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Os principais erros na transformação digital das empresas

Francine Ribeiro

Francine Ribeiro


Pontos-chave:

  1. Segundo dados da PwC, 89% das lideranças de operações dizem que seus investimentos em tecnologia ainda não retornaram como esperado.
  2. Os desafios da transformação digital mais comuns são estratégicos e humanos, como falta de clareza de objetivo, ausência de liderança executiva e times sem capacitação para operar o que foi implementado.
  3. A diferença entre as organizações que transformam e as que ficam presas em pilotos está na capacidade de alinhar tecnologia, processos e pessoas, além de tratar a transformação como uma jornada contínua, não um projeto com data de entrega.

Nunca houve tantas ferramentas, plataformas e soluções tecnológicas disponíveis para facilitar o dia a dia das empresas. E, mesmo assim, aplicar a transformação digital continua sendo um dos maiores desafios corporativos da atualidade.

Segundo a nossa pesquisa “Educação Tech & Inovação nas Empresas 2025/26”, 87% das organizações afirmam que ainda possuem aspectos que precisam evoluir em maturidade digital. O dado revela que o problema não é a falta de acesso à tecnologia; mas a dificuldade de aplicá-la de forma consistente, integrada e com adesão real das pessoas.

A PwC reforça esse cenário: 89% das lideranças de operações dizem que seus investimentos em tecnologia ainda não entregaram totalmente os resultados esperados, citando complexidade de integração, dados de baixa qualidade e dificuldade de adoção pelas equipes.

O desafio, portanto, raramente é sobre baixo investimento; mas a falta de clareza sobre o que, de fato, faz uma transformação digital funcionar e qual é o papel da gestão nesse processo.

Continue a leitura para entender melhor o que é transformação digital, quais são os erros mais comuns na implementação e como estruturar uma jornada que gere valor para a sua organização.

O que é transformação digital?

Transformação digital é o processo de integrar tecnologia de forma contínua na operação de uma organização, para entregar valor e facilitar a tomada de decisão. Ou seja, é uma mudança de modelo de negócio, cultura e capacidades.

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Na prática, uma empresa passa por transformação digital quando usa a tecnologia para repensar a forma como trabalha, se relaciona com clientes, analisa informações, reduz ineficiências e cria novas oportunidades de crescimento.

Isso pode envolver desde a digitalização de processos operacionais até o uso de dados, Inteligência Artificial, automação de processos, plataformas integradas e novos canais digitais.

Para que essa mudança aconteça de forma estruturada, ela se apoia em cinco pilares da transformação digital que precisam evoluir em conjunto:

  • 1. estratégia;
  • 2. cultura;
  • 3. dados;
  • 4. tecnologia;
  • 5. pessoas.

10 principais erros na transformação digital das empresas

A seguir, elencamos os principais erros que impedem as empresas de transformar tecnologia em resultado e, principalmente, o que fazer para que a transformação digital deixe de ser apenas um projeto e passe a gerar valor.

1. Começar pela tecnologia, não pelo problema

O erro mais frequente — e o mais caro — costuma ser a implementação de uma plataforma, como ferramentas de IA, antes da empresa definir com seus times quais desafios do negócio a tecnologia precisa resolver.

O resultado é previsível: infraestrutura cara, subutilizada e desconectada das necessidades reais das equipes, além de gerar uma barreira entre as pessoas e a adoção da tecnologia.

Antes de contratar qualquer solução, reúna os membros da sua empresa para discutir qual decisão de negócio vai ser diferente, mais rápida ou mais confiável com a tecnologia.

2. Ausência de liderança executiva

Projetos de transformação digital executados apenas por times de tecnologia ou por uma área isolada raramente ganham a força necessária para gerar mudanças reais.

Isso porque, quando a liderança executiva não participa ativamente, a transformação tende a virar apenas uma implementação de ferramentas, sem impacto nos processos, nos comportamentos e na cultura da empresa.

