Aprendizagem sem distância: como aprender a aprender no ensino mediado por tecnologias

Aprendizagem sem distância: como aprender a aprender no ensino mediado por tecnologias
Carolina Castro
Carolina Castro

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Não é novidade para ninguém… a pandemia de Covid-19 trouxe para nós uma “nova forma” de aprender (enquanto estudantes) e no caso de professores(as), que estavam acostumados(as) a estar com suas alunas e alunos no ensino presencial, uma “nova forma” de ensinar. Muitas teorias e metodologias foram inseridas no cotidiano das duas faces dessa moeda (pessoas educadoras e alunas), mas há uma conexão: o uso de tecnologias mediando esse processo de ensino-aprendizagem.

Para as pessoas que já estavam imersas na educação a distância (EaD), não houve nenhuma novidade, já que estas pessoas já sabiam das vantagens que este tipo de ensino poderia trazer, principalmente pensando em flexibilidade e autonomia — e até mesmo nas desvantagens, como flexibilidade e autonomia. Espera… Como assim!?

Vamos começar pelo começo... Vem comigo, que te explico um pouco mais sobre esses e outros pontos que envolvem a aprendizagem a distância e como podemos diminuir os empecilhos que podem impactar no seu rendimento educacional!

Mas de onde surgiu a EaD e a ideia de preparar (e consumir) conteúdos à distância?

Antes de chegarmos mais especificamente à questão que permeia nosso bate-papo, é importante falarmos — mesmo que brevemente, juro — da minha, da sua, da nossa, educação a distância.

Antes de mais nada, como o nome mesmo já nos dá uma pista, este tipo de educação se caracteriza pela separação de espaço e tempo entre quem aprende e quem ensina. Até aí, nenhuma novidade!

Mas a EaD não é nova, pelo contrário. Sua origem começou muito distante da tecnologia, em realidade, nota-se que as primeiras iniciativas de educação a distância foram por correspondência, em meados do século XVIII, notadamente em 1728, em Boston, com o anúncio em jornais do curso de Taquigrafia (método de escrita rápida, utilizando abreviações e códigos) ofertado pelo professor Caleb Phillips.

No Brasil, as primeiras experiências, neste mesmo modelo, foram registradas no fim do século XIX. Mais especificamente em 1891, os jornais já traziam anúncios de ofertas de ensino por correspondência. Em 1904, chegaram no país as chamadas escolas internacionais, instituições privadas que ofereciam cursos por correspondência.

De lá para cá, muita coisa mudou! As tecnologias digitais foram se adentrando cada vez mais neste processo e se tornaram uma excelente ferramenta para apoiar na aprendizagem. Rádio, cd-room, televisão e tantas outras, serviram como um instrumento valiosíssimo de transmissão de conteúdos e nessa aproximação e comunicação entre professores e estudantes.

Hoje, quando pensamos em EaD, não conseguimos desvencilhá-la de computadores, smartphones e tudo que há de mais recente em tecnologias digitais. E por isso, é importante perceber que esse processo de ensino-aprendizagem já está entre nós há bastante tempo e, nos dias atuais, ela tem se firmado cada vez mais como uma modalidade bastante rica, em termos de potenciais pedagógicos e de democratização do conhecimento.

Agora que já sabemos um pouco mais sobre a história da EaD, vamos entender como você pode potencializar seu aprendizado. Vamos lá?

Aprendendo a aprender: quem é a pessoa que consome o ensino virtual?

Um rapaz encostado numa mesa, olhando para a tela de um tablet que ele segura com uma das mãos, na mesa tem um notebook e um caderno.

Fonte: br.freepik.com

Uma das grandes potencialidades quando pensamos no processo de ensino-aprendizagem inseridas na cultura digital, é o entendimento que a pessoa estudante seja ativa e protagonista do seu próprio aprendizado.

Grandes pensadores e teóricos do campo da educação já vinham apontando essa necessidade para gente, através de debates e suas aplicações no campo “offline”. Isto é, entendendo que a educação é feita em conjunto, com todas as pessoas envolvidas, professores e alunos, “dentro de um mesmo espectro”.

Neste cenário, o professor se torna um mediador do conhecimento e o aprendiz interage com o tema em estudo, lendo e questionando criticamente, de forma contextualizada, levantando hipóteses e dizendo o que pensa. Tudo isso de forma ativa e totalmente relacionada às ações de motivação, engajamento e envolvimento.

Quando refletimos sobre essas duas personagens, imersas nessa cultura digital, percebemos que há, de certa maneira, um choque de gerações no entendimento sobre os papéis de cada um e uma ruptura do “tradicional”. Pressupondo que a educação tradicional é o entendimento que há um como detentor absoluto do conhecimento e outro, com mero receptor passivo.

