Primeiras aulas do curso Fundamentos de Agilidade: seus primeiros passos para a transformação ágil

Fundamentos de Agilidade: seus primeiros passos para a transformação ágil

O Método Ágil - Introdução

(00:00:00) Olá, pessoal. Meu nome é Mário de Melo. Eu sou sócio fundador da Facta TI, uma empresa de desenvolvimento de software em Belo Horizonte, e atuo como SCRUM trainer e Agile Coach por empresas em todo o mundo.

(00:00:12) Eu estou aqui para falar com vocês sobre os fundamentos de agilidade. É um curso introdutório sobre agilidade. Vou fazer um resumo rápido sobre os temas que vamos abordar durante esse curso.

(00:00:24) Primeira coisa. Vamos falar da origem. Como o Agile surgiu? De onde ele veio? Por que as pessoas começaram a praticar? Depois, vou dar uma passada sobre Waterfall, que é o mecanismo tradicional utilizado para se desenvolver software. Quais são as diferenças dele para o Agile? Aí vamos falar um pouco sobre priorização, colocar as coisas em ordem. O que é mais importante em um dado momento do projeto. Vou explicar também as diferenças do fluxo de desenvolvimento de um projeto Waterfall para um projeto Agile. Eles são quebrados em etapas. O que essas etapas têm de diferente? Vamos ver isso.

(00:01:07) Feedback é a última diferença e vamos abordá-la rapidinho, explicando por que esse fluxo de informação onde eu entrego algo para o cliente e o cliente me dá um retorno é extremamente benéfico para o desenvolvimento de software.

(00:01:23) Depois, vamos entrar na questão do que é ser ágil. Por que as pessoas querem ser ágeis? É algo que acabou se tornando um jargão e é importante a gente entender o que existe por trás dele. E o que existe é uma filosofia muito bem descrita no manifesto ágil, que foi escrito em 2001. Vamos entrar em detalhes dele em uma aula dedicada só a este manifesto.

(00:01:47) Por último, vou mostrar para vocês cases. Ou seja, empresas que aplicaram a agilidade e tiveram um retorno real. Tiveram realmente um benefício ao passar por esse processo de transformação, que é muito legal, mas não é fácil.

(00:02:06) Então, encontro com vocês de novo na próxima aula.

O Método Ágil - Porque surgiu o método agil

(00:00:00) Vamos começar a falar sobre a origem do Agile. Eu gosto muito de falar sobre a origem, tenho curiosidade inclusive sobre algumas coisas. Por exemplo, o café. Me desperta muita curiosidade, porque às vezes penso: quem foi a primeira pessoa que teve a ideia de ver aquela frutinha verde na árvore, pegar, torrar, ver que ela era dura, moer, e aí esquentar uma água, passar pelo pó que sobrou, jogar o pó fora e beber o liquido escuro que saiu de lá? Isso surgiu de algum lugar, tem uma origem.

(00:00:40) O Agile é a mesma coisa. De onde ele surgiu? De onde essa ideia que tanto ouvimos falar hoje em dia e da qual sentimos até medo quando vemos que o mercado todo está trabalhando com agilidade e não conhecemos veio? Qual a origem dele?

(00:01:00) Surgiu de outras engenharias. A engenharia de software, que surgiu depois que outras engenharias já estavam estabelecidas, e por ser também uma engenharia, ela herdou muita coisa daquele mind set que se tinha quando se trabalha com engenharia.

(00:01:20) Por exemplo, vamos pegar a engenharia civil, que é um caso que todo mundo conhece mais ou menos como funciona. Não sou especialista na área, mas todo mundo adquire imóvel, aluga. Quando você compra um imóvel na planta, como ele é construído? Por fases. Primeiro você tem a planta, uma análise, uma documentação que é gerada. Depois ela é aprovada. Precisa ter um engenheiro, alguém que tenha um CREA para assinar. E uma vez que aquilo foi assinado, aprovado, não muda mais. Se você compra um apartamento na planta e lá está escrito que ele tem dois quartos 3x3, não adianta depois querer um novo quarto, porque não vai ser possível. Aquela planta já foi aprovada. Se tiver uma alteração, vai ter que passar por todo esse processo de novo.

(00:02:24) Quanto mais entramos em outras fases – por exemplo, já aprovamos a planta, agora vamos começar a trabalhar com a parte do alicerce, vão subir as pilastras – mais difícil fica de mudar.

