Primeiras aulas do curso Produção de vídeo: O que há por trás do mundo do audiovisual

Produção de vídeo: O que há por trás do mundo do audiovisual

Primeiros passos - Introdução

Olá!

Bem-vindos ao curso de Produção de Vídeos da Horn Produções.

Gustavo Horn: Com quatorze anos comecei a fazer os primeiros vídeos em casa, com o passar do tempo a prática se desenvolveu e hoje tenho minha própria produtora, que realiza vídeos para internet para pessoas que gostam do nosso trabalho.

Pedro Paulo: Trabalho com o Gustavo há muito tempo, e com o passar dos anos fui me especializando como diretor de fotografia. Quando surgiu a Horn Produções, entrei para trabalhar com a parte técnica dos vídeos.

Gustavo Horn: juntos, eu e o Pedro, com muita maturidade e credibilidade vamos te passar toda a base necessária para que você possa criar qualquer tipo de produção de audiovisual que você possa imaginar. Estudaremos técnicas para formulação de ideias, câmeras, lentes, luz, fotografia, som, direção, chroma key, truques de produção e projetos com equipamentos caseiros.

Pedro Paulo: Esse é um curso que abrange praticamente todas as áreas da produção de vídeo, então, é estruturado tanto para quem quer começar quanto para quem já atua na área e quer aprimorar suas habilidades.

Gustavo Horn: Prepare seu caderno e sua cabeça para muito conteúdo teórico, técnico e prático.

Primeiros passos - Ideias

Neste capítulo, passaremos pela parte mais conceitual no momento de produzir um vídeo: como desenvolver ideias, escrever um roteiro, teoria sobre story telling e semiótica, que serão a base para aplicarmos toda a parte técnica que aprendermos durante o curso.

A ideia

De onde vêm as ideias? De você mesmo! Uma ideia é o resultado de todas as experiências, conteúdos e processos da sua cabeça. Ou seja, tudo que você vive, experiencia e consome acaba se tornando a mistura que constitui você. A forma que você pode melhorar o seu processo criativo é tentar absorver tudo ao seu redor; ler livros, assistir filmes diferentes, conversar com pessoas fora do seu círculo social e, principalmente, escrever.

Escrever te ajuda a assimilar todas as informações, a transformar o seu pensamento em algo concreto. Uma das melhores ferramentas são cadernos de anotação, mantenha sempre um com você e anote itens que achar importantes, pensamentos e ideias que podem surgir a qualquer momento. É importante sempre carregar seu caderno de bolso para manter seu hábito de escrever e não perder nenhuma epifania.

Como saber se sua ideia daria uma boa história? A chave para esta pergunta está no conflito.

Conflito

Na vida, qualquer objetivo apresenta obstáculos, não é diferente com a construção de uma história. Para começar, o personagem precisa querer algo, seja um grande objetivo como salvar a galáxia (um exemplo é o filme "Star Wars") ou um pequeno, como conquistar a garota dos seus sonhos ( como no filme "500 Dias Com Ela"). Nenhum desses objetivo é fácil, todos apresentam algo que chamamos de conflito, que pode ser um grande vilão com um exército pronto para atrapalhar ou a sua própria timidez que você deve enfrentar para falar com a garota.

De qualquer forma, o conflito é o que move a história, ele se localiza entre a intenção e o objetivo.Criaremos um exemplo simples: temos o Mário, e ele está com vontade de usar o banheiro. Em uma história sem graça ele simplesmente andaria até a porta e faria o que precisa fazer

Vamos criar um conflito para este causo e aumentar a motivação do nosso personagem. Suponhamos que no meio do caminho de Mário havia uma pedra, e Mário morre de medo de pedras.

mario com medo da pedra

É a maneira como o personagem vai passar pelo conflito que deixará a história interessante, como retirar uma espada da bainha e lutar bravamente com sua inimiga A PEDRA.