A transformação digital precisa ter lideranças que comunicam o propósito da mudança, ajudam a priorizar iniciativas, removem barreiras internas, tomam decisões difíceis quando necessário e são um exemplo a ser seguido.

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3. Subestimar a resistência às mudanças

A resistência à mudança é um dos maiores obstáculos em qualquer processo de transformação digital. E ela não deve ser interpretada automaticamente como sabotagem ou falta de interesse.

Muitas vezes, é apenas uma reação natural diante da incerteza, da sobrecarga, da falta de clareza ou do medo de perder espaço dentro da organização.

Para evitar esse tipo de desafio, além de implementar a tecnologia, é preciso preparar as equipes, oferecer treinamento, escutar dúvidas, ajustar processos e criar um ambiente em que a mudança seja acompanhada de perto.

Leia também: Gestão de mudança — o que é e como implementar

4. Tratar a transformação como projeto, não como jornada

Transformações digitais com "data de conclusão" tendem a fracassar. Isso porque o mercado muda, as tecnologias evoluem e os processos precisam de ajuste contínuo.

Empresas que encerram um projeto quando a ferramenta é implementada descobrem, geralmente em 12 a 18 meses, que a tecnologia já está desatualizada ou que os processos ao redor dela nunca foram realmente transformados.

5. Ignorar a qualidade dos dados

Inovação e transformação digital dependem de dados confiáveis. Sistemas de IA treinados com informações inconsistentes produzem resultados incorretos, assim como automações construídas sobre integrações frágeis podem falhar sem que a equipe perceba de imediato.

Quando a empresa não cuida da qualidade dos dados, qualquer iniciativa digital fica comprometida desde a base. Por isso, antes de escalar soluções de IA, automação ou análise de dados, é essencial revisar a governança, a padronização e a confiabilidade das informações.

Leia também: Modern Data Stack: o que é e como estruturar na prática

6. Capacitar o time apenas no início

Um dos erros mais silenciosos é oferecer treinamento apenas no início da adoção da ferramenta e não investir em aprendizado contínuo. Softwares evoluem, novas funcionalidades surgem, processos mudam e times sem atualização perdem eficiência progressivamente.

As empresas podem promover a transformação digital na educação corporativa por meio de treinamentos recorrentes, materiais de apoio, acompanhamento prático, plataformas de estudo, troca de aprendizados entre áreas e abertura para dúvidas durante o uso real das ferramentas.

Leia também: Letramento em IA: o que é e por que sua empresa precisa

7. Não conectar automação à estratégia de negócio

O papel da automação na transformação digital é central, mas essa automatização sem estratégia pode apenas acelerar problemas que já existem.

Antes de começar, além de responder à pergunta: “como podemos automatizar isso?”, fale com a sua equipe para responder a questões como:

  • “esse processo ainda faz sentido?”
  • “ele precisa ser redesenhado?”
  • “ele deveria ser eliminado?”

Quando a automação está conectada à estratégia de negócio, ela deixa de ser uma simples busca por produtividade e passa a apoiar objetivos maiores, como redução de erros, melhora da experiência de clientes, aceleração de decisões e liberação do time para atividades mais relevantes.

8. Subestimar o impacto cultural

A tecnologia é uma das partes mais visíveis da transformação digital, mas a cultura organizacional costuma ser uma das mais difíceis de mudar.

Organizações muito hierárquicas, com baixa colaboração entre os setores e pouca tolerância ao erro, tendem a ter mais dificuldade para adotar novos modelos de trabalho. A transformação digital exige abertura para testar, aprender, ajustar processos e tomar decisões com base em dados. Quando a cultura da empresa não permite isso, a tecnologia encontra resistência constante.

Neste caso, a mudança precisa acontecer junto com a implementação tecnológica. É necessário envolver as lideranças, criar espaços de escuta ativa, incentivar a colaboração entre áreas e mostrar, na prática, como os novos processos contribuem para a rotina das equipes e para os resultados do negócio.

