Olá, meu nome é Larissa de Oliveira. Trabalho há mais de dez anos na área de tecnologia e, nos últimos seis anos, atuo como líder técnica e líder de comunidades técnicas. Estou aqui para ministrar este curso incrível e fundamental para quem trabalha com liderança técnica. Existem diversas nomenclaturas hoje na área de tecnologia para quem está no topo, no que diz respeito à liderança técnica propriamente dita. O curso é sobre comunicação estratégica na liderança técnica.
Este ponto é crucial no contexto atual do mercado de trabalho. A comunicação é um dos nossos principais ativos. Hoje, precisamos que nossa comunicação se transforme de soft skill (habilidade interpessoal) para hard skill (habilidade técnica), pois as decisões técnicas dependem de clareza, alinhamento e confiança. Dominar essa habilidade de forma robusta e madura, principalmente ao sair de um papel de líder técnico comum para se tornar um líder técnico estratégico, utilizando a comunicação de forma estratégica, nos traz uma autoridade de influência para nossa equipe.
Na Aula 1, veremos a comunicação estratégica na liderança técnica, que é um tema geral. No vídeo 1.1, falaremos sobre apresentação, papel da comunicação, comunicação estratégica versus operativa e também o diagnóstico de comunicação do líder técnico.
Qual é o papel da comunicação na liderança técnica? O líder técnico atua como um intermediário entre o negócio e o produto, gerenciando essa tríade que necessita que a tecnologia funcione para que o produto tenha qualidade e eficácia, e para que o negócio se sustente, atenda às expectativas do cliente, tenha rentabilidade, entre outros aspectos. Portanto, é necessário comunicar decisões técnicas de forma clara, mas não apenas isso. Para públicos distintos, pois os demais atores na área de tecnologia nem sempre serão pessoas técnicas; pode haver equipes não técnicas. Utilizar nossa linguagem e autoridade para transmitir informações de forma clara é uma grande mudança de chave para um líder técnico estratégico.
Utilizar a comunicação como uma forma de redução de risco é essencial. Quando a comunicação é robusta e madura, evitamos retrabalhos, ciclos desnecessários de correção, conflitos e fricções entre áreas e pessoas. Além disso, reduzimos desalinhos, mantemos a equipe na mesma direção e prevenimos decisões equivocadas e escolhas baseadas em informações incompletas. Quanto maior a complexidade técnica, maior a necessidade de uma comunicação estratégica, clara e objetiva.
Qual é o custo do ruído comunicacional? Ruídos na comunicação geram perda de confiança na equipe, criando uma "torre de Babel" ou um "telefone sem fio" entre os membros. Isso ocorre porque, no final, a equipe não recorre à pessoa líder técnica, que deveria ser o elo de comunicação, e acaba tomando decisões por conta própria devido à falta de uma comunicação fluida e de uma estratégia de comunicação com a equipe. Abordaremos isso nas aulas posteriores.
O retrabalho técnico ocorre quando a informação é transmitida de forma incompleta, gerando retrabalho para a equipe, seja por ter feito algo errado, por ter feito algo a menos ou a mais do que foi solicitado, devido a uma falha comunicacional. Isso resulta em atrasos nas entregas e conflitos entre as áreas. Se os relatórios não são levados corretamente para outras equipes, a equipe de tecnologia se torna um interlocutor deficiente sobre decisões de produto e negócio que impactam a área de tecnologia.
Portanto, a conclusão é clara: comunicar bem também é uma gestão de risco técnico. Muitas vezes, pensamos no risco técnico apenas em termos de código, decisões de arquitetura ou segurança da informação, mas a comunicação entre a equipe e entre equipes que utilizam tecnologia também deve prever o risco técnico. Ignorar a qualidade da comunicação tem custos reais e mensuráveis para a equipe e, principalmente, para o produto.
Neste curso, abordaremos de forma ampla a comunicação estratégica, a influência sem autoridade formal, a comunicação em ambientes distribuídos, a gestão de conflitos técnicos e os rituais de comunicação saudável.