Mark Prensky (2004) - conhecido por alguns conceitos como “nativos digitais” (nascidos após 1980 e já familiarizados com a tecnologia, que adentrava os lares ao final da década) e “imigrantes digitais” (nascidos antes de 1980, que não nasceram com a tecnologia ao seu redor, mas se adaptaram muito bem a ela) — explicita muito bem as diferenças entre as “gerações” e chama atenção para como ambas utilizam exatamente as mesmas tecnologias, mas de forma significativamente diferente.

O autor identificou que os nativos digitais têm entre suas características acessar, comunicar e partilhar o conhecimento — se possível, imediatamente, até mesmo, se estiver no processo de produzi-lo — e não a ideia de “possuir” esse conteúdo, como os imigrantes digitais.

Mark Prensky

Imagem de rosto de um homem.

Fonte: flickr.com

Agora pense em seu contexto (tanto acadêmico quanto na trajetória escolar, etc) e reflita sobre como foi o processo de aprender em meio às mudanças tecnológicas no mundo. Houve algum momento que você experienciou (ou pôde experienciar) a aprendizagem mediada pelas tecnologias? Você consegue identificar — agora munidos dessas informações — se seus professores eram imigrantes digitais e você era nativo digital?

Portanto, para quem está consumindo os conteúdos à distância, uma grande “sacada” é fazer uma autoanálise e refletir sobre o próprio conhecimento e como é o seu processo de aprendizagem.

Quando conhecemos a nossa forma de pensar e de aprender, a tendência é que consigamos nos sentir mais confiantes e, consequentemente, temos mais liberdade para tomar decisões — maior autonomia. Pois cá entre nós, é um dos elementos-chave quando pensamos não somente na nossa experiência acadêmica, mas também profissional e cidadã.

Não há dúvidas: a incorporação das TICs (Tecnologias da informação e comunicação) na educação — e no processo educativo — modificou e reestruturou as formas de pensar e aprender, e portanto, acabou modificando as formas de ensinar. Ainda assim, percebemos que a comunicação continua sendo um fator-chave e afeta decisivamente o ensino-aprendizagem.

Estilos de Aprendizagem: mito ou verdade?

Como vimos ao longo da nossa conversa por aqui, muitas coisas mudaram e cada vez mais está sendo demandada uma postura de que sejamos protagonistas do nosso próprio aprendizado.

Algumas teorias surgiram na tentativa de trazer luz para as formas de aprender, e por consequência, ajudam os professores e instrutores a organizar estratégias que atuem de forma mais efetiva e direcionada. Um desses conceitos é o chamado Estilos de Aprendizagem, que pode ser obtida por diferentes métodos, seja pelo VARK, Kolb ou Honey-Alonso. Mas aqui, falaremos mais especificamente do primeiro deles.

Antes de aprofundarmos um pouco mais no método, já adianto que há uma grande discussão na comunidade acadêmico-científica sobre a efetividade do conceito, mas ainda assim, é muito interessante entender como os diferentes estilos podem ser relacionados à nossa forma de aprender — e como podemos utilizá-los a nosso favor.

Inclusive, temos um curso que aborda a temática aqui na Escola de Inovação e Gestão, o Aprender a aprender: técnicas para seu autodesenvolvimento. Que tal acessar o conteúdo e desenvolver ainda mais seu autoconhecimento?

Agora sim, continuando de onde paramos… o método VARK é acrônimo da língua inglesa que evidencia as quatro “modalidades de aprendizagem”: Visual (visual), Auditory (auditiva); Read/Write (leitura/escrita); Kinesthetic (cinestésico).

  1. Visual: este estilo é para aquele estudante que percebe que os estímulos de aprendizagem são melhores captados e assimilados a partir de gráficos, vídeos, imagens, diagramas, mapas mentais e listas;
  2. Auditiva: o estudante retém melhor os conteúdos a partir de meios sonoros, isto é, seu pensamento é estruturado através de palavras, isto é, do que é falado e ouvido. Seu aprendizado mais efetivo pode ser por meio de podcasts, exposição oral de quem media o conteúdo (professor(a)/instrutor(a)), repetições ou até mesmo músicas;
  3. Leitura/escrita: para este estilo de aprendizagem, o que está atrelado — como o próprio nome já diz — é o conhecimento adquirido a partir de escritos. Por isso, tudo que contém elemento textual se encaixa muito bem nesse perfil. Livros, apostilas, textos em blogs, artigos e pesquisas serão grandes aliados;
  4. Cinestésico: por fim, chegamos na galera que gosta de “botar a mão na massa”. Nessa modalidade o que impera é o aprender fazendo, é aquele estudante que gosta de experimentar enquanto aprende. Por isso, o senso de realidade se baseia no concreto, são pessoas que precisam de interação e movimento. Simulações, demonstrações e dinâmicas em grupo podem ser encaixadas perfeitamente neste estilo.

