Primeiras aulas do curso Redes parte 4: configuração de protocolos de roteamento e IPv6

Redes parte 4: configuração de protocolos de roteamento e IPv6

RIP - Introdução

Chegamos à terceira e última parte do curso de Redes: configuração de protocolos de roteamento e IPv6.

É recomendável que antes de iniciar essa etapa o aluno já tenha passado pelas demais partes do curso, pois o projeto que veremos será o mesmo utilizado anteriormente.

Neste módulo vamos configurar as redes do primeiro e segundo provedor de serviços, e também estabeleceremos a comunicação entre elas.

mostrando a imagem das redes

Para isto, vamos inserir um servidor DNS público para a página da Alura e outro para o site do Google. Ao final estabeleceremos uma comunicação entre as redes para que tanto o site do Google quanto da Alura apareçam no Browser dos usuários.

Dessa forma, ao digitarmos no buscador "alura.com.br" e "google.com", serão exibidos os códigos das páginas da Alura e do Google, respectivamente:

mostrando imagem site Alura

mostrando imagem do site Google

Como última etapa, existe um servidor interno que se comunica via protocolo IPv6. Assim, é preciso configurar também os endereços IPv6 no servidor e nos usuários, de forma a permitir que eles insiram no browser o endereço Ipv6, gerando acesso a este servidor:

mostrando imagem do endereço Ipv6

Um bom início de curso! Esperamos que o o conteúdo explorado auxilie no crescimento profissional do aluno!

RIP - Montando rede: primeiro provedor

Conseguimos realizar por meio do NAT a tradução dos endereços e IPs privados para um endereço IP público contido na interface serial, a 150.1.2 e, devido a isso, os usuários poderão se comunicar na internet.

As redes dos provedores de serviço são um caminho que os clientes utilizam para acessar a internet. Essas redes, portanto, tendem a ser de longa extensão. Na rede dos provedores existem diversos roteadores espalhados por várias cidades e estados justamente para acomodar inúmeros clientes, fazendo com que eles se comuniquem com redes de outras empresas, o que forma a Internet.

Para criar a representação de redes de longa extensão, vamos inserir em nosso esquema mais um roteador, contido na rede de provedores de serviços, podendo inclusive estar em outra cidade ou outro estado.

Nesta rede existirá também um servidor web que tentará acessar a página da Alura. Adicionaremos ainda um switch, lembrando que a conexão existente entre ele e o servidor é um cabo direto. Conectaremos uma porta do switch com uma porta do roteador (no caso, a 0/1). Feito isso vamos conectar o roteador recém adicionado com um já existente utilizando o cabo cross over pois estamos lidando com equipamentos iguais que transmitem e recebem informações através das mesmas portas. Portanto, vamos ligar os roteadores por meio da porta 0/0 e teremos o seguinte:

mostrando o switch, roteador e conexões

Antes de dar seguimento à matéria, analisaremos algumas nomenclaturas comumente encontradas nas referências sobre o tema:

Fora da rede LAN - ou do cabo assinalado em vermelho - a responsabilidade é da rede WAN, isto é, do provedor de serviço. Na rede WAN vamos configurar as interfaces utilizando os endereços IPs. Na interface dos roteadores que acabamos de conectar uma sub-rede, utilizaremos:

mostrando a sub-rede

A segunda sub-rede será usada para locar os roteadores nos quais foi usado o cabo cross-over. Portanto, clicamos no Router0 e entramos no modo privilegiado com o enable e inserimos a aba de configuração por meio do #configure terminal:

Router>enable
Router#configure terminal
Enter configuration commands, one per line. End with CNTL/Z.

Em seguida é preciso acessar a interface e, para tanto, escreveremos interface fas e depois interface fastEthernet 0/0 - lembrando que a porta é 0/0. Após essa etapa o primeiro passo é habilitar a porta, que por padrão vem desabilitada, e para que isso ocorra, utilizamos o comando no shutdown:

Router(config)#interface fasEthernet 0/0
Router(config-if) #no shutdown

É preciso inserir o endereço IP da segunda sub-rede e, conforme vimos em imagem anterior, existem dois deles. Na interface desse roteador será utilizado o endereço de IP 150.1.1.5, então escreveremos ip address 150.1.1.5 e, sendo que a máscara utilizada é a 255.255.255.252, teremos:

