Vamos falar sobre Customer Success? Começaremos com uma retrospectiva de aproximadamente setenta anos sobre os padrões de consumo.
Padrões de consumo
Em 1950, tínhamos um período de pós-revolução industrial com uma produção em massa. Nessa época, o foco era no produto, ou seja, em como produzir mais para fornecer mais produtos aos clientes.
Já na década de 70, ocorre um surgimento maior de concorrência, pois essa produção em massa se expandiu. Também temos o aparecimento dos shopping centers e o começo de uma época de consumerismo (consumo em excesso) nos Estados Unidos.
Depois, na década de 90, temos o início da internet e do relacionamento com quem consome.
Assim, as marcas começam a se atentar para a possibilidade de contato direto com o consumidor final. Levantam questionamentos sobre a importância de um bom relacionamento com o consumidor e seu impacto na fidelização das pessoas consumidoras.
E, em 2010, a década mais recente que analisaremos, acontece a democratização do consumo. Isto é, o consumo por todas as classes com diversos pontos de acesso e comunicação.
Também há o aumento do poder de barganha do consumidor. Portanto, o consumidor tem acesso a uma gama maior de fornecedores de produtos e serviços e, consequentemente, um maior poder de negociação.
Tanto que hoje é possível fazer qualquer transação, e a maioria dos tipos de compra, com apenas um clique em um dispositivo móvel.
Conceitos de marketing
"Conquistar um novo cliente custa entre 5 a 7 vezes mais do que manter um atual" - Philip Kotler
A partir desse conceito de Philip Kotler, pai do marketing, que embasou outras formas de encarar a dinâmica entre consumidor e fornecedor, temos que o custo de buscar novos leads (clientes, oportunidade de negócio) no mercado é muito maior do que você manter e alimentar um relacionamento com o cliente atual.
Esse cenário de maior custo começa a trazer para as empresas a necessidade de criar esse relacionamento e trabalhar com o consumidor que já está ali presente.
Philip Kotler também desenvolveu alguns conceitos de marketing que veremos a seguir:
1.0 Produto
A primeira era é o marketing focado no produto, o marketing 1.0. Passado na TV e rádio, tem foco no portfólio do produto oferecido, sem ainda uma construção de marca.
É nessa época que surgem os 4Ps do marketing: produto, preço, promoção e praça.
2.0 Pessoa Consumidora
Já no marketing 2.0, o foco se torna a pessoa consumidora. Começamos a ter a segmentação de mercado. Também é o início do marketing como área, como o vemos hoje nas empresas, e do CRM (Customer Relationship Manager) que é a gestão do relacionamento com o cliente.
3.0 Valores
E no 3.0 contamos com um marketing focado em valores. Desse modo, a pessoa consumidora se identifica com os valores e missão das empresas com as quais ela se relaciona.
Além disso, temos a internet e a interação com marcas. Isso leva a uma identificação do cliente e uma troca maior com as empresas a partir do marketing digital.
4.0 Digital
O marketing puramente digital é o 4.0, no qual temos uma pessoa consumidora mais exigente, ações on e off-line com interações mais frequentes e o advento das mídias sociais que fortalece essas relações.
Do que clientes 4.0 precisam
Os clientes 4.0 precisam de solução de suas dores. Dese o início, essa é uma mudança de foco importante: passamos de querer vender apenas um produto a entender que solução aquele produto leva para os seus clientes.
Também precisam de entrega de valor, indo em todos os pontos de interação que o cliente tem com sua empresa.
Se o seu produto é a venda de um notebook, quais são os valores que esse notebook agrega para a pessoa? Vai entregar uma agilidade nos processos que ela precisa desenvolver? Esses fatores são esses agregadores de valor, por exemplo.
Outra grande necessidade do cliente 4.0 é o foco no sucesso dele.
Por isso, seguindo nossa analogia, a pessoa consumidora não quer comprar um notebook porque precisa executar um trabalho. Ela quer comprar um notebook que permita que realize o seu melhor trabalho e que tenha sucesso através desse computador.
Esclarecemos que dentro de clientes 4.0 existem clientes B2Bs (Business to Business ou empresas para empresas) e B2Cs (Business to Consumers ou empresas para o consumidor).
Diferenciação
Um mito muito difundido é que o atendimento cordial gera diferenciação. Na verdade, o atendimento com educação simplesmente é o mínimo que as empresas podem fazer em suas trocas de produtos e serviços.