(00:02:38) E aí quando a engenharia de software surgiu, ela se espelhou muito nesse modelo, que divide um projeto por fases e que depende da aprovação inicial de uma quantidade, um conjunto de requisitos. E para outras engenharias isso resultava em clientes satisfeitos. Então, por que não funcionar para software, não é mesmo? Seguimos esse caminho. E o que se descobriu é que para o software essa não é uma ideia tão legal assim.

(00:03:19) Ao longo do processo de desenvolvimento de software, as coisas mudam. O cliente tem ideias, ele valida novas ideias e precisa de mudanças. O que acontece quando seguimos o modelo Waterfall – e ele tem esse nome de cascata exatamente por parecer uma cascata. Começa do alto e vai descendo. E assim como em uma cachoeira, a água não volta para cima. Só tem um caminho a ser seguido.

(00:03:58) Muitas vezes o software é baseado em hipóteses. O cliente tem que validar aquelas ideias. Ele tem suposições que ele acredita que podem funcionar para um determinado cliente dele, para um mercado, e ao longo do desenvolvimento ele acaba adquirindo novos conhecimentos. O mercado muda. Pode sair, por exemplo, uma nova regulamentação, como saiu agora recentemente dos dados na Europa. E isso muda tudo, muda a prioridade. O que era para ser feito agora tem que ser jogado para a frente, porque como é uma regulamentação, é urgente. Se não fizer, toma multa. E se tratamos esse projeto da mesma forma que as engenharias tradicionais tratam, se falarmos para o cliente “essa regulamentação a gente só vai poder atender daqui um ano, porque você já assinou esse documento e estamos comprometidos com esse projeto até o fim de 2019”, isso não atende o cliente. Podemos seguir um processo que vai estar bem estruturado, mas o cliente não vai ficar satisfeito, porque ele vai pagar multa durante todo o ano de 2019 e só vai ter aquela solução em 2020. Todas as outras coisas que desenvolvermos para ele no decorrer do ano serão de menor valor do que a adaptação à regulamentação nova que saiu.

(00:05:26) Essa é a origem do Agile. Não vou contar a origem do café. Vou deixar vocês pesquisarem. Sei que essa dúvida vai ficar na cabeça de vocês por um tempo. Pelo menos ficou na minha. Mas fica a curiosidade.

(00:05:38) Essa é a origem do Agile e nós vamos entender o que ele faz de diferente para tentar corrigir esses problemas que falei aqui.

O Método Waterfall - Método Waterfall

(00:00:00) Agora, eu queria falar um pouco sobre as principais diferenças entre o Waterfall e o Agile. Acho que na aula introdutória algumas coisas já foram faladas, mas agora vamos entrar mais em detalhes.

(00:00:21) Eu tinha falado antes sobre a planta que é feita antes de se construir um prédio, que no software são os requisitos. É aquele documento muitas vezes extenso que ninguém quer ler, que é muito grande, e que alguém no final tem que validar e dar uma assinatura para falar “realmente é isso que queremos. Se me entregarem um software com essa especificação, com essas funcionalidades, eu estou satisfeito”. É uma decisão muito pesada de se tomar, assinar esse documento, porque muitas vezes o software envolve um valor muito alto. Não só de custo, para desenvolver, mas também de ganho, de expectativa que se tem em cima desse software, porque se uma empresa paga, vamos supor, 2 milhões de reais no desenvolvimento de um software, ela espera ganhar pelo menos 2 milhões e 1 real de volta. Ela tem que ter um retorno maior. É muita expectativa envolvida. Assinar um documento desses é uma responsabilidade enorme. Principalmente porque uma vez assinado, não mudamos mais.

(00:01:33) Uma das diferenças que temos é essa questão da imutabilidade. Assinou, acabou, está escrito em pedra, é aquilo.

(00:01:41) Outro problema que temos nesse modelo é que demoramos para ter um feedback, para escutar o resultado real que aquilo que produzimos causou. Quando escrevemos o requisito, temos uma expectativa, uma ideia, uma estimativa. Acredito que ao colocar esse sistema para rodar vou ganhar X ou vou economizar 2X. Mas é uma expectativa, muita coisa acontece. Se o projeto for muito grande, muita coisa pode acontecer. Por exemplo, seis meses entre bater o martelo que os requisitos são aqueles mesmos e liberar a primeira versão para teste. Se pegarmos hoje, seja lá qual dia for hoje quando você está lendo isso, e pensar em seis meses para trás, muita coisa aconteceu. No mundo da tecnologia muito mais.