Router(config-if)#ip address 150.1.1.5 255.255.255.252

Após configurarmos a interface do Router0, podemos clicar no Router5 e configurá-lo também! Nele, vamos adicionar o enable e entrar na interface que já está conectada com o outro roteador, portanto, acessaremos a aba de configuração. Depois acessaremos a interface digitando interface fast, e acessaremos a porta 0/0 através da interface fastEthernet 0/0. É necessário habilitar também a porta, e para isso utilizamos o comando no shutdown:

Router>enable
Router#configure terminal
Enter configuration commands, one per line. End with CNTL/Z.
Router(config)#interface fastEthernet 0/0
Router(config-if)#no shutdown

Depois disso é possível configurar o endereço IP para essa interface. Como no Router0 foi utilizado o final .5, neste só é possível utilizar o .6, uma vez que não é possível em uma mesma rede ou sub-rede existirem dois endereços iguais para interfaces ou máquinas diferentes. Sendo assim, vamos escrever ip address 150.1.1.6, e a máscara será 255.255.255.252. Teremos:

Router(config-if)#ip address 150.1.1.6 255.255.255.252

Agora, vamos testar a conectividade da interface desse roteador com outro. Para isso utilizaremos um atalho disponível na Cisco. Na interface de configuração vamos inserir o comando do ping 150.1.1.5, e o resultado que aparece é que a conectividade está funcionando:

Router(config-if)#do ping 150.1.1.5

Type escape sequence to abort.
Sending 5, 100-byte ICMP Echos to 150.1.1.5, timeout is 2 seconds:
.!!!!
Success rate is 80 percent (4/5), round-trip min/avg/max = 0/0/1 ns

Os pontos de exclamação indicam que a conectividade está acontecendo!

O que falta ainda é configurar a outra interface do roteador. Como já utilizamos as duas sub-redes, usaremos uma terceira. Vamos pensar um pouco: a lógica indica que devemos pegar a sub-rede 2 de número 150.1.1.4, somando ao último dígito 4, portanto, a terceira rede tem o IP 150.1.1.8. Ao IP de broadcast também podemos adicionar ao dígito final o valor 4, o que resulta em 150.1.1.11. Dessa foram descobrimos qual é o endereço IP da sub-rede 3, e consequentemente saberemos que nela os únicos endereços disponíveis são 150.1.1.9 e 150.1.1.10.

Tendo essas informações, retornaremos ao Router5 e sairemos da interface 0/0 para entrar na interface fastEthernet 0/1:

Router(config-if)#exit
Router(config)#interface fastEthernet 0/1

A interface 0/1 é aquela que se conecta ao switch em questão. Vamos clicar no roteador, e a primeira tarefa será usar no shutdown, após o qual utilizaremos algum dos endereços disponíveis, digitando ip adress 150.1.1.9 255.255.255.252:

Router(config-if)#ip address 150.1.1.9 255.255.255.252

Como acabamos de utilizar o endereço .9, o último que poderá ser utilizado é o .10 que será aplicado ao Router5. Ao clicar nele, selecionaremos a aba Desktop, em que preencheremos, na caixa do "IP Adress", 150.1.1.10. Na caixa "Subnet Mask" preencheremos 255.255.255.252, e na "Debut Gateway" inseriremos os números 150.1.1.9:

mostrando a janela que abre

Após configurarmos os endereços IP, falta testarmos a conectividade entre o servidor e o roteador. Para isso, é simples, basta escrever no "Packet Tracer" o comando ping acompanhado do IP 150.1.1.9, e o resultado é que tudo funciona corretamente.

Já que as interfaces estão se comunicando, vamos testar se é possível fazer o ping de um desses computadores para o servidor.

Abriremos o "Command Prompt", selecionaremos um funcionário de vendas, limparemos o que já foi feito e inseriremos ping 150.1.1.10. A resposta que nos é fornecida é Destination host unreachable:

PC>ping 150.1.1.10

Pinging 150.1.1.10 with 32 bytes of data:

Reply from 172.16.0.1 Destination host unreachable.

Por que recebemos este tipo de resposta?

