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A importância da capacitação em IA no aprendizado corporativo

Francine Ribeiro

Francine Ribeiro


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Nos últimos anos, o mercado global viveu uma corrida pela implementação da Inteligência Artificial nas empresas. Bilhões de dólares foram investidos na aquisição de softwares, licenças e infraestrutura técnica sob a promessa de uma revolução imediata na produtividade.

Mas, o que se observa nas organizações ainda é um fenômeno de "estagnação tecnológica". Isso significa que as ferramentas de IA estão presentes, porém, os resultados de negócio não acompanharam o investimento.

Essa realidade trouxe à tona uma percepção crítica para as lideranças: o sucesso de uma estratégia digital não é automático, mas um resultado da maturidade e da capacitação em IA das pessoas que as operam.

Ou seja, sem o devido preparo das equipes, a tecnologia mais avançada torna-se apenas um custo para a organização.

A urgência do letramento em IA é confirmada por dados. O relatório Closing the Gap: Verifying AI Skills in the Enterprise, da IDC, aponta que as competências em IA são hoje a capacidade empresarial mais requisitada.

Contudo, há uma grande lacuna entre o desejo de inovar e a capacidade de execução: apenas um terço das organizações afirma estar preparada para integrar métodos de trabalho baseados em Inteligência Artificial.

Mas como as empresas podem mudar essa realidade? A capacitação em Inteligência Artificial é a resposta.

Para entender melhor o que é e como implementar na sua organização, continue a leitura deste artigo e saiba como capacitar times em IA pode fazer a diferença.

O que é capacitação em IA?

Diferente dos treinamentos tradicionais, a capacitação em IA é o processo contínuo de desenvolver a técnica e o pensamento crítico necessários para colaborar com soluções de Inteligência Artificial.

Para que o aprendizado corporativo seja efetivo, essa capacitação deve ir além dos treinamentos baseados apenas na conclusão de cursos.

Segundo a IDC, uma estratégia real de capacitação em Inteligência Artificial envolve diferentes aspectos, como listamos abaixo.

  • Verificação de competências: em vez de apenas assistir a aulas, as equipes precisam ter suas habilidades validadas por meio de atividades práticas sobre IA no trabalho.
  • Aprendizado adaptável: como a “vida” das competências tecnológicas está diminuindo rapidamente, a capacitação deve ser um ciclo constante de atualização e não um evento único.
  • Integração entre o técnico e o humano: uma capacitação eficaz aborda tanto a proficiência em ferramentas (como GenAI e análise de dados) quanto habilidades humanas essenciais, para a supervisão e o direcionamento ético da tecnologia.

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Como as empresas podem aprender sobre IA?

Investir no aprendizado sobre IA é o diferencial para as empresas manterem sua relevância em um mercado que se transforma a cada dia.

Segundo a McKinsey, o objetivo desse esforço deve ser alcançar o estado de superagência, um cenário onde as pessoas são empoderadas para usar o potencial da IA, executando tarefas complexas com um nível de autonomia e eficácia impossíveis de atingir sem o suporte da Inteligência Artificial.

Para trilhar esse caminho e saber como se capacitar em IA de forma relevante, as empresas precisam adotar métodos que fujam do ensino tradicional.

Confira abaixo, algumas abordagens práticas para esse aprendizado.

1. Foco em competências práticas

As empresas precisam apostar na verificação real de habilidades em IA. Isso garante que o investimento em educação corporativa esteja realmente resolvendo as dificuldades do time e não apenas preenchendo currículos com certificados sem aplicação prática.

2. Implementação do aprendizado de IA no trabalho

A melhor forma de aprender sobre IA é inserindo a tecnologia na rotina. Ao incentivar o uso da IA no dia a dia, as pessoas colaboradoras aprendem a formular as perguntas (prompts) e a validar resultados enquanto fazem suas funções reais.

Essa abordagem amplia a capacidade criativa e analítica de todo o time de forma orgânica.

3. Desenvolvimento da fluência em IA

Estudar Inteligência Artificial envolve muito mais do que dominar ferramentas; trata-se de desenvolver um pensamento crítico sobre o que a máquina entrega.

Desse modo, uma capacitação em IA de sucesso prepara o time para supervisionar a tecnologia com ética, garantindo que o toque humano seja o diferencial na tomada de decisão final.

Essa abordagem prática é o que separa as empresas que apenas utilizam as ferramentas, daquelas que realmente atingem o nível de superagência e inovam através dela.

Leia também: Ética e Inteligência Artificial — desenvolver a tecnologia com consciência

Como medir o sucesso da capacitação em IA nas empresas?

Para garantir que o investimento em educação corporativa gere valor real, é necessário focar em indicadores de impacto no negócio.

Como sugestão, sua estratégia de capacitação pode ser monitorada por meio de três pilares de desempenho.