E aí, consegue se identificar em alguma dessas categorias? Se sim, como poderia categorizar a influência de cada um desses estilos na sua aprendizagem? Caso queira identificar qual é o seu estilo de aprendizagem e como cada uma das categorias influencia no seu aprendizado, acesse o teste VARK.

Abaixo, veja como cada estilo pode ser contemplado com algumas mídias digitais:

Estilos de Aprendizagem (Método VARK)

Uma imagem com descrição dos diferentes tipos de aprendizagem: visual, auditivo, leitura/escrita e o cinestésico.

Fonte: Elaboração própria

Lembrando, nenhum de nós somos essencialmente uma única categoria e que cada uma conversa entre si. Além disso, é importante lembrar que a depender do que você esteja estudando, o seu perfil também pode mudar! Pensando nisso, aqui na Alura, pensamos em cada um desses aspectos quando desenhamos e implementamos uma formação. Consegue perceber?!

Dicas (ou possibilidades) para imergir de vez no seu aprendizado

Agora que falamos sobre todos esses aspectos e como eles podem influenciar na sua prática estudando online (ou até mesmo presencial), separei algumas dicas que podem ajudar você a se organizar nesse mundo de possibilidades:

1. Você é o arquiteto da sua própria aprendizagem: o que isso quer dizer?

Quer dizer que você é protagonista do seu próprio processo de aprendizagem. E por isso, você tem a autonomia e flexibilidade para organizar seus horários, tempo e dias para se dedicar aos seus estudos;

2. Organize um cronograma de estudos:

Que tal planejar a sua semana e incluir seus cursos nas metas semanais? A organização do tempo e uma rotina de estudos pode te ajudar muito a não acumular “matéria” e consequentemente, sua trilha de formação e chegada aos objetivos estabelecidos;

3. Não tente abraçar o mundo:

Eu sei, o mundo demanda que sejamos multitarefas, mas a notícia triste é que não dá para fazer tudo de uma só vez! Se está aprendendo um conceito/método/ferramenta específico, por que não terminar esse curso antes de começar outro que não se interliga em nada com esse que você está fazendo? Tenha calma e absorva tudo o que você pode daquele conteúdo para dar sequência na sua formação. Lembre-se: você não é uma máquina;

4. Momentos de discussão são sempre valiosos:

Por que não trocar experiências e conhecimentos com os(as) outros(as) estudantes ou parceiros de trabalho? Aqui na Alura temos espaços ótimos para exercitar essa habilidade. Fóruns de discussão e nossa comunidade do Discord são ótimos espaços para troca e construção colaborativa de conhecimento — e até mesmo de network;

5. Teoria e prática sempre andam juntas:

Não adianta assistir todas as videoaulas, ler todos os artigos, escutar podcasts e consumir tudo de possível sobre o conteúdo que está estudando sem colocar a mão na massa e exercitar seu aprendizado. Por isso, faça sempre as atividades sugeridas e coloquem em prática tudo que aprendeu;

6. Compartilhe conhecimento:

Não há nada mais animador (e educativo) do que compartilhar uma coisa nova que aprendemos. Seja com amigo, família ou até mesmo no Linkedin ou outras redes sociais. Utilize seu conhecimento a seu favor, sempre!

Conclusão

Vimos que para aprender de forma efetiva, o primeiro passo é refletir e entender como você aprende. Seja qual meio for para a aquisição do aprendizado, tenha uma certeza: você é protagonista deste processo.

Portanto, desde aprendizados via tecnologias digitais ou até mesmo no presencial, é essencial que você, enquanto estudante, possa identificar quais meios são mais confortáveis e como potencializá-los na sua formação profissional, tornando sua aprendizagem mais efetiva e direcionada. Lembre-se, tão importante quanto diversificar as formas de aprendizagem, diversificar os meios de obtenção dos conteúdos pode te auxiliar na construção de senso crítico e conhecimentos sobre o assunto.

Além disso, organização e planejamento também são importantíssimos, principalmente quando pensamos no ensino a distância e na mediação por tecnologias. Ter uma rotina de estudos e compartilhar entre sua comunidade seus aprendizados, fará toda a diferença quando atrelados à sua trilha de formação e os objetivos profissionais ou pessoais estabelecidos.

Que tal colocar em prática algumas dessas dicas e possibilidades?

Aproveite e conheça a Formação Aprendizagem e conheça diferentes estratégias para potencializar o processo de aprendizado das pessoas.

Carolina Castro
Carolina Castro

Pedagoga (UERJ) e mestra em educação (UFF). Atualmente trabalho como Designer Instrucional, no time de Didática, aqui na Alura. Curto muito assuntos voltados para UX/UW e como elas se aplicam nas experiências de aprendizagem imersivas e significativas para alunas e alunos. Além de outras temáticas que envolvem educação a distância, formação de professores e plataformas e-learning.

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