O personagem deve ter um objetivo claro e um obstáculo que cause o drama da história, são estes os elementos que irão manter o interesse do público. Existem diversos tipos de conflitos, e aqui vão alguns deles:

Homem contra homem exemplo: Batman - O cavaleiro das trevas

Homem contra si exemplo: Clube da Luta

Homem contra a natureza exemplo: O Dia Depois De Amanhã

Homem contra a tecnologia exemplo: Eu,Robô

Homem contra a sociedade exemplo: Jogos Vorazes.

Garantir que o seu conflito seja algo complexo e digno dos esforços de seu personagem coloca o seu projeto no caminho de ter uma boa história. O próximo passo é escrever o seu roteiro.

Roteiro

O primeiro passo para tornar uma ideia realidade é escrever um roteiro. O roteiro não apenas conta uma história, trata-se de uma ferramenta para a produção do vídeo, portanto não podemos faze-lo de qualquer jeito.

Todo roteiro padrão é composto por: cabeçalho, ação e diálogo.

estrutura de um roteiro

No cabeçalho indicamos se a cena é interna ou externa, o local e o período do dia. Por exemplo:

INT. COZINHA - NOITE

A ação descreve o que está acontecendo na cena. O roteiro deve ser escrito no tempo presente, pois descreve a ação enquanto ela acontece na tela, e deve focar no essencial para o filme.

INT. COZINHA - NOITE

Ladrão entra pela janela e procura algo para roubar.

Os diálogos são as falas da cena,e são estruturados sa seguinte maneira:

INT. COZINHA - NOITE

Ladrão entra pela janela e procura algo para roubar.

            HOMEM:
Parado aí, te peguei vagabundo!

LADRÃO assustado, tira a máscara enquanto olhara para o HOMEM. 

            LADRÃO: 
                          Pai? 

            HOMEM: 
Eduardo? Eu achei que nunca mais fosse te ver

            LADRÃO: 
            Já fazem 20 anos...

Existem alguns programas para te ajudar na formatação do roteiro, como CELTX, FADE IN, FINAL DRAFT.Eles são bem úteis e podem acelerar bastante o processo.

Storytelling

Storytelling são uma série de conceitos e regras usados para fornecer estrutura para sua história, melhor que uma boa história, é uma história bem contada.

Joseph Campbell analisou todos os maiores mitos e lendas da nossa cultura, e chegou a conclusão de que a maioria deles possui mais ou menos a mesma estrutura, e ele chamo esse fenômeno de monomito.

No cinema, o objetivo é transformar a jornada interna das pessoas em algo visual que o espectador possa se identificar. Uma forma de fazer isso é utilizar o monomito ou "imagem do herói", que propõe uma fórmula para desenvolver a relação entre personagem e conflito em uma história através de 12 passos que irão representar tudo que o personagem sente. São eles:

  1. Mundo comum
  2. O chamado da aventura
  3. Recusa ao chamado
  4. Encontro com o propósito
  5. Cruzamento do limiar
  6. Testes, aliados e inimigos
  7. Aproximação da caverna profunda
  8. Provação
  9. Recompensa
  10. Estrada de volta
  11. Ressurreição
  12. Retorno com elixir

Vamos resumir para deixar o processo mais simples.

Toda história é um círculo, ao traçarmos uma linha no meio do círculo conseguimos dividi-lo e setores. A parte de cima representa o mundo de um personagem, onde começa e termina sua jornada. Já a parte de baixo representa o mundo pelo o qual o personagem deve passar para crescer e se transformar, chamamos as duas metades, respectivamente, de mundo normal e mundo especial.Eles possuem inúmeras representações, como vida/morte, consciência/inconsciência, ordem/caos.

esquema da vida circular

Para que o personagem saia da sua zona de conforto e entre em um universo obscuro e desconhecido para retornar ao seu ponto de origem com sua subjetividade transformada, ele passa por oito passos em seu percurso :

  1. O personagem começa em sua zona de conforto;
  2. O conflito é apresentado e o personagem ganha um objetivo;
  3. O conflito faz com o que o personagem abandone seu mundo normal;
  4. Então, o personagem é forçado a adaptar-se a nova realidade;
  5. Eventualmente, o personagem atinge seu objetivo;
  6. A realização do objetivo envolve altos custos;
  7. O personagem consegue voltar para sua origem;
  8. Mas nada será como era, pois o personagem não é mais o mesmo devido às suas experiências.