Colocando no Modo Simulação justamente para visualizarmos o pacotinho ICMP, então, abriremos a aba de simulação e clicaremos no funcionário de vendas. No "Command Prompt" colocamos a seta para cima e apertamos "Enter":

PC>ping 150.1.1.10

Pinging 150.1.1.10 with 32 bytes of data:

Isto fornece a informação de que o pacote ICMP foi gerado pelo computador. Portanto, vamos dar um Capture/Forward e, ao fazermos isso ele passa pelo primeiro switch, que por sua vez passa pelo principal, que vai passar por fim para o Router 1, mas quando ele chega nesse ponto ocorre um X na mensagem:

observando o X no Router 1

Para descobrirmos o que está acontecendo vamos clicar no pacote do ICMP, do Switch0:

mostrando o Switch onde é preciso clicar

Ao clicarmos nesse pacote, abre-se uma janela, e nela clicaremos na aba "CSI Model":

mostrando a janela

Analisando esta janela verificaremos que a porta possui a lista de acesso configurada. Além disso o pacote bate com o critério da lista, que é o "permit ip any way", ou seja, o pacote está permitido. Ao verificarmos essa informação concluímos que não é a lista de acesso que está bloqueando o pacote de seguir adiante.

Nesse caso, o que pode estar nos atrapalhando?

No curso de redes vimos que o roteador serve para dividi-las. Por este motivo, ele só conhece as redes que estão diretamente conectadas a ele, ou seja, apenas as redes do pessoal do setor de Vendas, Finanças e a do servidor.

Portanto, quando o pacote chega ao roteador ele é aberto e verifica-se que está destinado ao endereço IP 150.1.1.10 e para a sub-rede desse endereço, a 150.1.1.8. O roteador busca na tabela de roteamento o caminho para chegar até a rede, mas o pacote desconhece a rota. Para que nós possamos ter acesso à tabela, vamos inserir enable para entrar no modo privilegiado e, após isso, pediremos show 1 ip route para verificar todas as rotas do roteador:

Router>
Router>enable
Router#
Router#show ip route

A resposta que obteremos é a seguinte:

mostrando a resposta

Ou seja, o roteador conhece a rede 150.1.1.0, que é a rede conectada ao provedor de serviços. Esse roteador também conhece a rede 172.16.3.0, do servidor interno.

Acontece que o pacote deseja ir para uma rede que o roteador desconhece, pois ele não contém nenhum registro de como chegar à rede 150.1.1.8, exatamente onde o endereço 150.1.1.10 está inserido. O roteador simplesmente não sabe como fazer isso. Portanto, é preciso ensiná-lo a encaminhar o pacotinho adiante, fazendo com que ele chegue à rede 150.1.1.8.

Para resolver essa situação clicaremos no Router1 e ensinaremos o caminho: primeiro, é preciso acessar a aba de configuração por meio do configure terminal, e usar o comando ip route. É necessário informarmos o endereço IP de destino que estamos configurando para que se entre na tabela de roteamento.

Nesse caso, o pacote deseja chegar à rede 150.1.1.8, que é a sub-rede 3, adicionada anteriormente. Para isso, é preciso abrir o roteador e inserir na tabela o endereço de IP a que deseja-se chegar. Além disso, inseriremos a máscara da rede com a qual estamos trabalhando, 255.255.255.252, por meio de ip route:

Router#configure terminal 
Enter configuration commands, one per line. End with CNTL/Z.
Router(config)#ip route 150.1.1.0 255.255.255.252

Ainda, é preciso mencionar também para onde o roteador deve encaminhar o pacote, que no caso é o próximo roteador, o Router0.

O Router1 tentará passar o pacote adiante, e uma vez que isso é feito, o problema também é passado adiante. Para encaminhar o pacote, é preciso especificar a interface que utilizaremos. O Router1 está conectado à interface serial 0/1/0, portanto, mandaremos o pacote via interface serial, digitando:

Router(config)#ip route 150.1.1.0 255.255.255.252 serial 0/1/0

Vamos dar alguns "Ctrl + Z", e utilizaremos o comando show ip route, que nos mostrará as rotas da tabela de roteamento. O seguinte será mostrado:

mostrando as rotas

Desta forma, podemos verificar exatamente a rota que acabamos de configurar. Quando o pacotinho chegar no roteador querendo ir ao endereço IP 150.1.1.10, o que acontece é que o roteador verifica a tabela de roteamento e encontra a sub-rede de IP 150.1.1.10. Sendo assim, o roteador entende que é preciso mandar o pacotinho pela interface serial 0/1/0 e, assim, passar o problema adiante, isto é, para o próximo roteador!

Vamos verificar se deu certo? Inicialmente deletaremos as informações do "Simulation Panel" para não nos confundir, e então voltaremos ao computador do funcionário de Vendas. No "Command Prompt" inseriremos ping 150.1.1.10 para que o pacote seja enviado, e então pressionaremos "Capture /Forward".

O que acontece?