Lá nos anos 2000, até poderíamos ter um diferencial que leva os clientes a optar por um produto e serviço por conta do atendimento. Atualmente, isso não é mais uma realidade. Devemos apresentar outros pontos para gerar essa diferenciação e a satisfação na era do sucesso do cliente, como:
Com ajuste correto de expectativas entre a empresa e o consumidor. Esse ponto mostra que a empresa olha para o sucesso e para a pessoa, independente de ser clientes B2B ou B2C. Seja uma compra ou negociação, sempre há uma pessoa do outro lado.
Para ter uma atuação proativa, é necessário que você conheça o perfil do seu cliente e porque ele precisa de você.
E preparado para resolução. Se um cliente contrata seu produto ou serviço, é porque precisa solucionar alguma dor. E para solucioná-la, essa pessoa quer o melhor serviço possível.
Além disso, os serviços complementares também devem ser focos de atenção tanto quanto o produto comercializado. Por exemplo, no caso de uma compra de produto, o serviço de entrega precisa ser ágil.
São os produtos e serviços atrelados. A qualidade deve acontecer em todo o processo, desde seu produto até todos os serviços envolvidos nesse pacote.
O nosso cliente tem uma visão única, toda a experiência vivida com seu produto ou serviço vai estar atrelada a sua marca e empresa.
Durante todo o processo, não apenas no momento na compra.
A partir do momento em que houve o primeiro contato do consumidor com a sua marca até o pós-compra é preciso haver uma jornada suave, sem quebras, interrupções ou gargalos.
Na prática
Ao longo do curso traremos exercícios e exemplos para fazer juntos. Agora, apresentamos um case de contratação de um serviço de tecnologia.
A empresa 1 nos traz uma proposta comercial onde apresenta o produto e sua usabilidade e garante o melhor preço. Nos apresenta também os diferenciais em relação a seus concorrentes.
Já a empresa 2 pede contato para entender melhor o contexto da solicitação. Somente depois disso, faz uma apresentação de proposta sobre as dores comunicadas e, assim como a empresa 1, mostra o produto e sua usabilidade.
Portanto, qual das duas apresenta uma cultura de sucesso do cliente?
Conseguimos concluir que a empresa 2 apresenta uma cultura de Customer Success, porque ela quer entender o contexto onde esse cliente se encaixa e saber o que pode fazer para solucionar suas dores, não só visando o produto ou serviço.
Depois, a empresa 2 apresenta sim o produto, porém, com mais assertividade. É um produto que vai suprir as dores e vai atender a necessidade observada nesse contexto.
O pai do Customer Success nos EUA nos fornece uma definição do sucesso do cliente:
"Customer Success acontece quando clientes alcançam o resultado desejado através de interações com sua empresa" - Lincoln Murphy
Em outras palavras, é necessário que o cliente alcance o sucesso dele e, para isso, você precisa conhecer qual é esse sucesso para alcançá-lo através de trocas com sua empresa e fazer parte desse resultado.
Assim, não é apenas uma troca de serviços e produtos, mas, sim, uma troca de experiências e resultados.
Cultura de sucesso
Trazemos alguns pontos que estão envolvidos em uma cultura de sucesso do cliente:
- Pessoa consumidora mais exigente;
Na realidade atual, o cliente possui objetivos que deseja alcançar com o produto ou serviço adquirido.
- Empresas SaaS (software como um serviço) e retenção;
As empresas SaaS são empresas que nos deram uma maior visibilidade da cultura de sucesso do cliente. Isso porque, quando fazemos um software como um serviço virtual, os resultados que o cliente obtém através da sua própria usabilidade envolve a continuidade da contratação do serviço.
A estratégia de Customer Success se inicia com as empresas SaaS para gerar essa retenção.
Atualmente, como queremos entender o contexto do cliente e resolver aquela dor, a empresa não vai oferecer apenas um produto A.
Por vezes, a pessoa consumidora necessita do produto A, B e C. Dessa forma, temos oportunidades de explorar uma gama de produtos e serviços que podemos usar a nosso favor para atender o cliente. Com isso, temos o sucesso para empresa e para o cliente.
- Foco em pós-venda e relacionamento gerado.
Por fim, o Customer Sucess atua nesse momento após a primeira conversão, onde o cliente conheça a empresa e realiza a compra. Também é um processo de relacionamento durante todo esse caminho.