9. Escalar antes de validar

A pressão por resultados rápidos leva muitas organizações a escalar projetos antes de validá-los adequadamente. Pilotos que funcionam em um contexto controlado, com time dedicado e acompanhamento próximo, podem falhar quando são ampliados para toda a organização.

Isso acontece porque as condições que fizeram o piloto funcionar nem sempre se repetem em outras áreas, unidades ou equipes. Pode haver diferenças de maturidade digital, qualidade dos dados, preparo das pessoas, integração com sistemas existentes ou capacidade de suporte.

Por conta disso, o ideal é começar a testagem em menor escala, medir resultados, ouvir as pessoas, corrigir falhas e só então expandir. Escalar cedo demais pode transformar um desafio pequeno em um problema organizacional.

10. Não medir o que importa

Organizações frequentemente medem o processo da transformação, mas não o impacto real que ela deveria gerar. Acompanham quantas ferramentas foram implementadas, quantas pessoas foram treinadas ou quanto foi investido, mas deixam de avaliar se a transformação melhorou de fato os resultados do negócio.

Indicadores de sucesso precisam estar conectados a objetivos concretos. Isso pode incluir redução de tempo de ciclo, aumento de receita, melhora na satisfação de clientes, diminuição de erros operacionais, ganho de produtividade ou redução de custos. Sem essa conexão, a empresa corre o risco de confundir atividade com progresso.

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Transformação digital: exemplos

Mais útil do que listar os desafios da transformação digital é observar o que as organizações que deram certo fizeram de diferente. Confira dois casos de sucesso.

Ambev

A Ambev construiu um dos ecossistemas digitais mais relevantes do setor de bebidas. O BEES, plataforma B2B que conecta a empresa diretamente a bares, restaurantes e distribuidores, e o Zé Delivery, canal direto para pessoas consumidoras, transformaram a lógica de distribuição da companhia.

Segundo o “Earnings Release do 1T26” da própria Ambev, o Volume Bruto de Mercadoria (GMV) do BEES Marketplace cresceu 59% no primeiro trimestre de 2026, enquanto o Zé Delivery é descrito pela gestão como um "hub de inovação" com altos números positivos.

Bradesco

A BIA (Bradesco Inteligência Artificial), criada pelo Bradesco em 2016, transformou progressivamente os processos de atendimento, análise de crédito e desenvolvimento de software.

Segundo o próprio Bradesco, a BIA atende hoje 24 milhões de clientes e 100% das pessoas colaboradoras do banco. Desde o início do programa de transformação digital, mais de 2.100 profissionais de tecnologia foram contratados(as), com entregas de novas funcionalidades em até 40 dias.

Esses exemplos de empresas especialistas em transformação digital mostram que a mudança não depende apenas da escolha de boas ferramentas; ela exige estratégia, dados confiáveis, liderança ativa e, principalmente, pessoas preparadas para aplicar a tecnologia no dia a dia.

É nesse ponto que a capacitação corporativa se torna uma alavanca essencial para sustentar a mudança.

A Alura Para Empresas apoia organizações em toda a jornada de transformação digital, do letramento em IA à formação de times técnicos capazes de implementar, operar e evoluir sistemas digitais. Nossas trilhas de aprendizagem são desenhadas para conectar o desenvolvimento das pessoas aos objetivos estratégicos da sua organização.

Fale com nossa equipe de especialistas e saiba como podemos estruturar um programa de capacitação personalizado para sua organização!

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Francine Ribeiro
Francine Ribeiro

Analista de Conteúdo da Alura +FIAP Para Empresas. Jornalista de formação, com MBA em Comunicação Corporativa pela Universidade Tuiutí do Paraná (UTP) e MBA em Business Strategy e Transformation pela FIAP. Atua com produção de conteúdo para empresas desde 2009 e com marketing digital desde 2016.