Scorsese vira advisor de startup de IA e defende seu uso no cinema

Fabrício Carraro
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Martin Scorsese, diretor de Goodfellas e The Irishman, anunciou em 2 de junho de 2026 que agora é parceiro e advisor da Black Forest Labs. A startup alemã de geração de imagens por IA está avaliada em US$ 3,25 bilhões. O anúncio foi divulgado pelo New York Times com um vídeo em que o diretor usa a ferramenta ao vivo.

Scorsese declarou que usou o modelo de geração de imagens FLUX, da Black Forest Labs, para criar storyboards durante a pré-produção do seu próximo filme. O longa se chama What Happens at Night e é estrelado por Leonardo DiCaprio e Jennifer Lawrence.

Na prática, o que o aproximou da ferramenta foi o problema histórico de comunicar visualmente para o restante da equipe o que está na cabeça do diretor. É uma barreira conhecida em sets de cinema, e o FLUX passou a funcionar como ponte entre a visão do realizador e a produção.

O que Scorsese anunciou e quem é a Black Forest Labs

A Black Forest Labs foi fundada em 2024 em Freiburg, na Alemanha, por Robin Rombach e outros ex-pesquisadores da Stability AI, que criaram o Stable Diffusion. A startup alimenta com sua tecnologia de imagem empresas como Adobe, Canva, Microsoft e Meta. Em dezembro de 2025, captou US$ 300 milhões e atingiu avaliação de US$ 3,25 bilhões.

A parceria com Scorsese surgiu via BroadLight Capital, fundo de investimento cofundado por Rick Yorn, manager do diretor, que também é investidor na Black Forest Labs. O diretor não confirmou se investiu pessoalmente na empresa.

No vídeo divulgado junto ao anúncio, Scorsese descreve um cenário de cidade nevada no leste europeu e a equipe da startup gera o storyboard a partir dos prompts. Ele posicionou o uso da IA como extensão natural de outros recursos tecnológicos que já adotou ao longo da carreira:

  • Tecnologia 3D em Hugo (2011).
  • De-aging digital em The Irishman (2019).
  • Geração de imagens com FLUX em pré-produção de What Happens at Night (2026).

Scorsese não está sozinho entre os grandes diretores que se aproximaram de empresas de IA: James Cameron integra o conselho da Stability AI desde setembro de 2024.

Na outra ponta, Guillermo del Toro é um dos críticos mais públicos da tecnologia e disse que usá-la seria como "cuspir em Deus". O Festival de Cannes de 2026 optou por banir IA generativa da sua competição oficial, exigindo que os filmes selecionados reflitam "esforço humano".

Por que isso importa para quem trabalha com tecnologia

O endosso de Scorsese importa menos pelo nome e mais pelo contexto. Um diretor com reputação construída sobre a valorização do artesanato cinematográfico adotou IA generativa para pré-produção. Isso significa que a discussão sobre o uso dessas ferramentas saiu do campo das apostas e entrou no do pragmatismo.

Para devs e equipes que trabalham com produtos de IA generativa voltados ao mercado criativo, o caso aponta para alguns pontos concretos:

  • Pré-produção como porta de entrada: o uso de IA para storyboards e visualização não ameaça o produto final, mas acelera a comunicação criativa entre diretor, equipe de arte e cinematografia. É um argumento de adoção muito mais fácil de vender internamente do que substituição de funções.
  • O mercado ainda está dividido: a reação negativa de storyboard artists ao anúncio de Scorsese mostra que, mesmo em casos de uso limitados como visualização de pré-produção, há tensão real com profissionais que enxergam sua área diretamente afetada.
  • Regulação por festival já é realidade: o veto de Cannes indica que restrições ao uso de IA em produtos criativos finais podem surgir em outros contextos, inclusive contratuais e editoriais.

Quer entender melhor como a IA generativa está sendo usada na prática?

O blog da Alura tem um artigo completo sobre IA generativa e outro focado em ferramentas de IA para geração de imagens. Para ir além da teoria, as trilhas de IA da Alura cobrem do básico ao desenvolvimento de soluções com modelos generativos.

Para quem busca o primeiro contato, ou até mesmo se aprofundar em IA, a trilha em Especialista IA é a melhor escolha para acompanhar essas mudanças.

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Fabrício Carraro
Fabrício Carraro

Fabrício Carraro é formado em Engenharia da Computação pela UNICAMP e pós-graduado em Data Analytics & Machine Learning pela FIAP. Atualmente, mora na Espanha.

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