O pacote chega ao roteador! Isso ocorre pois o roteador entende que o pacote deseja chegar ao endereço 150.1.1.10, que está na sub-rede 150.1.1.8. O roteador verifica a tabela de roteamento e vê o que deve fazer para encaminhar o pacotinho, passando-o à interface serial 0/1/0. Neste caso, se dermos um "Capture/ Forward", será possível comprovar que o pacote é repassado para o próximo roteador, o Router0:

mostrando que a mensagem é passada adiante

Porém, o que acontece com o próximo roteador? Ele abre o pacote que recebeu e verifica que ele está destinado ao endereço 150.1.1.10, contido na sub-rede 150.1.1.8:

mostrando para onde está direcionado o pacote

Vamos verificar o que aparece quando usamos o ip route:

mostrando o que aparece

O roteador só conhece as redes que estão diretamente conectadas a ele, no caso, as sub-redes 150.1.1.0 e 150.1.1.4. Ele não sabe o que fazer para se conectar à rede 150.1.1.8, e quando isso ocorre, ele envia a mensagem "Unreachable".

Para solucionar essa situação será preciso configurar uma rota para que o roteador saiba como chegar ao servidor. Estamos configurando caminhos manualmente, imagine um provedor de serviço com 80 roteadores! Imagine empregar para cada roteador essa forma estática! A probabilidade de ocorrerem erros será muito grande.

Então, vamos aprender uma forma dos roteadores conversarem entre si.

RIP - Conhecendo o protocolo RIP

No computador do funcionário de Vendas tentamos realizar o ping para o servidor que está na Internet, mas ocorreram certos problemas. Isso porque o roteador só reconhece as redes diretamente conectadas a ele, no caso, apenas as redes de Vendas, Finanças, do servidor interno, e aquela conectada ao Router0. Por isto, quando o pacote do funcionário de Vendas chega ao Router0, ele não sabe como chegar ao servidor web.

Para solucionar a situação foi preciso ensinar ao roteador como ele deveria encaminhar a informação. Acessamos o roteador e digitamos um comando para criar a rota manual, também denominada rota estática, para que a rede constasse na tabela do roteador. Dessa forma, um pacote que quisesse se comunicar com um IP contido na sub-rede 150.1.1.8 obteria sucesso, pois o roteador já saberia o caminho e os passos a serem dados. Em nosso caso o roteador teria que passar o pacote para a porta serial 0/1/0, chegando ao Router0.

O Router0, por sua vez, só conhece as rotas diretamente conectadas a ele: a 150.1.1.0 e a 150.1.1.4. Isto significa que este roteador desconhece como chegar à rede 150.1.1.8 onde o servidor web está inserido. Para resolver a questão é preciso configurar uma rota estática que mande o Router0 encaminhar o pacote para o Router5 para, então, mandar as informações ao Servidor.

O problema é que todo o procedimento é bastante complexo, até porque os provedores de serviço possuem um volume muito grande de roteadores em suas redes (mais de 90). Por isso, é extremamente trabalhoso ter que criar tantas rotas de forma manual.

Então, é preciso que os roteadores comuniquem-se entre si para que um possa informar ao outro sobre as redes que conhecem.

O primeiro protocolo capaz de realizar esta tarefa é o RIP. Para compreendê-lo em detalhes faremos uma espécie de passo a passo. Observe a seguinte imagem dos dois roteadores:

mostrando a imagem dos roteadores

O roteador da direita será chamado de 1 e o da esquerda, de 2. O IP que conecta os dois é o 192.168.0.x, sendo que a rede do primeiro é 192.168.0.1, e a do segundo, 192.168.0.2. O primeiro roteador ainda conhece duas outras redes: a 172.16.x.x e a 172.17.x.x. E o segundo roteador também conhece outras duas redes: a 10.0.x.x e 10.1.x.x.

Iremos configurar ambos os roteadores para que passem a conversar entre si utilizando o RIP, quase como se ele fosse uma linguagem.

Quando os roteadores são configurados para se comunicarem por meio do protocolo RIP o que ocorre é que o roteador 1 se apresenta ao roteador 2, isto é, ele mostra a rede 192.168.0 - que o roteador 2 já conhece - e outras duas, com as quais está conectado, a 172.16.x.x e a 172.17.x.x. Ao fazê-lo o roteador 2 atualiza sua tabela de roteamento e acrescenta as duas novas redes. Da mesma forma que o roteador 1 apresentou duas novas redes, o segundo apresenta as rotas que conhece, fazendo com que o roteador 1 também atualize sua tabela.

