Afrofuturismo

Meu interesse por Afrofuturismo começou pela inquietação e desejo de imaginar um futuro negro. Esse despertar me trouxe para uma iniciativa de estudo, onde me deparei com o termo Afrofuturismo. No primeiro momento não compreendi as diversas camadas que poderia acessar através do Afrofuturismo, a partir de um único termo.

O que é?

O afrofuturismo é uma estética cultural, filosofia da ciência, filosofia da história e filosofia da arte que combina elementos de ficção científica, ficção histórica, fantasia, arte africana e arte da diáspora africana, afrocentrismo e realismo mágico com cosmologias não-ocidentais para criticar não só os dilemas atuais dos negros, mas também para revisar, interrogar e reexaminar os eventos históricos do passado.

O termo foi cunhado por Mark Dery em 1993, a partir de pesquisas e conversas com pessoas negras, ele percebeu que já existia um movimento, com vozes afro-americanas que contavam as suas histórias envolvendo a cultura e tecnologia.

Na década de 50, já era possível enxergar Afrofuturismo na arte de Sun Ra, através de suas músicas e como apresentava-se, um exemplo é no longa-metragem Space is the place, Sun Ra decola em sua nave e diz a seguinte frase: “Adeus, terráqueos. Vocês só querem falar de verdades… Não de mitos. Bem, eu sou o mito que vos fala. Digo-lhes adeus.”. No longa a trilha sonora também é de Sun Ra e The Arkestra.

A nave parte, quase que exclusivamente de tribulação negra rumo a uma colônia espacial, longe da terra. Dentro da nave, vemos uma espécie de televisor, transmitindo imagens de destruição da Terra.

Em 2017 Xenia França lança seu primeiro álbum solo, Xenia, álbum este que mistura a cultura do continente Africano, muitos elementos eletrônicos, e o canto de Xenia França. Na música Nave, ela canta:

"Pode chegar Quando chispar a nave, eu vou Cruzar a órbita prum novo mar Que a nossa Lua transbordou Vazou Pode correr Que lá só vai crescer amor Ó minha mãe, perdoa se eu te deixar Que esse planeta é gente demais"

Na literatura temos diversos exemplos de autoras e autores de ficção especulativa e fantasia, que vão contar histórias de um futuro científico e tecnológico através de uma perspectiva de cultura africana e afro-diaspórica posso citar N.K Jemisin, Nndei Okorafor, Octavia E. Butler, Ytasha Womack. No Brasil nomes como Lu Ain-Zala, Fabio Kabral e Ale Santos, são alguns dos nomes. Tem um bate papo super legal no episódio Afrofuturismo – Hipsters #227, com o Ale Santos.

capa do podcast sobre afrofuturismo

Na Ciência e tecnologia através do podcast Ogunhê, da Nina da Hora que é Cientista da Computação PUCRio e colunista da MIT Technology Review, conheci diversos nomes, um deles da Etiope Rediet Abebe, cientista da computação atua nos campos dos algoritmos e inteligência artificial. Seu artigo usando consultas médicas revelou o conhecimento de doenças em 54 regiões da África, ela tem esse TEDx- Can Algorithms Reduce Inequality? | Rediet Abebe | TEDxLosGatos. Aonde conta sua história no campo da ciência e tecnologia.

Através destas e de outras diversas contribuições, o Afrofuturismo vem se formando esse movimento rico de cultura, conhecimento ancestral, criando prósperas possibilidades de um futuro preto!

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