Você conhece a estrutura, lembre-se pelo que o personagem precisa passar para que haja a resolução do conflito. Nada disso é uma regra, mas inspirar-se nessa fórmula clássica pode te ajudar a contar melhor suas histórias. Nos próximos filmes que você assistir, procure pelo monomito, e irá perceber que ele está presente em muitas produções.

Semiótica e storytelling

Qual é o objetivo do cinema? Contar histórias, por isso os conceitos de storytelling visual e semiótica são tão importantes, afinal, são nossas ferramentas na hora de adicionarmos contexto e sentido nas imagens do nosso vídeo. Semiótica é a ciência que estuda os sistemas de significação ou, basicamente, como nós interpretamos os símbolos. Já o storytelling visual nos explica como criar uma imagem que, além de bonita, ajuda a contar sua história.

Isso significa que o cinema é uma linguagem, e assim como na língua portuguesa, a maneira como você escreve um texto pode alterar a interpretação que temos dele.

Podemos trabalhar, também, com a ideia de metáfora visual, que é algo que vem para acrescentar ainda mais significado ao que está ocorrendo na cena, nas entrelinhas da imagem.

Vamos fazer uma cena simples de duas maneiras, a primeira, sem utilizar esses elementos e outra fazendo uso do storytelling visual.

Usaremos o Fábio para demonstrar como o storytelling visual pode influenciar no sentimento que a sua cena passa.

Na cena 1, Fábio está sentado à mesa, reclamando em voz alta sobre a sua tristeza.

fabio triste sem stotyteeling visual

Na cena 2, estamos utilizando elementos que nos transmitem a sensação de tristeza, como uma iluminação mais escura e com mais sombras, tons frios na imagem e um enquadramento mais dramático. Para ficar ainda melhor, só falta chover.

fabio com storytelling visual

Essa é uma forma muito mais eficiente de se contar uma história do que no primeiro exemplo, pois o público não só recebe a informação de que o personagem está triste, mas sente a tristeza, se identifica e penetra bem mais na história que está sendo contada.

É por isso que o papel de quem dirige o filme é tão importante, ele deve ter uma visão muito clara de como quer que a história seja contada e, assim, dirigir a equipe para que ela aconteça. Para a diretora ou diretor, toda decisão envolve storytelling.

Fabio está tranquilo = câmera parada. Fábio está em pânico = câmera com movimentos frenéticos Fábio está está feliz = iluminação clara e com tons quentes Fábio está triste = iluminação mais escura e tons frios Fábio se sente sozinho = lente grandeangular para mostrar ele se sente isolado no ambiente

Esses são exemplos e não precisam - nem devem! - ser seguidos a risca, você pode passar a mesma mensagem de diversas maneiras diferentes, e cada indivíduo irá interpreta-la de uma forma única. A maneira como você transmite as mensagens é o que te dará uma voz única como contador de histórias. Tente estudar os seus filmes preferidos, analise a situação pela qual o personagem está passando e identifique as escolhas que a direção fez, isso te ajudará muito a entender storytelling.

Cada elemento, escolha de lente, luz, enquadramento, movimento de câmera e cor, tudo deve servir como objetivo de contar a sua história. Não existe melhor ou pior maneira de fazer isso, apenas experimente e siga sua intuição, mas tenha em mente que suas escolhas devem ser bem pensadas a fim de prover uma sensação para o público.