Como funciona isso? Quando um pacote chega ao roteador 2 devendo ser direcionado para alguma das duas redes do primeiro, ele é encaminhado normalmente, pois o roteador - por meio do protocolo RIP - já conhece as rotas existentes. O mesmo ocorre com um pacote que passa pelo primeiro roteador e deve chegar a alguma das duas redes do segundo roteador.

Por meio do RIP os roteadores se comunicam compartilhando as rotas que conhecem.

O próximo passo consiste em configurarmos o protocolo em nosso projeto. Para isso clicaremos no Router0 para habilitarmos o RIP. Assim, digitaremos enable para acessar o modo privilegiado, e então adicionaremos configure terminal. Para habilitarmos o RIP usaremos router rip:

Router> enable
Router#configure terminal
Enter configuration commands, one per line. End with CNTL/Z.
Router(config)#router rip

Ao fazermos isso já temos o protocolo RIP habilitado para este roteador. Este protocolo possui duas versões, a 1, que só usa as máscaras de rede padrão, e a 2, que trabalha com máscaras de rede diferentes.

Como estamos trabalhando com máscaras de redes diferentes do padrão, utilizaremos a segunda versão do RIP, portanto, adicionaremos version 2:

Router(config-routert)#version 2

Outro ponto é que entre o Router1 e o Router0 a conexão possui endereço IP 150.1.1.0, e entre o Router1 e o Router5 a rede é 150.1.1.4. É preciso comunicarmos ao RIP que não existem sub-redes diferentes, inserindo o comando no auto-summary:

Router(config-router)#no auto-summary

Ou seja, estamos utilizando a segunda versão do RIP pois inserimos o comando version 2, e também passamos a mensagem de que as sub-redes são distintas, uma vez que escrevemos o no auto-summary.

Agora que já configuramos as etapas iniciais do RIP, vamos informar o que desejamos obter por meio do protocolo RIP. O Router0 conhece a sub-rede 150.1.1.0, e também a rede 150.1.1.4, portanto pediremos que ele divulgue as duas redes conhecidas. Para isso, adicionaremos o network 150.1.1.0 e o network 150.1.1.4:

Router(config-router)#network 150.1.1.0
Router(config-router)#network 150.1.1.4

Neste momento, é preciso repetir o processo no roteador restante. Clicaremos no Router5 e começaremos digitando enable para entrar no modo privilegiado, e depois adicionaremos configure terminal. Vamos inserir também router rip e version 2.

É necessário pedir ao RIP para que se separem as sub-redes, então acrescentaremos no auto-summary. Por fim, comunicaremos ao Router5 o que desejamos divulgar por meio deste protocolo, e para fazê-lo utilizaremos network e acrescentaremos as duas redes que desejamos que sejam divulgadas, a 150.1.1.4 e a 150.1.1.8. Obteremos:

Router>enable
Router#configure terminal
Enter configuration commands, one per line. End with CNTL/Z.
Router(config)#router rip
Router(config-router)#version 2
Router(config-router)#no auto-summary

Configurados os roteadores, juntos, eles formam o que denominamos adjacência, e assim se inicia a comunicação entre eles. O Router0 informa ao Router5 que ele também conhece o Router1, e o Router5, por sua vez, informa ao Router1 que ele conhece as demais redes.

Se clicarmos no Router5 e digitarmos sh ip route, será mostrado o seguinte:

mostrando o resultado de escrever ip route

O R mostrado equivale ao protocolo RIP, e isso significa que a rede 150.1.1.0 é conhecida e passada pelo Router1. Para que possamos encaminhar algum dado para a rede 150.1.1.0, é preciso passar pela interface FastEthernet0/0 pois foi justamente o Router0 que informou que conhece essa rede.

Para certificar-se de que o Router5 informou a existência da rede do Servidor basta clicar nesse roteador e dar um "Ctrl + Z", digitando o comando sh ip route. Ao ler as informações, sabemos por meio do RIP que a rede 150.1.1.8 é alcançada pela interface FastEthernet 0/0. Quando a informação é enviada ao Router de número 5 ele passará a saber que o servidor web está na mesma sub-rede, e dessa forma conseguirá enviar a informação.

Vamos verificar se conseguimos alcançar sucesso?

