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Comunicação inclusiva e vieses inconscientes

Palestra - Parte #1

Olá! Me chamo Marcus Kerekes.

Audiodescrição: Marcus se identifica como um homem branco. É cadeirante e tem 1,80 de altura, com cabelos curtos e calvo. Usa óculos de armação marrom e arredondada e veste uma blusa de frio amarela.

Trajetória

Sou natural de Osasco, cidade da qual me orgulho muito. Sou casado e há 30 anos uso cadeira de rodas. Tornei-me cadeirante aos 15 anos, após ser diagnosticado com a Síndrome de Guillain-Barré, uma doença que causou uma lesão medular permanente. Mês passado, completei 30 anos nessa condição. Essa experiência marcou o início da minha trajetória no campo da diversidade e inclusão.

Antes de fundar a Diversitera em 2020, construí uma carreira executiva em grandes empresas, onde trabalhei por longos períodos. Atuei na DuPont, Microsoft e Dalquímica. A Diversitera, que é uma startup e consultoria focada em diversidade e inclusão, trabalhamos principalmente com dados e oferece treinamentos nessa área. Além disso, desde o final de 2020, sou professor nos programas de MBA da FIAP.

Vou apresentar um tema profundo e rico, com bastante conteúdo. Como o tempo é limitado, vou focar nas noções básicas, oferecendo um ponto de partida que poderá ajudar no dia a dia de vocês, especialmente nas diferentes dimensões que irão analisar no processo de comunicação.

Vamos explorar como tornar a comunicação mais inclusiva, não apenas nos treinamentos, mas de forma geral. Entenderemos o que é realmente uma comunicação inclusiva, analisando o processo de comunicação em detalhes e incorporando elementos de inclusão, além de explicar os motivos para essa inclusão.

Voz e mobilização

Antes de prosseguir, é importante entender o contexto do que está acontecendo no mundo. Estamos passando por um dos processos de transformação mais significativos da história da humanidade, uma mudança profunda na sociedade, impulsionada e facilitada pela tecnologia.

Estamos vivenciando uma evolução tecnológica sem precedentes, e ainda estamos aprendendo a lidar com ela. Hoje, a tecnologia e a mobilidade estão presentes em todos os aspectos da vida, o que transforma as dinâmicas sociais.

Situações que sempre existiram na sociedade agora ocorrem em tempo real, sendo filmadas, fotografadas e reportadas instantaneamente. Isso amplifica a voz das pessoas e facilita a mobilização.

Grupos que antes estavam segregados ou à margem da sociedade, sem contato com seus semelhantes, agora estão se conectando. Com as redes sociais e a conexão de todos, surge uma nova dinâmica de voz e mobilização.

Expectativa de vida

A tecnologia está desempenhando um papel crucial ao aumentar a expectativa de vida. Esse aumento apresenta tanto desafios quanto oportunidades significativas, mas com o avanço da tecnologia e medicina estamos conquistando isso também.

Tecnologia a serviço da vida

O avanço tecnológico também está permitindo que pessoas anteriormente consideradas não produtivas ou fora do mercado de trabalho possam agora participar ativamente dele. Assim, a tecnologia também está promovendo a inclusão.

Conhecimento

A tecnologia também está transformando completamente a maneira como interagimos com a informação e o conhecimento. A forma como absorvemos, acessamos e compartilhamos conhecimento mudou drasticamente.

Quando pensamos em diversidade e inclusão, a questão geracional é um aspecto importante. Atualmente, essa questão está se tornando central nas discussões dentro das empresas.

Existem duas gerações com visões muito diferentes sobre comunicação e informação. Uma dessas gerações, à qual eu pertenço, cresceu buscando informação na Enciclopédia Barsa, lendo jornais entregues diariamente em casa, ou esperando pelas revistas semanais aos domingos.

Para fazer um trabalho na faculdade ou na escola, era necessário ir a uma biblioteca. Em contraste, a geração Z, nascida após 1996, cresceu em um mundo onde as redes sociais e a tecnologia já estavam bastante avançadas, com a informação circulando rapidamente e acessível ao toque de um botão.

O contato e a forma de lidar com a informação são completamente diferentes entre essas duas gerações. Hoje, essas gerações coexistem nas empresas, e isso deve ser levado em conta na comunicação e na disseminação de conhecimento.

Informação

A informação mudou completamente a forma como interagimos e vivemos. No ambiente da comunicação, isso abre várias possibilidades e transformações no processo de comunicação.

