Você já se perguntou o que faz algumas pessoas profissionais conseguirem se manter relevantes e até crescer na carreira, mesmo em momentos conturbados e de grandes transformações, como o que estamos vivendo hoje? Spoiler! Não são as habilidades técnicas. Essas habilidades são muito importantes e ajudam a abrir portas. No entanto, o crescimento e a relevância são muito mais estruturados nas habilidades comportamentais, as chamadas soft skills. É exatamente sobre isso que vamos conversar no curso Soft Skills Essenciais: como atuar, decidir e adaptar na era da inteligência artificial.
Meu nome é Aline Hockey Klein e vou acompanhar vocês nessa jornada.
Audiodescrição: Aline é uma mulher branca com cabelos e olhos castanhos. Seus cabelos estão presos em um rabo de cavalo. Ela está usando brincos dourados e uma camiseta preta da Alura. Está no estúdio da Alura, com uma luz roxa puxando para o azul ao fundo, com uma estante e alguns objetos de decoração.
Para compreendermos como podemos compartilhar experiências e conhecimentos para alcançar determinados objetivos, vamos falar um pouco sobre nossa trajetória. Temos mais de 20 anos de experiência nas áreas de Marketing, Design, Tecnologia e Inovação, dos quais mais de 10 anos foram dedicados à liderança.
Como líderes, tivemos a oportunidade de contribuir para a formação de inúmeros profissionais, desde pessoas em início de carreira até lideranças que buscam posições mais seniores. Em todas as pessoas que acompanhamos, foi possível observar que aquelas que mais se destacavam dominavam as chamadas metacompetências. Pensamento crítico, inteligência emocional, comunicação, relacionamento interpessoal e criatividade para a resolução de problemas são algumas dessas habilidades.
É sobre essas competências que vamos conversar. Portanto, se desejamos saber como nos manter relevantes e nos desenvolver, não apenas com teoria, mas com técnicas aplicadas que podemos colocar em prática no dia a dia, continuemos juntos no próximo vídeo. Nos vemos lá. [♪]
Nunca na história o mercado de trabalho se transformou tão rapidamente quanto agora. Trouxemos alguns dados para contribuir com a compreensão sobre esse assunto. Segundo o último relatório publicado pelo Fórum Econômico Mundial em 2025, 39% das habilidades atuais estarão desatualizadas até 2030. Além disso, o LinkedIn Work Change Report de 2025 afirma que 70% das habilidades utilizadas na maioria dos empregos vão mudar, com a inteligência artificial surgindo como um catalisador.
Esses dados nos ajudam a compreender que o que nos trouxe até aqui não nos levará ao próximo nível de nossa carreira. No entanto, não basta apenas nos apropriarmos da inteligência artificial, que é o grande catalisador. Assim como ela está presente agora, novas tecnologias surgirão, e precisamos estar preparados para manter nossa relevância apesar delas e com elas. Por isso, precisamos nos preocupar com as soft skills (habilidades interpessoais).
Outro dado relevante é que 50% dos desligamentos ocorrem por lacunas em soft skills, conforme o 6º Observatório de Carreiras da PUC Paraná de 2025. Esse número é um arredondamento, 45 ponto algo, mas o ponto importante é que existe uma frase que chega a ser clichê, mas que ainda é muito verdadeira: contrata-se pelo técnico, demite-se pelo comportamental. Não basta dominar as habilidades técnicas do cargo que ocupamos. Mais do que uma pessoa que sabe executar tarefas, as empresas buscam pessoas que conseguem identificar e resolver problemas. Quando temos uma tecnologia como a inteligência artificial, que consegue assumir boa parte das tarefas relacionadas à execução, a capacidade de resolver problemas novos se torna muito mais importante e crítica para nós como profissionais.
Ou seja, saímos de um paradigma de execução, em que éramos contratados pelo que sabemos fazer, para um momento em que temos tecnologia e outras pessoas que podem aprender a fazer o que fazemos de um jeito mais rápido, barato e escalável. Passamos, então, para a nossa habilidade de julgamento, aquela habilidade que é nosso diferencial humano: saber fazer escolhas, entender o contexto com relações que talvez não sejam tão óbvias e que não estejam marcadas naquele dado cenário que a inteligência artificial vai avaliar. Com nosso senso crítico e habilidade de conectar informações aparentemente distintas, conseguimos fazer isso. É nossa habilidade ética de entender se faz sentido determinado movimento. Perguntamos: "Ok, posso fazer isso, mas devo fazer isso? Qual é o impacto que isso pode gerar, positivo ou negativo?" A partir dessa reflexão, determinamos a direção de uma ação. Isso faz a diferença para um profissional, independentemente de estarmos no início ou mais avançados em nossa carreira.