Essa é a base de como contar uma história, não temos como ensinar você a achar sua voz enquanto diretor ou diretora, isso você deve fazer de forma individual. No entanto, ao longo do curso iremos te apresentar algumas ferramentas e escolhas que você pode fazer nesse processo. Cinema é uma arte que você nunca vai parar de aprender, mas fique tranquilo, porque passaremos tudo o que você precisa saber para começar essa jornada.

Vamos ao nosso setup - Câmera

A câmera é a principal ferramenta de um videomaker, e é sobre ela que falaremos neste ponto do curso, que apresenta um conteúdo bem técnico. Não se assuste, conforme você for aplicando as teorias na prática os conceitos se tornarão mais claros.

Você pode utilizar qualquer câmera para a sua produção, mesmo o seu celular. Mas nós como videomakers preferimos ter o máximo de controle possível sobre o nosso equipamento.

Para começar: uma câmera em que suas lentes possam ser trocadas é sempre uma boa opção, afinal, essas são ferramentas muito importantes.A câmera é como se fosse o cérebro de todo o nosso equipamento e nele existem várias funções; vamos aprender sobre elas agora!

FPS

Na verdade, a câmera não capta uma imagem em movimento, e sim, capta diversas imagens paradas que se mostradas em sequência criam a sensação de movimento. A quantidade de imagens por segundo é chamada de FPS ou frames por segundo. No cinema, o padrão é 24 FPS, já na televisão, o padrão é 30 FPS, no caso da internet não existem muitos padrões. Um vídeo de gameplay pode ser gravado em 60 FPS, para assim capitar todos os movimentos de um determinado jogo.

Algumas marcas de TV gostam de criar modas para cobrarem mais caro em seus produtos, com isso, criam funções que não possuem muito sentido, como o Auto Motin Plus, que tenta simular o frame rate mais alto e eliminar o motion blur, que falaremos mais sobre daqui a pouco. O problema é que este recurso ocasiona em imagens estranhas, e a maioria das TVs já vêm com essa função habilitada, portanto desliguem esse recurso e assistam os filmes como eles de fato foram feitos para serem assistidos.

Exposição e latitude

Exposição é simplesmente a quantidade de luz que entra na sua câmera, existem várias maneiras de regular a exposição de uma cena, e a maneira que usamo para fazer isso é através dos stops de luz, e eles estão representados dessa maneira no visor da sua câmera:

stops de luz

Stop não é um valor específico e constante, e sim, uma medida de relação que trabalha com a diferença de claridade entre duas coisas coisas.

Por exemplo, observem a seguinte imagem:

patos

Dizemos que ela é um stop mais clara que esta imagem,

patos escuros

que por sua vez é um stop mais escuro que esta:

patos claros

O valor de um stop é sempre o dobro do stop anterior ou a metade do stop seguinte. Podemos usar como exemplo a distância de luz em relação a nossa atriz, nesta cena nessa distância:

distância de luz da atriz 1

Nesta outra cena, a distância é diferente:

distância de luz da atriz 2

No segundo caso, a atriz está posicionada o dobro da distância do foco de luz do que na primeira cena.Isso significa que dobrando a distância da luz, ela ilumina um stop a menos.

duas atrizes

Latitude ou dynamic range, é o quanto de detalhes a sua câmera consegue captar entre o ponto mais escuro e o mais claro da imagem. A latitude da sua câmera é um dos principais fatores para se conseguir a tal imagem cinematográfica, e é medida em stops. Geralmente essas câmeras de cinema mais caras possuem uma latitude enorme.

Iremos simular diferentes latitudes nas imagens. Observem o primeiro exemplo que possui uma latitude razoável e podemos perceber que tanto o fundo quanto a parte mais escura da imagem estão bem detalhadas.

latitude imagem clara

Ao diminuirmos a latitude da imagem temos um resultado diferente, apenas o fundo está detalhado enquanto a sobra está completamente preta.

latitude imagem escura

Há outra situação em que a parte escura está bem detalhada enquanto o fundo está estourado.

fundo estourado

Codecs

Quando você grava utilizando uma câmera analógica o resultado é um rolo de filme em si, mas quando gravamos usando uma câmera digital você irá gerar um arquivo de vídeo, e esse arquivo deve ser codificado por um codec. Existem vários, todos com seus prós e contras, e uns melhores do que outros. Alguns exemplos populares são H264, PRORES e DNXHD.

