Platform Engineering: o que é, quais os benefícios e melhores práticas

Você já ouviu falar em Platform Engineering? Esse conceito vem ganhando destaque nas empresas, especialmente entre times de desenvolvimento e operações.
Essa é uma abordagem que cria e mantém plataformas internas para facilitar o trabalho das pessoas desenvolvedoras, automatizar processos e acelerar entregas com segurança e consistência.
Nesse artigo, vou te explicar o que é a Platform Engineering, como ela funciona, por que está se tornando importante no mercado e como você pode aplicar seus princípios na prática.
O que é Platform Engineering?
A Platform Engineering é a disciplina responsável por criar e gerenciar plataformas internas que servem de base para o desenvolvimento, deploy e operação de aplicações.
Essas plataformas não são produtos para clientes externos, mas sim ferramentas internas, pensadas para melhorar a experiência da pessoa desenvolvedora.
A ideia é fornecer um ambiente padronizado, automatizado e seguro onde devs possam construir, testar e lançar aplicações com autonomia.
Em outras palavras, o time de Platform Engineering é como o time que constrói as “estradas” por onde o software vai trafegar. Enquanto outras pessoas focam em escrever o código das aplicações, a equipe de plataforma garante que o ambiente está pronto, rápido, confiável e seguro.
Platform Engineering X DevOps
É comum confundir Platform Engineering com Devops. Os dois têm objetivos parecidos, eliminar barreiras entre desenvolvimento e operações, mas funcionam em níveis diferentes.
O DevOps é uma cultura, uma filosofia de colaboração e automação entre times. Já a Platform Engineering é a implementação prática dessa cultura, criando plataformas e ferramentas que tornam o DevOps possível no dia a dia.
Enquanto o DevOps define o “porquê” e o “como”, Platform Engineering constrói o “onde”.
E as empresas já perceberam isso: segundo a pesquisa global do Google Cloud, 55% das organizações já adotaram Platform Engineering, e 90% planejam expandir o modelo para mais equipes, um sinal claro de que essa abordagem deixa de ser tendência e se torna fundamento estratégico.
Se você está iniciando e quer entender melhor a base dessa cultura, vale conferir o Guia sobre a cultura DevOps, esse artigo fala como o DevOps surgiu e porque ele tem um papel tão importante no desenvolvimento moderno.
Como funciona a Platform Engineering?
Até aqui, indagações comuns como ''Ok, e agora? como funciona a Platform Engineering?'' podem ter surgido, e a gente te explica.
O “Ops de Tickets”
Tradicionalmente, o ciclo de desenvolvimento era limitado por um modelo conhecido como “Ops de Tickets”.
Nele, tarefas como criar um usuário, provisionar um servidor ou ajustar permissões exigiam a abertura de tickets e longos períodos de espera até que alguém da equipe de operações pudesse resolvê-las.
Esse formato não apenas gerava atrasos, mas também criava gargalos, concentrava conhecimento em poucas pessoas, reduzia a autonomia dos times e aumentava a chance de inconsistências e falhas, resultando em uma experiência insatisfatória para as pessoas desenvolvedoras.
Plataforma Interna para Pessoas Desenvolvedoras
A ideia central é criar uma Internal Developer Platform (IDP), uma plataforma interna que oferece tudo o que uma pessoa desenvolvedora precisa para construir e operar um sistema.
Essa IDP integra infraestrutura, pipelines de CI/CD, monitoramento, observabilidade, automação de provisionamento, controle de acesso e muito mais.
Com a adoção da Platform Engineering, a IDP evolui para um modelo de self-service seguro, substituindo o antigo processo baseado em tickets por ferramentas que dão autonomia real aos times.
O funcionamento segue alguns princípios:
- Abstração da complexidade: as pessoas desenvolvedoras não precisar lidar diretamente com detalhes de infraestrutura.
- Automação: tarefas repetitivas são substituídas por scripts e pipelines automáticos.
- Self-service: o time de desenvolvimento consegue realizar deploys, criar ambientes ou escalar aplicações de forma independente.
- Padronização: todos os times seguem as mesmas boas práticas, o que evita falhas e inconsistências.
