Analisando o tema do DNA da Influência
Muito bem, ao começarmos, é importante analisarmos o tema do DNA da Influência, que promove uma transformação do papel de executor para estrategista de produto. Dentro dessa perspectiva, devemos considerar o que chamamos de paradoxo da relevância. Embora o nome possa parecer complexo, ele não é, e vamos explicar.
Imagine a situação em que apresentamos um projeto de design que consideramos bem elaborado, no qual investimos tempo e construímos algo intuitivo e baseado em dados. Ao apresentá-lo em uma reunião, já ansiosos, ouvimos a frase: "Ficou lindo, mas não temos tempo ou dinheiro para isso. Guarde na gaveta ou no backlog, para ser esquecido." Esse é o sintoma do paradoxo da relevância.
Refletindo sobre a influência do UX design
Nós, que atuamos em UX design, nunca tivemos tantas ferramentas e discursos sobre a importância do usuário, mas raramente influenciamos as decisões que realmente importam. Por quê? Porque, enquanto nos tornávamos especialistas em informação e design, a área de negócios não aprendeu a nos ouvir. E, em parte, a culpa é nossa. Precisamos dividir essa responsabilidade, pois o bom design se tornou uma commodity. Ser centrado no usuário, ou user centric, é jargão, padrão, básico. O mercado está repleto de profissionais que executam bem, mas não respondem a uma pergunta básica feita por líderes, CEOs e conselhos: "Como isso nos ajudará a vender mais, perder menos clientes ou operar de forma mais barata e eficiente?"
Se a resposta for, como frequentemente acontece, "é para melhorar a experiência", já perdemos a discussão. Nosso espaço não tem mais volta, ou talvez tenha, dependendo da nossa determinação. Para reverter essa situação, há esperança. Precisamos entender a história do UX não como uma linha do tempo, mas como um trabalho para conquistar relevância estratégica. Esse tema é recorrente em livros e vídeos.
Explorando os pilares do UX moderno
Ao refletirmos, percebemos que a base do UX moderno foi solidificada por dois conceitos chave. O primeiro é a clareza de Donald Norman, que ajudou a criar o termo UX e nos ensinou que um bom design se comunica de forma invisível, eliminando o atrito cognitivo e diminuindo a carga mental.
Outro pilar importante é a urgência destacada por Steve Krug, que escreveu livros notáveis e nos lembrou que as pessoas usuárias não têm tempo a perder. Elas escaneiam informações rapidamente, sem ler detalhadamente, e buscam soluções imediatas.
Destacando metodologias de design inovadoras
Além desses dois pilares, podemos mencionar o Design Thinking, popularizado pela IDEO e Tim Brown, e o Design Sprint de Jake Knapp, do Google. Esses conceitos, baseados nas ideias de Krug e Norman, foram apresentados a diretores como um processo para transformar empatia em inovação. Isso demonstrou, tanto para nós quanto para outras pessoas, o valor do UX antes de investir milhões no desenvolvimento de um produto, utilizando código e envolvendo uma equipe.
Um exemplo de como essa abordagem pode ser transformadora é o Nubank. A inovação do Nubank não foi no produto cartão de crédito em si, que já existia, mas na experiência. Eles eliminaram a burocracia, a raiva e a frustração associadas aos bancos tradicionais, como filas e a necessidade de falar com gerentes. Cada decisão de UX foi uma estratégia de negócio.
Exemplificando o impacto do UX em negócios
Outro exemplo é o iFood, que não vende apenas comida, mas tempo e conveniência. Nesses casos, a experiência é o produto.
No cenário atual, a inteligência artificial surge como uma ferramenta e parceira para escalar o trabalho de empatia. Por exemplo, como entender a dor de 10 milhões de pessoas usuárias? A inteligência artificial analisa dados brutos, captura reviews, tickets de chamada e suporte, e nos fornece um mapa dos principais problemas e emoções, permitindo que nosso foco seja na estratégia, não na análise manual, reduzindo a margem de erro.
Enfatizando a importância do pensamento estratégico em design
Devemos ter claro que dominar o Figma, nosso software preferido para design de telas, é apenas o começo. O que realmente nos torna pessoas de design estratégico é a capacidade de traduzir um problema de usuário, como o abandono de carrinho de compras em um site de e-commerce, em um problema de negócio. Por exemplo, podemos identificar que estamos perdendo 2 milhões de reais por mês porque o processo de checkout é confuso. Essa diferença de pensamento é crucial.
Portanto, se estamos atuando ou pretendemos atuar em design, devemos nos perguntar: queremos ser pagos para desenhar o que nos pedem ou para descobrir o que realmente precisa ser construído? Essa resposta definirá o impacto que desejamos trazer com nossa visão de experiência do usuário.