(00:02:45) Esse feedback que temos às vezes é tardio. E quando ele chega, a concorrência já está lá na frente. A gente só descobriu que cometemos um pequeno deslize depois de muito tempo, e isso faz com que o nosso tempo de reação, para corrigir nossos problemas seja muito lento, extenso. Eu demoro para compreender o erro que cometi e demoro a aprender a não cometê-lo novamente.

(00:03:16) Aliado a isso, temos a questão da expectativa. As expectativas são grandes. Se gasta muito dinheiro em um software porque se espera um retorno muito alto. Imagine você como cliente, você comprou um software que vai ser entregue daqui seis meses. Você espera seis meses, você gasta dinheiro antes, e só daqui seis meses você vai ter algo. E quando você tem, você percebe que não é bem aquilo que você queria. A frustração também é muito grande, isso gera o estresse nessa relação de parceria que temos entre cliente e fornecedor.

(00:03:57) Por que isso acontece? Porque quando dividimos o projeto em etapas, como funciona no modelo Waterfall, só teremos valor no finalzinho do fluxo, no último momento, porque eu posso chegar e te apresentar uma planta. “Tem aqui esse apartamento, são dois quartos”, “muito bom, Mário, gostei do quarto”. E aí construo, faço tudo. Mas se tiver algum problema com aquele quarto, por exemplo, você descobre que tem um carpete que te dá alergia. Isso não era percebível na planta. Foi algo que você só descobriu no final. E eu, como construtor daquele apartamento, que tenho como objetivo ter um cliente satisfeito – claro que quero ganhar dinheiro, mas se meu cliente estiver satisfeito, a tendência é ganhar mais dinheiro – só vou ter essa resposta depois de seis meses. E o custo que vou ter para refazer aquele piso do quarto vai ser muito maior do que se eu tivesse essa informação antes.

(00:05:08) As principais diferenças que temos quando trabalhamos com Agile é quebrar um pouco, primeiro: essa questão do tamanho do lote. Eu defini o meu requisito, mas e se eu mudar de ideia? E se alguma coisa me fizer mudar de ideia? Tenho essa liberdade. Essa é a primeira coisa que tentamos quebrar. Não vamos definir tudo à priori. Vamos fazer isso aos poucos.

(00:05:40) Ao fazer isso aos poucos, também não priorizo por etapas. Ou seja, não vou fazer toda uma análise para depois que o requisito estiver validado eu começar outra etapa de desenvolvimento e por aí vai. Vou fazer um pouco de cada etapa o tempo todo para poder ter a terceira diferença, que é quebrar o feedback tardio. É poder ter a todo o momento uma resposta do meu cliente. Eu entrego um pedacinho pequeno, olho e falo “é isso que você quer?”, “é”, “então qual o próximo pedaço que vamos fazer agora?”. Porque o plano que a gente executa, que criamos em determinado momento, se pensarmos em uma ordem no início do projeto, essa ordem pode não fazer mais sentido depois de algum tempo, porque existe muita volatilidade no mundo, principalmente em termos de tecnologia. Vamos imaginar na época que saíram os primeiros smartphones. Estava todo mundo pensando em fazer um sistema web ou um sistema desktop, e de repente surgiu a necessidade de fazer um aplicativo, porque as pessoas começaram a usar mais. O internet banking também, as pessoas começaram a usar o banco no telefone. E se lá atrás tivéssemos um contrato com um grande banco para desenvolver o sistema de internet banking deles, que foi criado antes do primeiro smartphone sair, eles não teriam previsto, isso não estaria no requisito e teríamos outras coisas. A partir do momento em que tenho uma população onde quase todo mundo tem um smartphone, isso se torna prioritário. Eu preciso mudar o tamanho do lote, entregar pequenas etapas, pequenos blocos de trabalho, ao invés de entregar fases, e também coletar esse feedback o mais rápido possível.

(00:07:44) São essas as três principais diferenças que temos do Waterfall para o Agile. E nas próximas aulas iremos falar de cada uma delas.

Sobre o curso Fundamentos de Agilidade: seus primeiros passos para a transformação ágil

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