IA supera médicos em triagem de emergência, aponta estudo de Harvard 

Fabrício Carraro
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Um estudo publicado na revista Nature pela Harvard Medical School testou o modelo O1, da OpenAI, em 76 pacientes reais atendidos em um pronto-socorro de Boston.  

A IA acertou o diagnóstico em 67% dos casos, enquanto médicos humanos acertaram entre 50 e 55%. Quando os dados clínicos completos estavam disponíveis, a precisão da IA chegou a 82%.  

67% diagnósticos corretos pela IA 82% precisão com dados clínicos completos 89% acerto em planos de tratamento complexos 

O que a pesquisa da Harvard encontrou 

A pesquisa da Harvard Medical School avaliou se sistemas de inteligência artificial conseguiriam superar médicos humanos em tarefas de triagem e diagnóstico em emergências hospitalares.  

A pesquisa envolveu 76 pacientes reais atendidos em um pronto socorro de Boston e os resultados foram publicados na revista Nature.  

O processo entre a pesquisa, a revisão e a publicação na revista Nature costuma levar de um a dois anos.  

Em linhas gerais, a pesquisa encontrou os seguintes resultados:  

  • O modelo O1 da OpenAI acertou ou chegou muito próximo do diagnóstico correto em 67% dos casos, contra 50-55% dos médicos humanos. Uma diferença de 12 a 17 pontos percentuais. 
  • Quando as informações clínicas estavam completas e disponíveis para o modelo, a precisão da IA saltou para 82%. 
  • Em um segundo experimento, focado em planos de tratamentos complexos (como o uso de antibióticos e cuidados paliativos), a IA atingiu 89% de acerto. Os médicos, usando métodos tradicionais de pesquisa, alcançaram 34%.  
  • Um ponto de destaque é o caso em que, enquanto os médicos investigavam um coágulo no pulmão, a IA identificou que a paciente tinha lúpus, condição que explicava a inflamação e que os médicos não haviam considerado.  

Por que isso importa para quem trabalha com tecnologia 

O estudo de Harvard é um dos primeiros publicados em uma revista científica de alto impacto a comparar diretamente o desempenho de LLMs com médicos humanos em um ambiente clínico real, não em testes sintéticos ou simulações. 

Para pessoas desenvolvedoras e pessoas que trabalham com IA aplicada, especialmente com dados de saúde, sistemas de apoio a decisões clínicas e produtos B2B para hospitais, os números mudam a régua do que já é possível com modelos disponíveis comercialmente.  

Um ponto de atenção importante: os pesquisadores ressaltam que a IA avaliou apenas as informações textuais de pacientes. Ou seja, não entraram nessa equação sinais humanos (aparência, nível de dor, comportamento), que só médicos presencialmente conseguem captar.  

No fim das contas, o resultado da pesquisa não indica a substituição de médicos, mas o uso de IA como uma ferramenta de apoio para chegar ao diagnóstico correto. 

Inclusive, vale notar que a pesquisa usou o modelo O1, lançado pela OpenAI em 2024. Em contrapartida, é fato que os modelos atuais já evoluíram de forma significativa. O que sugere que os resultados de novos testes podem ser ainda mais expressivos.  

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Fabrício Carraro
Fabrício Carraro

Fabrício Carraro é formado em Engenharia da Computação pela UNICAMP e pós-graduado em Data Analytics & Machine Learning pela FIAP. Atualmente, mora na Espanha.

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