes sobre o processo de aprendizado é o uso da Inteligência Artificial nas empresas. Essa tecnologia não apenas remodela os formatos de trabalho, mas também exige que profissionais e equipes aprendam a desaprender práticas antigas para abraçar novas possibilidades.

Segundo o relatório“Superagency in the workplace: Empowering people to unlock AI’s full potential” da McKinsey, nos próximos três anos, 92% das empresas planejam aumentar seus investimentos em IA, o que sinaliza a urgência de adaptação.

A partir desse dado, e de acordo com insights do estudo “Reimagined: Learning & development in the future of work”, as lideranças estão adotando a experimentação ágil, criando rotinas mais flexíveis e desaprendendo planejamentos excessivamente rígidos. Essa abordagem permite que as equipes se desenvolvam enquanto tomam decisões mais acertadas, equilibrando inovação com aprendizado contínuo.

Com o uso de ferramentas de IA, por exemplo, é possível reduzir a carga administrativa e liberar tempo para tarefas de maior valor, ao mesmo tempo em que oferece suporte constante para aperfeiçoamentos.

Dessa forma, lidar com a IA se torna uma oportunidade prática de aprender a desaprender, incorporando o melhor de metodologias antigas somado às novas tecnologias. Isso aumenta a produtividade e prepara as equipes para enfrentar as mudanças do futuro com mais segurança e eficácia.

Leia também: Como a IA pode facilitar o trabalho das pessoas colaboradoras dentro de uma empresa

Como aplicar o conceito de aprender a desaprender nas empresas?

Para que o conceito de aprender a reaprender faça sentido e seja incorporado no dia a dia, é necessário seguir algumas etapas de aplicação para implementar as novidades de maneira natural e positiva a todas as pessoas e equipes. Confira quais são elas abaixo.

1ª etapa: explique os porquês

É comum existir o processo de resistência frente a uma mudança ou aprendizado de algo novo. No entanto, muitas vezes esse sentimento não vem pela má vontade, mas, principalmente, pela falta de compreensão e contexto.

Isso porque, quando não há entendimento dos motivos de reaprender a aprender um processo, é natural proteger o que já está sendo implementado. Então, se faz necessário adotar uma abordagem sensegiving para explicar com uma comunicação estratégica os porquês do aprendizado.

Nesse contexto, é possível:

  • apresentar dados concretos;
  • comparativos de desempenho;
  • exemplos de melhorias observadas, entre outros.

Ao deixar claro os motivos pelos quais esse novo caminho contribui para o que está sendo construído na organização, a receptividade aumenta, o reskilling se desenvolve e a disposição para crescer também.

2ª etapa: forneça os recursos necessários

Aprender a desaprender não é uma tarefa simples. Para que esse processo seja bem-sucedido, é fundamental fornecer preparo e recursos adequados, garantindo condições para o aprendizado e a adaptação. Alguns recursos que podem ser utilizados incluem:

  • treinamentos especializados, especialmente aqueles que unem teoria e prática, facilitando a compreensão e aplicação do que é novo;
  • tecnologia adequada, que ofereça suporte às novas práticas sem sobrecarregar o time ou os processos;
  • tempo para adaptação, permitindo que cada etapa seja assimilada sem comprometer produtividade ou entregas;
  • Acompanhamento constante para tirar dúvidas, ajustar processos, corrigir possíveis confusões e fornecer suporte adicional.

3ª etapa: adapte às mudanças do mercado

Assim como as empresas que estão sempre em constantes transformações, o mercado também apresenta mudanças significativas em vários aspectos. Novas tecnologias surgem, legislações mudam e as pessoas consumidoras redefinem o que esperam de produtos e serviços.

Empresas que conseguem integrar os novos aprendizados com mais rapidez, deixam para trás práticas que já não se encaixam no novo cenário. Essa capacidade de adaptação garante competitividade e longevidade, o que permite que a empresa não somente sobreviva, mas lidere em períodos de mudança.

Leia também: Tudo sobre gestão de mudanças — o que é e como estruturar na sua empresa

4ª etapa: acompanhe os resultados

Após implementar as mudanças necessárias para essas novas oportunidades, é essencial monitorar os resultados alcançados. Avaliar métricas de desempenho, produtividade e engajamento permite identificar o que está funcionando, o que precisa ser ajustado e quais aprendizados podem ser incorporados em novos processos.

Esse acompanhamento contínuo não só fortalece a cultura de aprendizado contínuo da empresa, como também cria um ciclo de melhoria constante, o que garante que a organização se mantenha ágil e preparada para os desafios futuros.

Com base em todas as informações apresentadas neste artigo, fica claro que aprender a desaprender exige atenção às novidades do mercado, dedicação das lideranças e compromisso da empresa com suas equipes.

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Leia também: Gestão de competências — o que é e como funciona?

Athena Bastos
Athena Bastos

Coordenadora de Comunicação da Alura + FIAP Para Empresas. Bacharela e Mestra em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC. Pós-graduanda em Digital Data Marketing pela FIAP. Escreve para blogs desde 2008 e atua com marketing digital desde 2018.