Continuando com o tema de comunicação estratégica, vamos apresentar os dois principais tipos de comunicação que devem ser utilizados pela liderança técnica, mas que possuem objetivos e enfoques distintos. São eles: a comunicação operacional e a comunicação estratégica. Agora, entraremos em detalhes.
Na comunicação operacional, focamos no "como". Explicamos como algo funciona, detalhamos a implementação técnica para a equipe e, principalmente, resolvemos as questões do dia a dia dos times de tecnologia. Um bom exemplo é explicar como será feita uma mudança de EPI para a equipe de tecnologia.
Na comunicação estratégica, focamos no "porquê". Explicamos por que as decisões são tomadas de determinada maneira, por que chegamos a um resultado específico e por que uma decisão é necessária. Apresentamos o impacto e ajudamos as pessoas a tomarem decisões informadas sobre o "porquê". Um bom exemplo disso é defender uma mudança de arquitetura e explicá-la à direção executiva de negócios ou de produto.
Existe a estrutura de uma narrativa técnica, e agora entraremos em algo muito importante. Se possível, tome nota, pois isso é muito útil quando começamos a observar a comunicação a partir de uma estrutura mais técnica. Na comunicação estratégica, geralmente seguimos alguns pilares para mantê-la eficaz e eficiente, e essa estrutura funciona da seguinte forma: o primeiro pilar é o contexto. Devemos trazer o contexto da situação para a equipe e resolvê-lo de forma clara. Após o contexto, focamos no problema, entendendo-o de forma global, como ele impacta a equipe de tecnologia, o produto, o negócio e onde está a raiz do problema.
Ao abordar o risco, é importante identificar quais são os riscos associados ao problema, qual impacto esse problema pode ter e, principalmente, quais são as alternativas disponíveis para assumir e resolver esse risco dentro da equipe. Além disso, é fundamental apresentar recomendações após avaliar todos esses pontos, para que o resultado seja claro em sua comunicação. Seguir essa estrutura garante que quem ouve não apenas compreenda a decisão, mas também o raciocínio completo por trás do que foi pensado, através da forma como a comunicação é estruturada.
Quais são os erros mais comuns na comunicação de liderança técnica que podemos estar cometendo e como podemos melhorar isso? Principalmente, o excesso de detalhes técnicos. Sobrecarregar a audiência com informações técnicas em demasia pode ser prejudicial. Vamos raciocinar rapidamente: se estamos em uma reunião técnica com a equipe, como uma revisão de código ou programação em par, é aceitável ter uma comunicação 100% técnica. No entanto, quando o contexto é mais amplo e envolve comunicação com vários times, é preciso ter cuidado com o excesso de detalhes técnicos. Muitas vezes, essa comunicação totalmente técnica não fornecerá as informações necessárias para defender uma postura.
A falta de contexto é outro ponto crítico. O primeiro pilar de uma comunicação estratégica eficaz é o contexto. Apresentar soluções, resultados e problemas sem contextualizá-los não gera uma comunicação eficaz. Opiniões sem evidências ou dados, defender posturas sem argumentos sólidos que incluam uma análise técnica, não se sustentam. Isso pode resultar em dificuldades ao se defender ou ao se comunicar com outros times, ou até mesmo com a própria equipe.
A ausência de uma recomendação clara também é um problema. Isso significa apresentar análises sem concluir com uma proposta de ação objetiva. Não adianta trazer o contexto, expor o problema e o risco, sem apresentar o resultado e as recomendações necessárias para superar os desafios defendidos.
Continuando com o tema, nesta Aula 1.3 de Comunicação Estratégica, vamos abordar a comunicação reativa em contraste com a comunicação intencional. A comunicação reativa sempre ocorre após um problema, sendo basicamente uma forma de apagar incêndios. É necessária e primordial, especialmente para evitar ruídos e o aumento das emoções; no entanto, é mais custosa e desgastante para a equipe.
Por outro lado, a comunicação intencional antecipa riscos, previne desalinhos e, além disso, é proativa, estruturada e reduz o custo de corrigir problemas dentro da equipe. Vamos aprofundar mais nesse tema.