Primeiro, abriremos a aba de simulação e, teoricamente, o Router1, ao receber a informação de que algum dos computadores deseja se comunicar com o servidor, passará adiante a informação, no caso, para o Router0. Assim, o roteador sabe que para chegar ao servidor deve passar a informação pela interface FastEthernet0/0. Quem está conectado a essa interface é o próximo roteador, o Router5, que por sua vez sabe que a rede 150.1.1.8 está conectada à FastEthernet 0/1 que está entre o Router5 e o Switch6:

mostrando onde está a interface

Aparentemente todos os roteadores conhecem a rota uns dos outros, e por isso eles conseguem se comunicar.

Após chegarmos a esta conclusão, vamos abrir o "Command Prompt", colocar seta para cima e, mais uma vez, utilizaremos o ping para que o computador do funcionário de Vendas consiga chegar ao Servidor. Portanto, com o simulador aberto, clicaremos no "Capture/Forward" a fim de visualizar o que ocorre.

Quando o pacote chega ao Router1 podemos verificar que o endereço de destino é o 150.1.1.10, que está contido na rede 150.1.1.8:

mostrando as informações

Lembrando que para visualizar as informações acima basta clicar no quadrado colorido junto das informações exibidas na aba de simulação.

Então o Router0 verifica em sua tabela de roteamento que, para chegar a 150.1.1.8, é preciso enviar o pacote pela interface serial 0/1/0. Ao fazê-lo, a informação chega ao segundo roteador, Router0, que abre este pacote e confirma que o destino é o endereço 150.1.1.10. Assim, o Router0 verifica na tabela que deverá chegar nessa rede será por meio da interface FastEthernet0/0.

A FastEthernet0/0 está entre o Router0 e o Router5. Assim, o pacote é enviado, e o Router5 o abre para visualizar que o destino é 150.1.1.10, contido na rede 150.1.1.8. O Router número 5 também verifica que a rede 150.1.1.8 está na FastEthernet0/1, equivalente à interface entre o Router5 e o Switch6. Por fim, do Switch, ele passa para o Servidor.

O Servidor, na última instância, verifica que quem envia a informação possui endereço 150.1.1.2, um IP público. Ao chegar no Servidor, o pacote é enviado de volta para avisar que está ativo. O retorno perpassa pelos roteadores, que vão reconhecer os novos endereços de destino, da mesma forma como vimos no caminho de ida até o Servidor. Ao chegar no Router1 sabe-se que quem fez a requisição foi o computador do funcionário de vendas, então, o pacote manda de volta o ping.

Portanto, se retornarmos ao modo Real Time encontramos de fato a comunicação com o servidor web:

mostrando a comunicação com servidor web

Embora o RIP tenha cumprido a missão com sucesso, ele é um protocolo antigo e possui algumas limitações que hoje são muito significativas para os provedores de serviço. O RIP funciona bem em redes pequenas e locais.

Vamos tentar entender quais seriam as limitações do RIP para atender as demandas dos provedores de serviço. Vamos pensar um pouco! Existem dois roteadores conectados por um link capaz de transmitir 100Mbps. O segundo roteador está conectado a um terceiro, e o link estabelecido entre eles é de 100Mbps. Além destas rotas, existe uma terceira, que liga o primeiro roteador diretamente ao terceiro, cujo link é capaz de transmitir 10Mbps. Para facilitar, montamos o seguinte esquema:

mostrando como foram distribuídos os roteadores

Qual seria a limitação do RIP?

O RIP, conforme mencionado, é um protocolo antigo. Vamos supor que nosso objetivo seja nos comunicarmos com um dispositivo que está atrás do último roteador. Nesse caso, o RIP verifica que possui duas opções até alcançar o destino: uma que inclui um pulo e a outra que inclui dois pulos.

Nesta situação, qual será o critério decisório do RIP? Ele verifica que para chegar ao roteador o número de saltos dados por um caminho em comparação a outro é menor. A escolha do RIP está pautada na menor quantidade de saltos dados entre os roteadores, mas isso não é necessariamente verdade. O caminho de um salto é mais lento que o trajeto que possui dois pulos. O RIP opta por seguir pelo caminho mais lento, e por causa disto, ocorre uma certa ineficiência de roteamento.

Na próxima aula veremos outro tipo de protocolo!

Sobre o curso Redes parte 4: configuração de protocolos de roteamento e IPv6

O curso Redes parte 4: configuração de protocolos de roteamento e IPv6 possui 153 minutos de vídeos, em um total de 39 atividades. Gostou? Conheça nossos outros cursos de Redes em DevOps, ou leia nossos artigos de DevOps.

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