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Com a Inteligência Artificial assumindo cada vez mais tarefas operacionais, surge uma dúvida importante nas empresas: qual será o papel das pessoas daqui para frente? A resposta está na nossa capacidade de analisar cenários e tomar decisões complexas.
O “Relatório Futuro do Trabalho 2025”, feito em parceria com a Fundação Dom Cabral, mostra que 9 em cada 10 empresas brasileiras planejavam treinar suas equipes em pensamento crítico, alfabetização tecnológica e lógica.
Isso prova que o mercado entendeu que a tecnologia não elimina a necessidade de pensar. Pelo contrário, ela exige um olhar ainda mais atento para avaliar o que a máquina entrega.
Neste artigo, vamos conferir por que o pensamento crítico é uma habilidade essencial para a liderança, o que essa competência tem a ver com a Inteligência Artificial e como as empresas podem ajudar seus times neste processo. Acompanhe!
O que é pensamento crítico?
Muitas vezes, confundido com o ato de apontar defeitos, o pensamento crítico é uma habilidade de disciplinar a própria mente para analisar informações de forma clara, racional e livre de preconceitos.
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Na prática, ter pensamento crítico significa não aceitar tudo o que chega até você como uma verdade absoluta. É um processo ativo onde a pessoa:
- analisa a fonte, questionando a origem e confiabilidade da informação;
- questiona o contexto, perguntando o por que isso está sendo dito naquele momento e se existe algum interesse por trás;
- avalia evidências, verificando se existem dados que comprovam o fato ou é apenas uma opinião;
- considera outras perspectivas e o que dizem as pessoas que pensam diferente.
Portanto, pensar criticamente não é apenas sobre “ser inteligente”, mas sobre ter um método para processar informações. No ambiente de trabalho, essa habilidade impede que a equipe aja no “piloto automático”, garantindo que as decisões sejam tomadas com base em fatos reais e não em suposições.
O que é ter um pensamento crítico na liderança?
Se para uma pessoa colaboradora o pensamento crítico garante a qualidade de uma entrega, para a liderança ele é um fundamento da estratégia. Uma gestão que não desenvolve essa habilidade tende a apenas repassar ordens e executar processos que já não fazem mais sentido.
O pensamento crítico em líderes significa ter a capacidade intelectual de questionar as condições impostas. Ou seja, diante de uma crise, é quem não busca as pessoas culpadas de forma imediata, mas investiga a causa raiz do problema para que ele não se repita.
Na rotina de gestão, essa competência se manifesta em três atitudes principais, conforme mencionamos abaixo.
- 1. Tomada de decisão na incerteza: a liderança crítica consegue conectar pontos e tomar decisões mesmo quando não tem 100% das informações, usando a lógica e a experiência para calcular riscos.
- 2. Gestão livre de vieses: é a capacidade de contratar, promover ou avaliar ideias sem deixar que preferências pessoais ou preconceitos inconscientes interfiram no julgamento.
- 3. Visão de segunda ordem: a gestão não pensa apenas na consequência imediata de uma ação (“vamos cortar custos agora”), mas no impacto de longo prazo (“isso vai desmotivar o time e custar mais caro em contratações daqui a seis meses”).
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Pensamento crítico e IA: qual a relação?
Para compreender a urgência do pensamento crítico na atualidade, é preciso olhar além das ferramentas de IA, como ChatGPT e Gemini, deve-se olhar para a próxima fase: a IA Agêntica.
Esse tipo de Inteligência Artificial se refere a sistemas autônomos capazes de perseguir objetivos, executar sequências de tarefas e tomar decisões operacionais sem intervenção humana constante. A adoção desses agentes introduz novos riscos operacionais que exigem supervisão humana qualificada.
Por exemplo: um agente de IA pode receber a tarefa de otimizar uma cadeia de suprimentos para o custo mínimo. Seguindo a lógica matemática, ele pode direcionar compras para uma empresa fornecedora em uma zona de conflito, ignorando riscos geopolíticos ou éticos que uma pessoa com pensamento crítico identificaria.
Ou seja, é preciso entender que a máquina é excelente em eficiência, mas ainda carece de contexto e bom senso.
A “muleta cognitiva” da IA
Além do risco operacional, existe o risco comportamental. Em uma pesquisa de Harvard e do MIT, foi emitido um alerta importante sobre o uso excessivo de soluções tecnológicas: a chamada “muleta cognitiva”.
O conceito sugere que o uso indiscriminado da IA pode contribuir para uma “atrofia” das habilidades de pensamento crítico. Isso porque, se a IA pensa, resume e toma decisões por você o tempo todo, o seu cérebro deixa de exercitar a capacidade de análise.