Quais são os indicadores de falha comunicacional que devemos começar a observar no dia a dia de nosso trabalho? Decisões repetidas. O que isso significa? Ter que comunicar constantemente a mesma coisa; as mesmas decisões precisam ser explicadas repetidamente ao mesmo público. Por quê? Porque falta uma comunicação clara, objetiva, documentação técnica acessível para a equipe e um bom backlog. Falaremos bastante sobre isso.
Conflitos recorrentes e tensões que se repetem entre pessoas ou áreas que têm relação estruturada, resolução estruturada com a equipe de tecnologia. É importante lembrar que, por mais que sejamos líderes técnicos que trabalham com código, arquitetura e afins, lidamos com gestão de pessoas. Portanto, esses conflitos ocorrerão e dependerão muito de como gerenciamos nossa comunicação para que a incidência disso seja cada vez menor.
Retrabalho frequente. Entregas precisam ser refeitas, prazos devem ser reprogramados por falta de clareza nas comunicações, tanto de requisitos quanto de decisões. A falta de clareza, já mencionada várias vezes, gera diversas falhas e brechas em muitos momentos durante a liderança técnica, nos quais a equipe não sabe quais são as prioridades, como reagir, o que deve ser feito primeiro ou se há uma grande priorização.
Se estamos detectando essas falhas e nos reconhecendo em algumas situações, vamos realizar uma autoavaliação precisa. Quais são as perguntas que precisamos responder para ter um diagnóstico? Pergunta 1, como mencionado anteriormente.
Estão documentadas nossas decisões? Temos um bom backlog (lista de pendências)? Possuímos um playbook (manual de procedimentos)? Nossa documentação está completa? É importante que as decisões estejam não apenas documentadas, mas também acessíveis para nossa equipe. Nossa equipe tem uma rota para acessar as decisões documentadas e consegue acessar as regras de negócio de forma fácil e simples? Devemos refletir sobre isso.
A segunda questão é: nossa equipe entende o impacto do que está fazendo? Muitas vezes, as pessoas da equipe de tecnologia não sabem o que estão entregando. Elas simplesmente executam, por serem pessoas técnicas, mas muitas vezes não têm ideia do impacto de seu trabalho no produto e no negócio em si. Precisamos garantir que a comunicação sobre o impacto do trabalho no produto seja clara.
A terceira questão é: os stakeholders (partes interessadas) entendem os riscos? Eles compreendem o que está sendo feito e desenvolvido através da tecnologia? A direção, o produto e os outros atores que dependem desse produto tecnológico entendem os riscos técnicos implicados em suas decisões? Devemos refletir sobre isso.
Essas três perguntas devem ser escritas e revisadas ao longo do curso. Após realizar esse diagnóstico, como podemos melhorar nossa comunicação e torná-la intencional?
Devemos contextualizar as decisões, sempre explicando o cenário antes de apresentar a solução. Isso é extremamente importante, tanto para nossa equipe de tecnologia, para evitar a impressão de que queremos apenas o resultado sem contextualizar como chegar a ele, quanto para lembrar que muitas vezes não estamos falando com pessoas técnicas. Por isso, contextualizar e ser um facilitador da comunicação é um aspecto muito positivo.
É importante registrar discussões e decisões, documentando nosso raciocínio por trás das decisões e garantindo que isso esteja facilmente acessível para nossa equipe. Não devemos documentar apenas o resultado, mas também a decisão e a estrutura por trás desse raciocínio.
Comunicar os riscos com antecedência é fundamental. Devemos ter previsibilidade dos problemas que podem ocorrer durante o processo. Embora muitas coisas sejam voláteis na área de tecnologia, comunicar as possibilidades com antecedência facilita muito para a equipe e para os atores envolvidos.
Por fim, devemos adaptar a linguagem ao público. A comunicação estratégica é essencial, pois nem sempre a audiência é composta por engenheiros ou pessoas de outros departamentos que também precisam de abordagens diferentes sobre o mesmo tema.
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