O H264 é um dos mais populares na internet porque gera arquivos consideravelmente pequenos e é utilizado em sites como YouTube, por exemplo. O único problema é que para isso a qualidade da imagem é prejudicada.

O que todos os codecs têm em comum é que eles comprimem o arquivo para este fique mais leves, e com isso alguma informação é perdida no processo. Ao contrário temos o RAW, que é o arquivo sem compressão nenhuma, direto de como o sensor da câmera capta a imagem. Trata-se de um arquivo bem pesado e super difícil de trabalhar, porem ele nos fornece uma maior informação de cores e detalhes.

Esse é um assunto muito extenso e não iremos nos aprofundar muito nisso no curso, mas incentivamos você a ler mais sobre isso.

Velocidade do obturador

O obturador é como uma janela em frente ao sensor da câmera que abre e fecha, deixando a luz passar para ser captada. Cada frame dos 25 FPS do seu vídeo deve ser exposto à luz para ser capturado, e é isso que o shutter faz. Você pode calcular quanto tempo quer deixar cada frame exposto à luz, quanto mais tempo o obturador ficar aberto, mais clara a imagem.

gif 1

Um bom exemplo de manipulação do obturador é a técnica fotográfica light painting, em que deixamos o obturador aberto por vários segundos enquanto ele capta todo o percurso que fizemos com a luz. Isso só funciona porque em uma foto estamos capturando apenas um frame e não 24 por segundo, como em um vídeo.

light painting

Medimos esse tempo em frações de segundo, como 1/30, 1/50, 1/200, porém na sua câmera você só verá o número de baixo.

O obturador também é responsável por um elemento muito importante do cinema: o motion blur, o borrão de movimento.

Com um shutter lento de 1/30 teremos uma imagem cheia de borrões.

shutter lento

Já com um shutter rápido de 1/200 nos fornece uma imagem nítida em cada frame.

shutter rápido

Existe um padrão no cinema que chamamos de obturador em 180º, que significa que metade do tempo do seu frame vai ficar exposto e metade fechado, ou seja, o dobro da velocidade do seu FPS. Caso o seu FPS seja 24, o seu shutter será de 1/48, e normalmente as câmeras arredondam para 1/50. Esse é o padrão para obter uma imagem com um blur mais natural e agradável o possível.

No entanto, sair desse padrão pode gerar resultados interessantes que podem servir muito bem em sua história. Em uma cena de luta ou perseguição, um obturador mais rápido pode deixar os movimentos mais brutos, e fazem os socos parecerem ter mais impacto.

Já se deixarmos o obturador mais lento teremos mais borrões, o que é um bom jeito de se filmar um bêbado e simular o seu estado, por exemplo.

Resolução

A resolução da sua imagem é basicamente o tamanho dela em pixels. Imagine que o seu vídeo seja uma folha de papel, você sabe que existem vários tamanhos como A4, A3 e A2. Todas as imagens apresentam uma boa resolução em sua folha de origem:

folhas

No entanto, se retirarmos a imagem da folha A4 e a esticarmos para que ela caiba na A2, a imagem não terá informação suficiente e perderá muito sua qualidade.

imagem com baixa qualidade

O mesmo se dá com os vídeos. A maioria das câmeras atualmente filma em full HD, o que significa que ela possui 1920X1080 pixels de altura por largura. Já a 4K os valores são de 3840X2160 e assim por diante.

É claro que é ótimo termos uma imagem em 6K para trabalhar, mas ela possui muito mais informação e detalhes que não são necessários, pois além de gerar um arquivo muito pesado, a maioria das pessoas só irá assistir o vídeo em full HD.

A nossa câmera filma em 4K, mas utilizamos muito mais essa função para alterar o enquadramento na hora da edição.