A necessidade de manter o julgamento humano no centro das decisões é reforçada por Christopher Dede, pesquisador sênior de Harvard, que utiliza uma metáfora clássica para definir o papel da tecnologia: “Se a IA está pensando por você, isso está minando seu pensamento crítico e sua criatividade. Você deve sempre lembrar que a coruja (símbolo da sabedoria) senta no seu ombro, e não o contrário.” (tradução livre)
Ou seja, a IA deve ser uma ferramenta de suporte, para que profissionais possam aplicar o pensamento crítico e a fim de fazer as melhores escolhas. Afinal, existem fatores complexos que um sistema não compreende plenamente, como vieses preconceituosos, riscos geopolíticos e dilemas éticos.
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Como as lideranças podem lidar com o pensamento crítico na Era da IA?
Grandes lideranças do mercado já identificaram que a sobrevivência profissional nos próximos anos dependerá menos de saber “apertar botões” e mais de saber julgar resultados.
Jamie Dimon, CEO do JPMorgan Chase, tem sido uma voz ativa sobre essa questão. Em dezembro de 2025, ele foi categórico ao afirmar que o maior perigo não é a tecnologia em si, mas a falta de preparo humano para lidar com ela:
“A Inteligência Artificial vai eliminar empregos, mas o maior risco não é a tecnologia, é estar despreparado. Meu conselho seria: aprendam pensamento crítico. À medida que as máquinas assumem a execução, espera-se cada vez mais que as equipes interpretem resultados, avaliem riscos e tomem decisões que exigem julgamento humano.”
Para quem ocupa posições de gestão, a mensagem é clara: o que define uma pessoa profissional de alto desempenho mudou. Mas como aplicar isso no dia a dia? Na prática, isso exige uma mudança de postura imediata da liderança.
Abaixo, considere três ações que podem ser exercidas para começar essa mudança.
- Desafiar as pessoas: quando alguém da equipe apresentar uma solução baseada em IA, não aceite apenas o resultado final. Pergunte: “Quais foram os critérios que a ferramenta usou?”, “Qual é a base de dados dessa conclusão?”, “Existe algum cenário onde essa resposta seria um problema?”.
- Estabelecer regras: em decisões estratégicas, estabeleça a regra de que a IA pode dar o primeiro rascunho, mas nunca a palavra final. Crie rituais onde a equipe deve, obrigatoriamente, procurar falhas ou vieses na sugestão do algoritmo.
- Valorizar a equipe: em avaliações de desempenho, comece a reconhecer e premiar pessoas colaboradoras que levantam riscos e questionam respostas, e não apenas aquelas que entregam tarefas rapidamente com ajuda da automação.
Para concluir, esse tipo de ação impede que a equipe aja no “piloto automático”, garantindo que as decisões sejam tomadas com base em fatos e com testes já realizados para validar a eficácia de cada proposta.
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Afinal, como desenvolver o pensamento crítico nas empresas?
Desenvolver o pensamento crítico no trabalho não é nada simples; é preciso intencionalidade e ações práticas. Isso porque ele não surge em ambientes onde a velocidade é mais valorizada do que a profundidade.
Por isso, para criar uma cultura organizacional onde o discernimento humano ande lado a lado da agilidade e da tecnologia, listamos cinco dicas abaixo.
1. Estimule a diversidade cognitiva, na prática
Se você busca meios de como ter mais pensamento crítico na sua empresa, um dos primeiros passos é estruturar uma equipe multicultural e diversa
Times homogêneos tendem a concordar entre si sem fazer questionamentos. Para evitar isso, a liderança deve promover a rotação de squads ou criar comitês multidisciplinares para validar projetos importantes.
Além disso, ter pessoas com diferentes conhecimentos e vivências analisando o mesmo problema força o grupo a considerar perspectivas que a IA sozinha não alcançaria.
2. Institucionalize o pensamento crítico
Em reuniões de decisão estratégica, a liderança pode designar rotativamente uma ou mais pessoas para serem as “críticas oficiais”. A função desse grupo será questionar as propostas, encontrar falhas na lógica da IA e perguntar “e se estivermos errados(as)?”.
3. Crie segurança psicológica para o erro e a dúvida
Se alguém questiona um dado trazido pela IA ou pela própria gestão, isso deve ser visto como uma contribuição valiosa, não como resistência. O time precisa saber que não será punido por apontar falhas no plano; pelo contrário, será reconhecido por evitar riscos.
Leia também: Como criar um ambiente de segurança psicológica para as pessoas colaboradoras?
4. Desacelere para aprofundar
A IA traz velocidade, mas o pensamento crítico exige tempo. Por esse motivo, as lideranças precisam garantir que suas equipes tenham espaços de tempo focados (deep work) para analisar relatórios complexos.
Isso porque exigir respostas imediatas para tudo força o cérebro a usar atalhos mentais, o que aumenta a chance de erro mesmo com a supervisão humana.
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5. Invista em educação corporativa
Letramento em IA, estudos em dados e lógica são de extrema importância, pois as pessoas colaboradoras precisam entender como os algoritmos funcionam para saberem exatamente onde a máquina costuma se perder nos resultados.
Implementar essas mudanças exige mais do que apenas boa vontade. É preciso oferecer as ferramentas certas para que o time desenvolva seu próprio pensamento crítico.
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