Se estamos no início da carreira, devemos respeitar nosso escopo. Recebemos uma ordem e, com senso crítico, conseguimos olhar para essa ordem e pensar: "Faz sentido? Por que estamos fazendo isso? Onde queremos chegar com essa informação?" Essa reflexão nos diferencia da máquina.
O mercado nos diz que existem algumas metacompetências, habilidades estruturantes que nos permitirão nos tornarmos profissionais muito mais relevantes ao longo de nossa carreira. O pensamento analítico está no topo da lista, sendo a habilidade número um. Pensamento analítico é nossa capacidade de pegar uma informação, um dado contexto ou um problema e dividi-lo em partes para analisá-lo de forma isolada. Junto com o pensamento crítico e o pensamento sistêmico, torna-se um superpoder. Conseguimos olhar um problema grande, dividi-lo em partes menores, interpretar o que causa esse problema, quais são os impactos das soluções pensadas para ele e como esse impacto se relaciona com outras partes que talvez não estejam óbvias e descritas.
Vemos também muitos estudos, inclusive o Fórum Econômico Mundial, no relatório Future of Jobs de 2025, que trazem resiliência, flexibilidade e adaptabilidade como habilidades fundamentais.
Resiliência não significa aceitar qualquer coisa passivamente, mas sim absorver o impacto de eventos nem sempre positivos, entender suas causas e se fortalecer a partir deles. Isso amplia nosso repertório, nossa forma de agir, reagir e pensar sobre os eventos, além de nos adaptar a novos contextos. Utilizar experiências passadas para nos fortalecer e alcançar novos patamares nos torna pessoas desejáveis de se ter por perto.
Dentro dessas metabilidades, também encontramos liderança, influência social, empatia e escuta ativa. Liderança não se limita a cargos formais; podemos exercer liderança informal através de nossas interações, influenciando pessoas e decisões, ajudando a encontrar soluções e construindo um comportamento de liderança. Isso nos torna pessoas importantes, que precisam ser consultadas, mesmo sem um papel formal de liderança. Se almejamos um cargo de liderança, esse conjunto de habilidades é essencial para nosso desenvolvimento.
Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro de diferentes maneiras, e exploraremos isso mais adiante. A escuta ativa é fundamental; ao ouvir genuinamente os outros, interpretando o contexto e orientando nossas falas e ações, nos tornamos extremamente valiosos para qualquer organização.
O pensamento criativo e a inovação também são importantes. Criatividade não é apenas inventar coisas ou encaixar tudo de forma colorida, como em um lego. É a habilidade de olhar problemas sob uma ótica não óbvia e encontrar soluções diferentes das atuais. Inovação é gerar o novo e agregar valor a partir de nossas ideias e ações.
Motivação e autoconsciência são pilares da inteligência emocional. Ao sermos resilientes, nos automotivarmos, utilizarmos motivação externa e termos autoconsciência de nossos limites e reações, nos tornamos pessoas fáceis de lidar. Pense em alguém com quem convivemos diariamente, seja no trabalho, estudo ou em casa. Se hesitamos em falar com essa pessoa por receio de problemas, ela é difícil de lidar. Já uma pessoa com quem nos sentimos à vontade para conversar é fácil de lidar, e a autoconsciência é fundamental para alcançar esse estado.
Curiosidade e aprendizagem contínua completam essa lista. Essas habilidades nos permitem continuar nos desenvolvendo, pois o mundo está em constante mudança e evolução. A curiosidade nos leva a aprender coisas novas, e a aplicação desse conhecimento gera valor, contribuindo para nossa relevância.
Podemos interpretar que a nova equação de valor profissional vem de nossa capacidade de julgamento em relação ao contexto e de escolher caminhos quando não há respostas óbvias. Eventos acontecem, e precisamos fazer escolhas a partir deles, o que nos torna únicos. Compreender nuances culturais e reconhecer que cada lugar e equipe tem um contexto diferente, e que pessoas de diferentes origens enxergam o mundo de maneiras distintas, é essencial. Aceitar que não temos todas as informações para uma resposta clara melhora nosso julgamento, que ditará como reagiremos ou colaboraremos para solucionar problemas. Isso nos torna cada vez mais relevantes no mercado de trabalho.