- Observabilidade: métricas e logs estão sempre disponíveis para monitoramento contínuo.
Quais são os requisitos para Platform Engineering de sucesso?
Uma plataforma bem-sucedida vai além da tecnologia. Ela depende de princípios culturais e operacionais que tornam o ambiente produtivo e sustentável.
Experiência da pessoa usuária simples
A plataforma é construída para pessoas desenvolvedoras, não para máquinas. Isso significa que a usabilidade é prioridade. Interfaces simples, documentação clara e fluxos intuitivos tornam a plataforma algo que realmente ajuda, e não uma barreira.
Automação como padrão
Se algo pode ser automatizado, deve ser. Desde build e deploy até a criação de ambientes e auditorias, a automação reduz erros humanos e libera tempo para tarefas de maior valor.
Visibilidade total
Uma boa plataforma precisa oferecer observabilidade completa. Logs centralizados, dashboards e alertas ajudam a identificar gargalos, entender o comportamento das aplicações e agir rapidamente.
Segurança como padrão
A segurança não deve ser um “passo extra”, e sim um componente embutido na plataforma. Isso inclui controle de acessos, políticas de compliance, gestão de segredos e integração com ferramentas de segurança.
Boas práticas como cultura
A Platform Engineering deve refletir as melhores práticas de engenharia de software, incentivando a padronização de código, testes automatizados, revisão entre pares e documentação viva,
Benefícios da Platform Engineering
Implementar uma cultura e infraestrutura de Platform Engineering traz uma série de vantagens para o time e para o negócio.
Entrega rápida e eficiente
Com processos automatizados e pipelines padronizados, o tempo entre o código escrito e o deploy em produção diminui significativamente.
Empresas que adotam Platform Engineering percebem uma melhora significativa na agilidade das entregas, já que o fluxo de desenvolvimento passa a ser mais fluido.
Escalabilidade
A plataforma interna permite que novas aplicações sejam criadas sem reinventar a roda. Isso possibilita crescimento rápido sem comprometer a qualidade ou a estabilidade do sistema.
Maior confiabilidade
Como os fluxos são automatizados e testados, a probabilidade de erro humano cai. O resultado é uma infraestrutura mais estável e previsível.
Redução de custos
Automação e padronização significam menos retrabalho, menos tempo gasto com manutenção manual e menor consumo desnecessário de recursos.
Segurança
Com a segurança embutida em todos os níveis da plataforma, as vulnerabilidades são detectadas mais cedo. Isso reduz riscos e evita incidentes.
Flexibilidade e adaptação
A Plataform Engineering permite que diferentes times usem a mesma base tecnológica, adaptando-se às necessidades específicas de cada projeto.
Colaboração eficaz
A centralização de ferramentas e processos estimula a colaboração entre devs, operações e segurança, criando um ciclo de feedback contínuo.
Inovação contínua
Com as tarefas repetitivas fora do caminho, sobra mais tempo para explorar novas tecnologias, testar hipóteses e inovar com mais frequência.
Desafios na implementação da Platform Engineering
Claro, nem tudo é simples. Implementar a Platform Engineering exige mudança cultural, investimento em automações e maturidade técnica.
Os principais desafios incluem:
- Resistência à mudança: nem todo time adere rapidamente a novas ferramentas ou processos.
- Complexidade inicial: criar uma plataforma do zero pode demandar esforço e tempo.
- Manutenção contínua: a plataforma precisa evoluir junto com a empresa.
- Equilíbrio entre autonomia e controle: dar liberdade sem comprometer a segurança é um desafio constante.
Superar esses obstáculos exige colaboração entre os times, apoio da liderança e uma estratégia clara de implementação.
Casos de sucesso
Empresas como Netflix, Spotify e o Banco PAN são ótimos exemplos de como a Platform Engineering pode transformar a forma de trabalhar com tecnologia.
A Netflix criou a plataforma Spinnaker, usada para automação de deploys em nuvem e a Spotify desenvolveu o Backstage, uma plataforma open source de gerenciamento de serviços internos.