Diagrama conceitual com círculos de tamanhos variados em tons de roxo e cinza, representando diferentes aspectos do tema Comunicação e DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão). No centro em texto grande está a frase "Falar de comunicação e DEI é muito amplo, podemos ir para muitos lugares." Os círculos contêm palavras e frases como "Marca", "Eventos e Ativações", "Inteligência Artificial", "Propaganda", "Canais", "Relacionamento", "Audiovisual", "Representatividade", "Redes Sociais", "Estética", "Design", "Mensagem", "Ética", "Algoritmos", "Endo-marketing", "Legislação", e "Semiótica". No canto superior direito, o slide é numerado como "11" e tem a marca "FIA Corporate". Na parte inferior consta o aviso "Informação confidencial de uso restrito. Acesso restrito ao indivíduo autorizado da organização para fins específicos.

Existem várias dimensões e escopos a serem considerados na análise de diferentes canais e espectros de comunicação. Vamos apresentar isso de forma mais conectada e condensada para servir como um ponto de partida na reflexão sobre o processo de comunicação.

Palestra - Parte #2

Eu comunico,

Tu comunicas,

Nós comunicamos

O primeiro ponto a considerar é que a comunicação é um ato coletivo. Para que a comunicação aconteça, é necessário ter um emissor e um receptor da mensagem, independentemente do canal utilizado.

Outro aspecto importante que relaciona a comunicação com a diversidade e inclusão é a confiança. Para que a comunicação seja eficaz e a mensagem seja bem recebida, é fundamental que haja confiança entre as partes envolvidas.

Vamos refletir sobre a diversidade e a inclusão na comunicação, começando pela premissa básica.

Alguma vez vocês já pensaram em comunicação, não como um serviço, mas como um direito?

Embora esta seja uma ideia relativamente recente, a Comunicação é um direito humano fundamental, legalmente reconhecido como tal em alguns países, como Bolívia e Equador.

Fonte – Declaração Universal dos Direitos Humanos | Organização das Nações Unidas | Unesco

Em alguns países, a comunicação é considerada um direito fundamental. Ela é reconhecida na Declaração Universal dos Direitos Humanos e, em alguns lugares, é incorporada diretamente na legislação nacional.

Isso porque a comunicação é um instrumento de acesso.

Há outros direitos básicos como saúde, educação, trabalho, liberdade, etc.

Fonte - Agência Brasil EBC

A comunicação é vista como um direito porque funciona como um meio de acesso. Ela atua como uma ponte, permitindo que tenhamos acesso a informações essenciais e conectando-nos com a sociedade.

A comunicação é meio de expressão.

Criamos, propagamos, transmitimos aquilo que somos.

Além disso, a comunicação é uma forma de expressão, permitindo-nos transmitir quem somos e como desejamos ser percebidos.

Dessa forma, a comunicação é essencial para a cidadania. É através dela que conseguimos acessar e exercer nossos direitos. Por isso, a comunicação inclusiva é tão importante, pois garante que todos tenham acesso aos direitos básicos e possam exercer sua cidadania plenamente.

O que é diversidade?

Quando consideramos a diversidade, a comunicação desempenha um papel crucial ao promover e facilitar o convívio e o diálogo entre pessoas diferentes. Diversidade, essencialmente, refere-se à pluralidade e às diferenças dentro de um mesmo contexto. Portanto, a comunicação é fundamental para unir essas diferenças.

Por acaso, você já considerou a diversidade como um valor?

No sentido ético (Filosofia e Sociologia), valores são normas, padrões, preferências, crenças, concepções desejáveis que orientam a prática e são produtos das relações sociais.

Como a comunicação é essencial, vale a pena começar a considerar a diversidade como um valor. Um valor define padrões, normas e maneiras de nos conectar e socializar. Portanto, a diversidade pode e deve se tornar um valor.

Inclusão

Ação de agregação dos diferentes e das diferenças. Algo que certamente todos desejamos, então...

Quando a diversidade é vista como um valor, a inclusão se torna essencial. A inclusão é promovida pela comunicação eficaz. Em um ambiente diverso, uma comunicação efetiva conecta pessoas diferentes, facilita a empatia e a conexão, e ajuda a criar grupos sinérgicos.

No contexto corporativo, a diversidade e a inclusão trazem um valor significativo para o ambiente de trabalho. A beleza da diversidade e inclusão é que, quando bem aproveitada, essa equação resulta em distintos pontos de vista que enriquecem a empresa e a corporação.