No mundo em que a inteligência artificial é capaz de executar tantas tarefas, o que diferencia o ser humano é a capacidade de fazer boas perguntas e, principalmente, analisar criticamente as respostas que surgem dessas perguntas. É sobre isso que vamos discutir agora.
Para começar, precisamos entender o que não é pensamento crítico. Não se trata de criticar, enxergar problemas em tudo, atrasar decisões ou torná-las morosas simplesmente por querer saber de tudo antes de tomar uma iniciativa. Pensamento crítico também envolve compreender até onde se aprofundar em um determinado contexto. Questões mais superficiais e de menor impacto demandam menos reflexão, enquanto questões mais complexas e de maior impacto exigem mais reflexão. Por isso, entendemos que pensamento crítico é a capacidade de analisar um contexto e questionar: isso faz sentido? Essa resposta realmente está aderente ao que foi questionado? Essa solução, de fato, resolve o problema ou nos leva a um novo problema? Trata-se de uma forma de pensar que pode ser treinada.
Para começar, devemos questionar as premissas. O inimigo do pensamento crítico é o "sempre foi assim". Por que estamos fazendo isso? Não é porque sempre foi assim. Imagine a seguinte situação: ao chegar em uma empresa, uma das ordens recebidas é montar uma planilha, um relatório semanal. Inicialmente, executamos o que é mandado, gastando horas do dia nessa tarefa. Em determinado momento, ao nos apropriarmos mais do contexto, questionamos quem analisa esses dados e descobrimos que ninguém os observa. Este é um caso real relatado por uma pessoa que conhecemos. Ela passou meses fazendo um relatório semanal que gerava estresse e desgaste emocional, era trabalhoso, exigia dados de várias fontes, e descobriu que a pessoa que solicitou o relatório já não estava mais na empresa, e ninguém mais fazia esse tipo de análise. Assim, ela estava apenas desperdiçando tempo, esforço e recursos da empresa em uma tarefa sem valor.
Pense no impacto disso. Como agiria uma pessoa com pensamento crítico? Ao receber a ordem, questionaria: "Para que serve esse relatório? Quem o utiliza? Que respostas queremos obter a partir dele?" Dessa forma, é possível avaliar se as informações solicitadas são realmente relevantes.
Analisar evidências é outra maneira de desenvolver o pensamento crítico. Devemos separar fatos de opiniões. Embora pareça óbvio, ainda vemos muitas pessoas confundindo as duas coisas. Fato é dado, não é questionável. Por exemplo, "estou usando uma camiseta preta" é um fato, não questionável. Opinião seria "essa camiseta é bonita", pois alguém pode achar bonita e outra pessoa pode achar feia. Ao tomar uma decisão de negócio, é crucial distinguir entre fato e opinião. Para ser fato, deve ser baseado em evidências, com dados que comprovem sua veracidade. Outras pessoas podem ter opiniões sobre isso, ancoradas em fatos ou não, e assim construímos um arcabouço de evidências para auxiliar no pensamento crítico.
Lembrando, quanto mais complexo, mais profundo; quanto menos complexo, mais superficial. Precisamos também agregar múltiplas perspectivas. Dificilmente nosso primeiro ponto de vista estará correto, e quanto mais inexperientes somos na carreira, mais certezas absolutas sobre coisas equivocadas temos. É importante ter a humildade de reconhecer que não dominamos todos os fatos e informações, e conectar-se com pessoas que possuem esses dados para questionar onde essas informações podem se encontrar e buscar além do óbvio. Isso certamente ajudará a desenvolver o pensamento crítico.
Por fim, precisamos ter uma conclusão fundamentada. Não tomamos decisões de trabalho sem justificativa. Decidimos com base em dados, fatos, evidências e considerando as opiniões relevantes no contexto, no tempo disponível para resolver o problema, de forma consistente e justificando nossas escolhas. Esse pode ser um grande diferencial na era da inteligência artificial. Muitas vezes, as pessoas seguem orientações da inteligência artificial sem saber justificar a escolha ou seu impacto. Um pensador crítico segue um caminho diferente.