Outro caso é o do Mercado Livre, que construiu uma das plataformas internas mais sofisticadas da região: o Fury, resultado de uma jornada que evoluiu de uma arquitetura monolítica para microsserviços em escala massiva.
A plataforma foi projetada para suportar milhões de requisições por minuto, lidar com complexidade operacional envolvendo milhares de microsserviços e atender um time de engenharia com mais de 18.000 pessoas.
Hoje, o Fury é capaz de sustentar um ritmo impressionante de quase 30.000 deploys por dia, demonstrando o impacto direto de uma plataforma interna bem construída na produtividade e na capacidade de inovação.
Nesse vídeo, o Head de Plataforma do Mercado Livre fala um pouco sobre o produto.
No Brasil, o Banco PAN também compartilhou sua jornada de Engenharia de Plataformas no episódio Banco PAN: Engenharia de Plataformas e Dev Experience, mostrando como esse movimento vem ganhando força no cenário nacional.
Ferramentas populares para Platform Engineering
Se você quer começar a explorar esse universo, vale conhecer algumas das ferramentas mais utilizadas por times de tecnologia no mundo todo. Elas ajudam a construir plataformas internas mais seguras, automatizadas e escaláveis.
- Terraform: solução para Infraestrutura como Código (IaC). Com ela, você pode definir toda a infraestrutura por meio de arquivos de configuração versionados, garantindo padronização e rastreabilidade.
- Kubernetes: o grande padrão para orquestração de containers. Ele facilita o deploy, o escalonamento e a gestão de aplicações em ambientes distribuídos, seja em nuvem ou _on-premise_.
- Prometheus / Grafana: um combo de monitoramento e observabilidade. O Prometheus coleta métricas de aplicações e infraestrutura, enquanto o Grafana oferece dashboards visuais para análise em tempo real.
- Jenkins / GitHub Actions: opçoes populares de automação de CI/CD, usadas para compilar, testar e distribuir código de forma contínua. Elas integram facilmente com outras ferramentas do ecossistema.
Carreira em Platform Engineering
A Platform Engineering representa a evolução natural do DevOps. Ela surge como resposta à complexidade crescente dos ambientes modernos, oferecendo uma forma estruturada e escalável de apoiar os times de desenvolvimento.
Adotar essa prática é investir em eficiência, segurança e inovação contínua. Mas mais do que tecnologia, é uma mudança de mentalidade, de construir não apenas produtos, mas ferramentas que empoderam pessoas.
Se você quer dar o próximo passo, comece estudando Infraestrutura como Código, automação de pipelines e observabilidade. São pilares importantes para qualquer aprendizado futuro usado em Platform Engineering.
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Continue estudando a área
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Aqui vai uma indicação:
Vale muito ouvir o episódio Desvendando a Engenharia de Plataforma, do Hipsters Ponto Tech. Lá, especialistas da área contam como esse movimento vem transformando o dia a dia das empresas te tecnologia e das pessoas desenvolvedoras.
FAQ | Perguntas frequentes sobre Platform Engineering
Se até aqui ainda restaram dúvidas relacionadas a Platform Engineering, aqui estão algumas respostas.
1. O que é Platform Engineering?
É a prática de construit e manter plataformas internas que oferecem às pessoas desenvolvedoras tudo o que elas precisam para desenvolver, testar e operar aplicações de forma autônoma e segura.
2. Platform Engineering não é o mesmo que DevOps?
Não, DevOps é uma cultura de colaboração entre desenvolvimento e operações. Platform engineering é a aplicação prática dessa cultura, criando ferramentas e plataformas que tornam o DevOps real e eficiente.
3. É preciso ser especialista em infraestrutura para trabalhar com Platform Engineering?
Não necessariamente. Ter conhecimento de automação, containers, pipelines e boas práticas de engenharia é essencial, mas o mais importante é entender como criar boas experiências para quem usa a plataforma.
4. Como começar a implementar Platform Engineering?
Comece pequeno: identifique os processos mais repetitivos e automatize-os. Em seguida, construa uma base comum (como pipeline CI/CD padronizado) e vá expandindo até formar uma plataforma integrada.