Sensor

Podemos dizer que o sensor é a parte mais importante da sua câmera, é ele que capta a luz depois que ela passa pela lente. Porém, existem vários tipos de sensores e não vale muito a pena ficarmos especificando as diferenças entre cada um, pois o que realmente importa é o seu tamanho.

A maioria das câmeras atuais possui um sensor CMOS ou CCD, e sobre eles é importante falar em rolling shutter. Nas câmeras antigas o obturador era mecânico, nas câmeras modernas o obturador é eletrônico e funciona dentro do sensor, você pode encontra-lo de duas maneiras : o rolling shutter ou global shutter.

Os sensores CMOS normalmente são rolling shutters, já os CCD são global shutters. O global shutter capta a imagem inteira, de uma vez só, e gera um melhor resultado. Já o rolling shutter capta a imagem linha por linha, sendo que elas possuem um mínimo atraso entre si, o que geralmente não é um problema.

No entanto, ao movermos a câmera para esquerda e para a direita com alguma rapidez, veremos que a pilastra da cena que estamos filmado é distorcida.

gif 2 pilastra

Isso ocorre porque o rolling shutter capta o pilar de cima para baixo, e como o pilar está em movimento há um ligeiro atraso entre as linhas que geram a distorção. É importante que você esteja ciente que isso ocorre, mas em alguns programas de edição esse é um problema simples de resolver.

Os sensores também variam em seu tamanho, e essa é a distinção que realmente importa. Quanto maior o sensor, maior o campo de visão da câmera e mais luz é captada, consequentemente, você consegue mais desfoque em sua imagem.

O sensor Full Frame provavelmente é o preferido entre os cineastas independentes. Este sensor possui um campo de visão muito grande, utilizando tudo que a lente tem para oferecer. Quando falamos que uma lente é 18mm, quer dizer que ela é 18mm em um sensor full frame, pois nos sensores menores existe o fator de crop; é como se cortássemos a imagem sempre que o sensor diminui.

Uma lente 18mm e um sensor full frame, seria aproximadamente 25mm em um sensor APSC, bem comum nas câmeras da Canon. Observem a relação de crop entre os sensores mais famosos do mercado:

relação de crop

Iso

O Iso é um dos três pilares da exposição, ele representa a sensibilidade do sensor à luz. Quanto maior o ISO, mais clara a imagem. É simples, ele não tem muita interferência criativa no seu resultado, ele só escurece ou clareia. Portanto, se você está gravando uma cena muito escura pode subir o ISO para 400 para conseguir a exposição correta.

Iso 400

No entanto, ISOs muito altos possuem um fator negativo: eles trazem ruído para sua imagem. Observem o exemplo dessa cena com o ISO ajustado para 3200.

iso 3200

Com câmeras mais comuns o ISO 1600 é o limite, muito mais do que isso a imagem começa a se tornar inutilizável.

Picture Style

A maioria das câmeras possui o que chamamos de picture style, são configurações de contraste, saturação e tons de pele.Cada um desses perfis trará um visual diferente para sua imagem. É muito provável que a sua câmera venha de fábrica com um perfil de cor não muito interessante, o que pode ser bonito no visor da câmera, mas vai te limitar na hora de corrigir as cores na edição. O que você quer é ago assim:

imagem flat

Chamamos esse tipo de imagem de lavada ou flat. O perfil de cor que estamos utilizando nessa cena é o V-Log, que nos fornece uma imagem bem crua que até aumenta a latitude da sua câmera fazendo com que ela capte melhor pontos claros e escuros. Parece uma imagem meio feia, mas com ela que conseguimos melhor controle na edição para alterarmos a cor da forma que quisermos.

maior controle da cor

Caso sua câmera não permita o V-Log, existe algo chamado CineStyle para Canon, um perfil de cor que você pode instalar em sua câmera e conseguir uma ótima imagem para correção de cor.