Esses diferentes pontos de vista são valiosos para o processo de inovação, a mitigação de riscos, a tomada de decisões e outros aspectos.

A comunicação serve como um meio essencial para promover a inclusão, que pode ser considerada um interesse público. Em resumo:

A missão da comunicação é garantir que um direito promova um valor de interesse público.

Portanto, o papel da comunicação é garantir que a diversidade e a inclusão se concretizem, permitindo que todas as pessoas sejam integradas no ambiente corporativo e nos diversos ambientes em que vivemos.

O conceito de comunicação inclusiva é que ela deve ser compartilhada por todos, envolvendo a participação de todos na totalidade. Em essência, todos devem ter a oportunidade de participar.

Palestra - Parte #3

Nesta parte, vamos entender na prática e tentaremos fracionar o processo de comunicação, isto é, como ele ocorre desde as pessoas remetentes e emissoras até as destinatárias e receptoras.

Comunicação inclusiva

Fracionando o processo de comunicação

Podemos dividir o processo de comunicação em 3 partes importantes:

  1. Primeiramente, pensamos em um canal ou ponto de contato. Qual tipo de veículo será usado para a comunicação? O que é importante pensar do ponto de vista de canal? A palavra-chave, neste caso, é acessibilidade. Todas as pessoas conseguem ter acesso a este canal, ou seja, a esta comunicação? Ela é acessível para todas as pessoas?
  2. Em seguida, pensamos na mensagem. Todos compreendem? Nesse caso, as palavras-chave são: língua; linguagem; e cultura, por exemplo. Sendo assim, são considerados aspectos culturais e socioeconômicos;
  3. Por último, pensamos nos signos, como o design, códigos, contextos, elementos visuais, e assim por diante. Basicamente, ao pensar do ponto de vista de diversidade e inclusão, as palavras-chave são representação e representatividade. As pessoas precisam se sentir representadas na comunicação com a qual têm contato. Isso ajuda na conexão e na criação de confiança.

O que é acessibilidade?

Para detalhar um pouco mais a respeito do canal, vamos entender o que é acessibilidade. Trata-se de meios para viver dignamente e livre de barreiras que impeçam o acesso a direitos básicos.

A acessibilidade não pressupõe apenas o cumprimento de normas. Para ser plena, o ponto de chegada da acessibilidade deve ser a autonomia. A pessoa precisa agir de maneira autônoma para a execução e o contato com o que precisa executar.

Qual a diferença entre língua e linguagem?

Em seguida, pensando na mensagem, nos referimos a língua e linguagem. Quando falamos sobre acessibilidade, muitas vezes, isso é automaticamente vinculado à pessoa com deficiência.

No caso de mensagem, podemos vincular a essa questão. Ao pensar, por exemplo, em pessoas surdas no ambiente corporativo, a Libras não é uma linguagem, mas sim uma língua, um idioma. Embora muitas pessoas considerem como linguagem, trata-se de um idioma específico.

Dito isso, é importante que essas pessoas sejam consideradas no contexto da comunicação. Elas têm acesso? Como isso é comunicado a ela, chegando no idioma que ela fala? Pensando no ambiente corporativo, quais possibilidades ela tem de se expressar, se comunicar e ser entendida?

O que é representação e representatividade?

Pensando em design, temos a questão da representatividade — um aspecto básico do ser humano, pois todas as pessoas precisam se sentir representadas, a partir de um espelhamento de suas características únicas. Conceitualmente, trata-se da capacidade de a pessoa se sentir incluída; a representação versa sobre agir ou falar por um grupo.

Desde a infância, começamos a buscar referências. Procuramos por representatividade nessas referências. Quando uma criança nasce, por exemplo, a primeira referência são os próprios pais.

Depois, a referência dessa criança pode ser uma pessoa jogadora de futebol, por exemplo. Em seguida, a referência se transforma em algo relacionado a uma carreira que essa pessoa quer seguir.

As referências mudam conforme o tempo, e para termos motivação, ambições, e para conseguirmos conectar essas referências com a nossa vida, a representatividade é essencial.

Canal: qual a forma e o meio utilizado?

Em relação ao canal, é importante pensar na forma e no meio que são utilizados.

Abaixo, trouxemos alguns exemplos:

Canal: ele é acessível e livre de barreiras?

