Fatia de mercado do ChatGPT cai abaixo de 50% pela primeira vez

Fabrício Carraro
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O relatório State of AI 2026 da Sensor Tower, publicado em 16 de junho, mostra o ChatGPT abaixo de 50% de participação de mercado entre assistentes de IA. É a primeira vez que isso acontece. O recuo começou em março de 2026 e se aprofundou até 46,4% em maio, segundo a mesma fonte.

O Gemini, do Google, e o Claude, da Anthropic, foram os principais beneficiados da redistribuição. O mercado total, por sua vez, segue em expansão: a OpenAI atingiu 1,1 bilhão de usuários mensais. A marca é a mais rápida já alcançada por qualquer app na história.

O que os dados mostram

A Sensor Tower mede participação de mercado pelo método True Audience (audiência deduplicada de usuários únicos entre app mobile, web mobile e desktop). Com essa métrica, o cenário dos três principais assistentes em maio de 2026 ficou assim, segundo o TechCrunch:

  • ChatGPT: 46,4% de participação e 1,1 bilhão de usuários mensais.
  • Gemini: 27,7% e 662 milhões de usuários mensais.
  • Claude: 10,3% e 245 milhões de usuários mensais.

O declínio do ChatGPT não é um evento pontual. De acordo com o TechCrunch, em dezembro de 2024 o app detinha 65,3% do mercado e chegou a 52,8% em dezembro de 2025. Em maio de 2026, registrou 46,4%, uma queda de quase 19 pontos percentuais. Em 17 meses, a trajetória foi contínua e sem reversões.

O avanço do Gemini está em grande parte ligado à sua integração com o ecossistema de ferramentas do Google. O Claude, por sua vez, vem se destacando em tarefas de escrita longa e código.

Repare que um evento específico acelerou a migração de usuários do ChatGPT. Segundo o TechCrunch, o acordo da OpenAI com o Departamento de Defesa dos EUA, em fevereiro, gerou um pico mensurável de desinstalações. O dado sugere que confiança na marca pesa tanto quanto funcionalidades na decisão de troca.

No campo da monetização, segundo o TechCrunch com dados da Sensor Tower, o Claude registrou a maior taxa de conversão para planos pagos entre os principais assistentes: 13%.

A OpenAI, por sua vez, começou a exibir anúncios dentro do ChatGPT. Em maio, uma média de 17% dos usuários diários já estava sendo impactada por publicidade.

Por que isso importa para quem trabalha com tecnologia

Com Gemini em quase 28% e Claude em 10%, o mercado de assistentes de IA já não tem um líder isolado. Por isso, devs e times de produto precisam avaliar ativamente qual ferramenta serve cada contexto.

Assumir que uma única plataforma cobre todas as necessidades é uma decisão de stack cada vez menos justificável.

Algumas implicações práticas do novo cenário:

  • Escolha de modelo por caso de uso: o Claude tem liderado em tarefas de escrita e código; o Gemini beneficia quem já vive no ecossistema Google (Workspace, Android). Conhecer as diferenças entre os modelos, como explorado no artigo da Alura sobre ChatGPT, Gemini e Claude, deixou de ser curiosidade e passou a ser critério de decisão.
  • Risco de lock-in (dependência de fornecedor único): quem construiu fluxos dependentes de uma única API precisa considerar camadas de abstração, ou seja, interfaces intermediárias que facilitam a troca de provedor, para quando limites, preços ou políticas mudarem.
  • Confiança como variável de adoção: o impacto do contrato com o Departamento de Defesa nas desinstalações do ChatGPT mostra que os valores corporativos das empresas de IA já influenciam decisões de uso, não só especificações técnicas.

Quer saber qual assistente de IA usar em cada contexto de trabalho?

A Alura tem trilhas de IA aplicada que cobrem do uso básico à engenharia de agentes. Para explorar mais sobre o tema, o blog da Alura traz guias práticos sobre os principais modelos de IA e como escolher o certo para cada tipo de tarefa.

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Fabrício Carraro
Fabrício Carraro

Fabrício Carraro é formado em Engenharia da Computação pela UNICAMP e pós-graduado em Data Analytics & Machine Learning pela FIAP. Atualmente, mora na Espanha.

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