No material de apoio desse capítulo, preparemos um guia de como instalar esse perfil em sua câmera, não deixe de checar!

Cãmeras do mercado

Falaremos de algumas câmeras do mercado, começando pelas mais baratas, indo até as mais caras. Para começar, falaremos da linha Canon Rebel que é muito popular, possui uma ótima qualidade de imagem e não é tão cara assim. A Canon T4I,T5I e T6I são as mais recentes, mas se você tiver pouco dinheiro pode comprar uma T2I, que além de mais barata tem praticamente a mesma qualidade de imagem das versões mais novas, mesmo tendo recursos a menos.

Com um pouco mais de dinheiro você consegue comprar uma 50D ou 80D, elas são muito parecidas com a linha Rebel, mas possuem algums funções a mais e são bem mais confiáveis.

Se você tem mais experiência, dinheiro no bolso e procura por mais qualidade, recomendamos a Sony A76 II, ela possui sensor full frame e uma imagem muito bonita, é uma das câmeras mais populares entre amadores e profissionais, além disso ela ótima para filmar com pouca luz, o que é uma grande vantagem.

Com um sensor menor e um pouco mais baratas, temos a GH4 ou GH5, são as opções mais econômicas para se gravar com 4K e possuem funções muito úteis.

Essas são as principais câmeras do mercado que são razoavelmente acessíveis, de todo modo, pesquise muito antes de comprar seu equipamento para saber se ele realmente vai suprir suas necessidades.

Como usar uma câmera

Agora que você já sabe tudo isso, iremos te ensinar a configurar uma câmera. Usaremos uma T5I, pois se você souber configurar esse modelo, vai saber configurar a maioria das câmeras que existem por aí.

Para começar, você precisa deixar tudo no manual.Ajuste a rodela até selecionar o opção "M".

Ajustando a câmera em M

Também devemos desligar o foco automático da lente, afinal somos videomakers e queremos ter controle sobre tudo, e não deixar a câmera fazer decisões por nós.

desligando foco automático

Primeiramente, iremos mudar o picture style para algo mais flat, caso você possua em sua câmera utilize o V-log, caso não, vamos criar um personalizado.

Acesse "Menu > PictureStyle >", então selecione um dos perfis de usuário para personalizar seu próprio picture style. Nós escolhemos o "User Def. 2".

Com isso, teremos acesso à quatro opções: "Sharpnes", "Contrast", "Saturation" e "Color tone".

opções de picture style

Abaixaremos o "Sharpness" para o mínimo, já "Contrast" e "Saturation" abaixaremos dois pontos. Não faremos alterações no "Color tone".

Como vamos gravar em 24 FPS, iremos modificar o obturador para 50 para termos um blur natural do qual falamos. Para deixar o máximo de luz entrar na câmera, vamos utilizar a lente em sua configuração mais aberta. Para isso, selecionamos a opção "Av".

lente aberta

Depois de selecionado "Av", escolheremos o número mais baixo.

Assim feito, acessaremos o ISO, pressionando o botão de mesmo nome localizado logo acima da rodela de configuração manual (aquela que deixamos em "M"). Para a montagem da cena escolheremos o valor "400", mas cuidado para não utilizar valores muito altos que podem causar ruído na imagem.

Para finalizar, escolha o balanço de branco certo para suas luzes, em nosso caso, utilizaremos "tungsten".

tungsten

Pronto!Sua cena está exposta e pronta para ser gravada.

Esperamos que depois desse capítulo do curso vocês tenham entendido as funções da câmera e como opera-la. Mas sua imagem é tão boa quanto a lente que a capta, e é sobre isso que falaremos na próxima aula.

Sobre o curso Produção de vídeo: O que há por trás do mundo do audiovisual

O curso Produção de vídeo: O que há por trás do mundo do audiovisual possui 106 minutos de vídeos, em um total de 14 atividades. Gostou? Conheça nossos outros cursos de Edição de Vídeo em UX & Design, ou leia nossos artigos de UX & Design.

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