  • 1. Taxa de proficiência verificada: em vez de conferir quem terminou o curso, verifique quem demonstrou competência prática em avaliações e projetos reais no trabalho.
  • 2. Ganhos de eficiência operacional: monitorar a redução de tempo em tarefas repetitivas e o aumento da produtividade nas áreas que receberam treinamento especializado.
  • 3. Redução da lacuna de competências (Skill Gap): utilizar dados em tempo real para mapear quais habilidades ainda faltam no time. Isso permite ajustes rápidos nas trilhas de aprendizado para evitar a obsolescência tecnológica.

Leia também: O que é XAI, a Inteligência Artificial Explicável?

Case Magalu: como a capacitação em IA transformou a tecnologia em cultura

Nada melhor do que observar quem já está colhendo resultados para tirar a teoria do papel, não é mesmo?

Em um episódio do podcast Like a Boss, produzido pela Alura, André Fatala, VP de Tecnologia do Magalu, compartilhou uma visão valiosa: “por lá, a Inteligência Artificial não é tratada como um ‘projeto de prateleira’ ou algo restrito a um único departamento técnico”.

Isso porque o Magalu entendeu cedo que, para ser uma plataforma digital de verdade, a tecnologia precisa ser uma camada que está presente em toda a estratégia do negócio. De forma resumida, aqui estão alguns insights que Fatala compartilhou no episódio:

  • Ao tratar a tecnologia como uma camada presente em todas as áreas, a empresa evita o “aprendizado fragmentado”, um problema que costuma travar a evolução dos times.
  • A capacitação em IA vai além de aprender a usar um novo software. É sobre incentivar as pessoas a pensarem de forma estruturada sobre dados e processos.
  • Quando o conhecimento é democratizado, cada pessoa colaboradora ganha a confiança necessária para sugerir melhorias em sua própria rotina. Isso protege a organização contra os riscos de perda de faturamento e competitividade.
  • Para concluir, ao capacitar times em IA, o Magalu nos prova que a tecnologia só alcança seu potencial máximo quando as pessoas se sentem preparadas e seguras para usá-la em suas rotinas.

Quer conferir o episódio completo da participação do VP de Tecnologia do Magalu?

O papo “Marketplace, IA e cultura digital: os bastidores da transformação do Magalu com André Fatala” está disponível no canal do podcast Like a Boss. Confira!

O papel das lideranças na capacitação em IA

Enquanto novas ações devam ser implementadas na empresa, a liderança precisa assumir o papel de protagonista e facilitadora do aprendizado em IA.

A pessoa líder, portanto, deve evoluir de alguém que apenas aprova orçamentos de softwares para uma gestão que promove o letramento em IA.

Essa mudança de postura exige que a gestão atue diretamente na retirada das barreiras que travam o desenvolvimento das equipes.

Um dos principais obstáculos enfrentados por profissionais, por exemplo, é a falta de tempo dedicado ao aprendizado.

Nesse cenário, cabe à liderança separar esse espaço na agenda do time, transformando o ato de estudar Inteligência Artificial em parte da jornada de trabalho e não em uma tarefa extra.

Além disso, o suporte organizacional é fundamental, visto que muitas empresas ainda sofrem com programas de capacitação generalizados ou sem o apoio necessário para gerar resultados consistentes.

Uma opção é oferecer treinamentos com trilhas de aprendizagem personalizadas, como as oferecidas pelo ecossistema Alura + FIAP Para Empresas.

Como André Fatala destacou em sua participação no podcast Like a Boss, a liderança estratégica é aquela que descentraliza a inovação e permite que a IA seja uma camada presente em todos os departamentos, da logística ao atendimento.

Ou seja, em vez de manter o conhecimento restrito ao setor de tecnologia, a liderança deve incentivar o aprendizado em toda a organização.

Por fim, cada líder deve atuar como o elo que conecta o desenvolvimento individual às metas estratégicas do negócio, mantendo sempre a supervisão humana para assegurar que a tecnologia seja utilizada com ética, precisão e contexto.

Leia também: Liderança de não-humanos: como liderar pessoas e ferramentas?

Capacite a sua equipe em IA com a Alura + FIAP Para Empresas

Como vimos, preparar pessoas para trabalhar com IA vai muito além de ensinar a usar ferramentas.

Com a parceria Alura + FIAP Para Empresas, sua organização pode estudar Inteligência Artificial e desenvolver competências digitais de forma conectada à realidade das equipes e aos desafios do negócio.

Nosso ecossistema reúne formações flexíveis para lideranças e pessoas colaboradoras, permitindo criar trilhas sob medida para diferentes áreas, níveis de maturidade e objetivos organizacionais.

Fale com nosso time de especialistas e construa um programa de capacitação em IA que gera mais produtividade e decisões inteligentes para a sua empresa!

Leia também: Como construir uma cultura de IA para impulsionar resultados?

Francine Ribeiro
Francine Ribeiro

Analista de Conteúdo da Alura +FIAP Para Empresas. Jornalista de formação, com MBA em Comunicação Corporativa pela Universidade Tuiutí do Paraná (UTP) e MBA em Business Strategy e Transformation pela FIAP. Atua com produção de conteúdo para empresas desde 2009 e com marketing digital desde 2016.