Agora, vamos propor um exercício prático para reflexão. Imagine a seguinte situação: uma empresa define como meta gerar um incremento de 15% no faturamento a partir de um dos segmentos de clientes. A inteligência artificial sugere aumentar o investimento em ads (anúncios patrocinados) para um público de 25 a 34 anos, pois geralmente é o que mais compra daquela categoria. O que você faz? Pause o vídeo e reflita. Agora, vamos continuar.
Uma pessoa com perfil de execução apenas, sem pensamento crítico, poderia simplesmente decidir aumentar o orçamento após a análise de dados feita pela inteligência artificial. Ela executa essa ação, e o resultado pode ser positivo ou resultar em aumento de gastos e queda no retorno do investimento, pois o público-alvo já pode estar saturado nos canais propostos. Assim, mais dinheiro é direcionado a um público que não gerará mais resultados.
Por outro lado, uma pessoa com pensamento crítico seguiria um caminho diferente. Ela questionaria: por que esse público? Qual é o custo marginal dessa ação? Existem outros canais mais baratos para alcançar o mesmo público? Será que outro público não poderia ser mais eficiente? Essa pessoa começa a explorar possibilidades. A inteligência artificial pode ajudar nesse processo, desde que seja treinada adequadamente. Em vez de treiná-la para fornecer respostas, devemos treiná-la para ajudar a formular as perguntas certas. O resultado pode ser a descoberta de um canal alternativo, mais barato, que otimiza o orçamento da campanha. Podemos alcançar resultados diferentes se soubermos percorrer caminhos distintos com um olhar mais crítico.
Vamos discutir a diferença entre os três tipos de pensamento mencionados. O pensamento analítico envolve dividir um todo em partes para entender seus componentes e como eles se encaixam. Muitas vezes, enfrentamos problemas grandes e complexos, difíceis de resolver de uma só vez. Assim, dividimos o problema em partes menores e tratamos cada uma isoladamente, mas sempre considerando suas correlações com as demais. O foco aqui é nos dados e componentes. A pergunta-chave é: qual é o padrão? Quais são os componentes? Como podemos desmembrar esse problema? Um exemplo aplicado ao marketing seria analisar um aumento de 20% no custo de uma campanha, examinando por canal, dispositivo e horário. Ao analisar esses itens isoladamente e fazer correlações, podemos identificar um indicador para ajustar, revertendo o resultado.
O pensamento crítico, por sua vez, nos ajuda a julgar a validade, lógica e confiabilidade das informações. O foco é no julgamento e na validade. Essa informação faz sentido? É verdadeira? A fonte é verificável? Muitas vezes, a inteligência artificial nos fornece dados convincentes. Se formos pensadores críticos, pedimos para verificar a origem desses dados. De onde foram extraídas essas informações? Às vezes, a resposta é que os dados foram interpretados a partir de certos elementos, o que chamamos de alucinação da inteligência artificial. Ela cria uma resposta, verdadeira ou não, para entregar o que desejamos. Por isso, com pensamento crítico, questionamos: esse dado faz sentido? Aceitamos como uma primeira resposta. Um exemplo no marketing seria questionar se a análise é baseada em dados confiáveis, se há vieses e como mitigá-los. Podemos usar a tecnologia para nos levar ao pensamento crítico.
Por fim, o pensamento sistêmico, que não exploraremos em profundidade neste curso, conecta todos esses aspectos. Ele permite um "zoom out", distanciando-se do contexto e do problema para ver o todo e suas interconexões. Por exemplo, ao cortar o orçamento, como isso impacta a marca, o time, o pipeline? Qual será o impacto nas vendas? Se cortarmos o orçamento, quantos por cento das vendas deixaremos de ter por gerar menos leads? A pergunta-chave é: como isso afeta o sistema como um todo e quais são as consequências? Muitas vezes, uma ação pensada por um time, como uma campanha de marketing, pode esquecer de avisar a área de suporte. Em um caso real, uma campanha gerou um pico de acessos e uma demanda de suporte sem que houvesse uma equipe preparada. Por isso, é importante que diferentes áreas se articulem quando algo grande vai acontecer. As pessoas na linha de frente também precisam ser informadas, para que o assunto não fique restrito à liderança. Se aplicarmos o pensamento sistêmico, planejaremos uma campanha articulando um plano de comunicação interna para evitar impactos negativos.
Essas três formas de pensar não são excludentes; ao contrário, são complementares. Juntas, formam um superpoder.
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