Brasil anuncia pacote de R$ 2,5 bi para IA e supercomputador no RN
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, em 20 de agosto de 2026, um pacote de R$ 2,5 bilhões para ampliar a infraestrutura brasileira de inteligência artificial. O anúncio foi feito durante visita ao Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba, na região metropolitana de Natal (RN).
Os recursos serão divididos entre três frentes de computação de alto desempenho, com fornecedores de diferentes países. Uma delas é a instalação de um supercomputador de cerca de R$ 1 bilhão no próprio Rio Grande do Norte.
Segundo o governo, a estratégia de distribuir os projetos entre empresas chinesas e norte-americanas busca ampliar a capacidade computacional nacional sem depender de um único fornecedor.
O que o Brasil vai construir com o novo investimento em inteligência artificial?
O pacote integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que prevê R$ 23 bilhões em investimentos entre 2024 e 2028. Dentro desse plano, três projetos concentram os novos aportes:
- Uma parceria com as chinesas Huawei e iFlytek para instalar infraestrutura de supercomputação no Rio de Janeiro, com investimento de R$ 1,27 bilhão ao longo de cinco anos, voltada ao desenvolvimento de um grande modelo de linguagem (LLM, sigla em inglês para large language model) em português e espanhol.
- O supercomputador do Rio Grande do Norte, com cerca de R$ 1 bilhão em investimento, desempenho de 7,2 mil petaflops e mais de 50 mil núcleos de processamento.
- Um projeto de chips livres de patentes, com base na arquitetura aberta RISC-V, desenvolvido em Campinas (SP) com apoio da Espanha.
Segundo o governo, os recursos devem fortalecer o ecossistema nacional de IA, ampliando a capacidade de pesquisa, formação de profissionais e desenvolvimento de aplicações próprias.
Onde ficará o novo supercomputador brasileiro de IA?
A máquina será instalada no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, no Rio Grande do Norte. A escolha do estado levou em conta a disponibilidade de energia limpa, já que o RN tem forte participação de fontes eólica e solar em sua matriz energética.
A governadora do Estado, Fátima Bezerra, destacou esse fator ao comentar a decisão do governo federal:
"energia limpa em abundância que nós temos"
De acordo com o governo, a expectativa é que a máquina figure entre os dez supercomputadores mais poderosos do mundo voltados a processamento de IA. A operação deve começar até o fim de 2027.
Quem vai fornecer a tecnologia para os novos supercomputadores?
No projeto do Rio de Janeiro, as chinesas Huawei e iFlytek serão as responsáveis pela infraestrutura e pelo desenvolvimento do modelo de linguagem. Já para o supercomputador do Rio Grande do Norte, o equipamento ainda será definido por licitação.
Fontes do governo ouvidas pela Reuters, sob condição de anonimato, disseram esperar que a americana Nvidia vença o processo, expectativa também mencionada pela ministra Luciana Santos à imprensa. Ainda assim, trata-se de uma previsão, não de uma definição oficial.
Por que o Brasil dividiu os projetos de IA entre empresas chinesas e americanas?
O governo brasileiro apresentou a divisão como uma escolha deliberada de diversificação de fornecedores. Em comunicado, a gestão de Lula resumiu o raciocínio por trás da estratégia:
"a estratégia não é depender de uma única empresa, tecnologia ou país"
Segundo o texto, os investimentos também miram fortalecer a soberania nacional sobre dados. Isso ocorre num momento em que China e Estados Unidos disputam espaço na economia brasileira: a China é hoje a maior parceira comercial do país.
Já os EUA seguem como maior fonte de investimento estrangeiro direto na América Latina, ainda que tenham perdido participação no comércio e imposto novas tarifas a produtos brasileiros.
Como o supercomputador do RN será usado para desenvolver inteligência artificial?
A estrutura não ficará restrita ao governo. Segundo a ministra Luciana Santos, o equipamento poderá ser usado por universidades, empresas, startups e órgãos públicos interessados em treinar e rodar seus próprios modelos de IA. Também estão previstos usos em projetos de saúde, agricultura, clima e serviços públicos.
A diferença de capacidade em relação à infraestrutura atual é grande. Hoje, treinar um modelo do porte do GPT-4 no supercomputador Santos Dumont levaria cerca de 11 anos. Com a nova máquina do RN, a estimativa do governo é de que o mesmo processo caiba em cerca de um mês.
Quando o novo supercomputador brasileiro deve começar a funcionar?
O governo prevê que o supercomputador do Rio Grande do Norte entre em operação até o final de 2027. Já a cooperação com as empresas chinesas para o centro do Rio de Janeiro tem início previsto para julho de 2027, cronograma ligeiramente posterior ao da máquina nordestina.
O que mais faz parte da estratégia brasileira para IA?
Além dos supercomputadores, o pacote inclui outras três iniciativas. A parceria com a Espanha para desenvolver chips com arquitetura aberta RISC-V recebe R$ 125 milhões públicos, com expectativa de captar valor semelhante do setor privado.
O governo também planeja criar uma "nuvem brasileira", com servidores fabricados no país e maior controle nacional sobre o software. Além disso, está prevista a criação de um futuro Centro de Transparência Algorítmica, conduzido pela UFMG, dedicado a avaliar riscos e falhas de modelos de IA disponíveis no mercado.
Por que essa estratégia pode mudar a infraestrutura de IA no Brasil?
Ampliar a capacidade nacional de processamento reduz a dependência de capacidade computacional contratada no exterior, hoje um gargalo para pesquisadores e empresas brasileiras que treinam modelos próprios.
Essa disputa por infraestrutura não é exclusividade do Brasil: mais cedo em 2026, a China assumiu a liderança do ranking mundial de supercomputadores. Isso reforça os investimentos bilionários que China e Estados Unidos fazem em computação de alto desempenho.
Nesse cenário, ter máquinas próprias de grande escala deixou de ser apenas um diferencial acadêmico. Passou a ser peça central para qualquer país que queira desenvolver, treinar e executar modelos de IA sem depender exclusivamente de fornecedores estrangeiros.
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Autor(a)
Fabrício Carraro
Fabrício Carraro é formado em Engenharia da Computação pela UNICAMP e pós-graduado em Data Analytics & Machine Learning pela FIAP. Atualmente, mora na Espanha.
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