Pensando em acessibilidade, devemos refletir se o canal é livre de barreiras. Nesse caso, quais barreiras podemos mencionar? Algumas delas são:

Há 2 meses, participamos do Web Summit no Rio de Janeiro, uma feira grande e conhecida. Com base nessa experiência, trouxemos alguns relatos em relação à acessibilidade.

A acessibilidade da localização do evento não era tão amigável para pessoas cadeirantes. O estande que estávamos era alto para as pessoas ficarem de pé, então o computador ficava sempre no colo.

Além disso, a forma de comunicação com as pessoas era afetada por ser um ambiente ruidoso e com muitas pessoas em pé. Dessa forma, o som se propaga sempre para frente e, consequentemente, o instrutor tinha dificuldade de escutar as pessoas ao conversar na frente do estande.

Portanto, a experiência que o instrutor teve não foi plena. Esse é apenas um exemplo de como a acessibilidade é importante nesse contexto.

Mensagem: todos compreendem? Ela organiza diferentes pontos de vista, existências e experiências?

Quando pensamos na mensagem, existem 7 pontos-chave que podem nos ajudar a pensar na organização do texto. São eles:

  1. A mensagem é polifônica? Ou seja, quantas vozes estão presentes naquele momento? Quantas vozes diferentes uma pessoa consegue acompanhar?
  2. Ela não é discriminatória? Independentemente da maneira, existe qualquer tipo de contexto discriminatório nha mensagem? Falaremos mais sobre discriminação logo adiante, mas o preconceito não necessariamente é intolerante. Muitas vezes, ele se dá de forma sutil e, para a pessoa que pratica, não está evidente;
  3. A mensagem é inteligível? Todas as pessoas conseguem compreender a mensagem?
  4. Ela é simples e objetiva?
  5. Quando técnica, ou seja, quando questões técnicas são indispensáveis, a mensagem busca ser didática, de modo que um maior número de pessoas consiga entender?
  6. Caso precise de tradução, ela é considerada na mensagem? Além disso, a tradução está adequada para que receptores de outras comunidades linguísticas entendam?
  7. Por fim, a mensagem é transparente?

Esses são os 7 aspectos básicos da mensagem. Basicamente, todos eles estão relacionadas à compreensão: todas as pessoas entendem a mensagem? Ela consegue ser efetiva para todas?

Design: todos se identificam? Ele nos faz sentir a representatividade e a capacidade de representar outras pessoas?

Por fim, pensando na comunicação visual, isto é, na parte de design, algo que está muito conectado é a representatividade. Por exemplo: ao longo dos 30 anos do instrutor como pessoa cadeirante, ele só começou a se sentir representado em publicidades de maneira geral nos últimos anos.

Até então, pessoas com deficiência eram sempre retratadas em uma situação inferior: sempre em uma situação de doença, de limitação, somente quando aparecia em alguma publicidade.

Recentemente, o segmento de publicidade e comunicação começou a perceber que somos pessoas consumidoras e vivemos em sociedade. Trata-se de algo simples, mas ver uma pessoa cadeirante em uma propaganda, entrando em um restaurante para aproveitar com os amigos, é algo que conecta.

Pode parecer trivial, mas quando vemos uma representação nossa em uma situação diferente daquela estereotipada pela sociedade, criamos uma conexão muito importante, isto é, uma representatividade importante. É sutil, mas para quem passa por isso, é extremamente impactante.

Entendendo a importância da inclusão no processo de comunicação

Para finalizar, trouxemos alguns dados para explicar melhor a importância de trabalhar a questão da inclusão no processo de comunicação.

Quando falamos da comunidade de pessoas surdas, 80% delas têm dificuldade com as línguas escritas. Portanto, não necessariamente legendas ou transcrições, por exemplo, atenderão à necessidade dessa parcela da população. Ao pensar na deficiência, vale a pena analisar caso a caso, pois não se trata de uma questão binária, e sim de um aspecto amplo e de nuances.

Cada caso é um caso, e devemos considerar um escopo amplo de questões de deficiência no processo de comunicação, trabalhando sempre a acessibilidade dos canais. Nesse caso, focamos mais em canais internos, mas quando pensamos no público externo, o mesmo se aplica.

Sobre o curso Comunicação inclusiva e vieses inconscientes

O curso Comunicação inclusiva e vieses inconscientes possui 49 minutos de vídeos, em um total de 5 atividades. Gostou? Conheça nossos outros cursos de Softskills e Carreira em Inovação & Gestão, ou leia nossos artigos de Inovação & Gestão.

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