Apresentando o curso e a relevância da comunicação
Olá, bem-vindo. Vamos dar início ao nosso curso sobre comunicação e governança de dados.
Quando pensamos em governança de dados, normalmente lembramos de catálogos, indicadores, políticas, qualidade de dados, ferramentas tecnológicas — enfim, todas as buzzwords (palavras da moda) com as quais já temos familiaridade no nosso ambiente de governança de dados. Porém, a experiência mostra que muitos programas fracassam não por problemas técnicos, mas porque as pessoas não entendem seus objetivos, benefícios e responsabilidades. Por isso, a comunicação deve ser tratada como um dos componentes estratégicos da governança de dados.
Aqui, ampliamos: a comunicação é base para qualquer negócio. Independentemente da atividade em que atuamos — neste caso, governança de dados, mas poderia ser uma área de tecnologia, de negócio ou qualquer outra —, tudo o que fazemos exige que consigamos nos comunicar de forma assertiva, direcionando os benefícios, trazendo a dor do negócio para o contexto e justificando por que precisamos de um investimento, por que precisamos de uma ferramenta, etc.
Demonstrando impactos da comunicação na governança
Imagine implementar novos papéis de Data Steward (pessoa administradora de dados) e Data Owner (pessoa proprietária do dado) sem explicar claramente seus objetivos. Chegamos a uma área de negócio, a um domínio, e solicitamos que se identifiquem como Data Owner (pessoa proprietária do dado) e Data Steward (pessoa administradora de dados). Acreditamos que isso será fácil se não explicarmos claramente os objetivos? Ou, se publicarmos uma política de dados sem esclarecer sua importância para as áreas de negócio, e apenas entrarmos em contato exigindo que cumpram essa política que implementamos, sem apresentar os benefícios? Nesses cenários, é comum surgirem resistências, dúvidas e até rejeição às iniciativas de governança. A comunicação reduz essas barreiras e aumenta a percepção de valor.
Governança de dados é uma disciplina cujo valor muitas pessoas executivas ainda não percebem plenamente — temos visto isso mudar, mas ainda há um caminho a percorrer. A comunicação torna-se ainda mais importante, porque precisamos corrigir entendimentos equivocados, demonstrar benefícios, justificar maiores investimentos, ampliar a capacitação das equipes e fortalecer o escritório de governança de dados. Tudo isso depende de uma comunicação mais orientada dentro da nossa disciplina.
Conduzindo gestão da mudança com comunicação eficaz
Implementar governança de dados significa promover mudanças organizacionais. As pessoas passam a registrar definições, controlar a qualidade, assumir responsabilidades e seguir novos processos. Como toda mudança gera algum nível de desconforto, a comunicação torna-se essencial para explicar o motivo das transformações e apoiar a adaptação das pessoas envolvidas. Não se trata de orientar uma alteração no procedimento de uma área simplesmente porque consideramos necessário, sem explicar e sem convencer a área impactada de que esse novo caminho traz benefícios maiores para a companhia em segurança, controle, organização, produtividade e eficiência. Precisamos garantir que a pessoa impactada por uma política nova de governança de dados tenha clareza, para que adote a ideia com menos barreiras e de forma mais simples.
Muitas organizações acreditam que comunicar é simplesmente enviar um e-mail ou publicar uma notícia. Quantas vezes vimos isso? Há uma área que envia um e-mail semanalmente e considera que essa é toda a comunicação. Isso resolve nossas necessidades? Isso convence as pessoas que precisam atuar daquela forma? Na prática, comunicação eficaz significa criar entendimento e gerar ação. Precisamos engajar as áreas, ativá-las e fazer com que atuem dentro do que esperamos. Em governança de dados, o objetivo não é apenas informar que existe uma política ou um processo, mas fazer com que as pessoas compreendam sua importância e participem ativamente da iniciativa. É necessário entender que existe uma boa prática, que essa boa prática deve ser seguida e que seus benefícios incluem determinadas atividades, ganhos e eficiências; com isso, conseguimos promover a mudança.
Segmentando a comunicação por públicos
Nem todos os públicos possuem os mesmos interesses e necessidades — este é um ponto importante que precisamos considerar. Temos pessoas executivas, pessoas gestoras, Data Owners (pessoas proprietárias do dado), Data Stewards (pessoas administradoras de dados), pessoas usuárias de negócio e equipes técnicas; cada um desses grupos possui interesses e necessidades específicas.
Por exemplo, a diretoria normalmente busca entender aspectos estratégicos e a geração de valor. Quando estivermos nos comunicando com pessoas da diretoria, precisamos adotar essa mentalidade.
Um perfil de Data Steward operacional (day-to-day) precisa compreender responsabilidades e processos. Essa pessoa está mais no dia a dia, trabalhando ativamente com dados, portanto precisa ter clareza sobre os processos e as responsabilidades que deve desempenhar.
Uma área técnica, por outro lado, busca orientações operacionais: como o processo deve ser executado, qual é a entrada e qual é a saída.
Diante disso, uma comunicação única dificilmente será eficaz para todos. Não conseguimos comunicar de uma única forma uma atividade para a diretoria, para responsáveis operacionais e para áreas técnicas, e obter a mesma captura de valor. Precisamos de modularidade: comunicar de maneira diferente para cada público.
Alinhando benefícios e relevância para o negócio
É muito mais fácil apoiar uma iniciativa quando entendemos por que ela existe. Quando a governança de dados demonstra benefícios concretos para as áreas e esclarece responsabilidades, o nível de participação tende a aumentar. Não se trata de impor a execução de uma tarefa, e sim de explicar o benefício de realizá-la, por que aquela pessoa é a ideal para desempenhá-la e quais ganhos perceberá no seu negócio ao fazê-la.
A comunicação transforma iniciativas técnicas em iniciativas relevantes para o negócio. A pessoa que vai executar precisa compreender que aquilo é benéfico para si e para o seu contexto de negócio.
Mediando conceitos e articulando entre áreas
Um profissional de governança de dados não atua apenas com dados. Grande parte do trabalho envolve interação com pessoas, mediação de conflitos conceituais e alinhamento entre áreas. Se estamos governando dados e temos um catálogo corporativo de termos de negócio, quando duas áreas apresentam definições diferentes para um mesmo termo, é papel da governança de dados conduzir e participar da discussão entre essas áreas para que, em conjunto, alcancem um consenso sobre o conceito ou concluam que são conceitos distintos e, portanto, termos de negócio diferentes. Nesse caso, criam-se dois termos de negócio.
Em resumo, a governança de dados precisa interagir com todas as áreas, em níveis operacionais e executivos, entre outros. Por isso, a habilidade de comunicação torna-se tão importante quanto o conhecimento técnico.
Já tivemos profissionais com alto conhecimento técnico, profundo domínio de programação e de banco de dados, que não se comunicavam bem, não performaram adequadamente e, por consequência, foi necessário reestruturar o time. Por outro lado, também tivemos excelentes profissionais com grande habilidade de comunicação e fácil acesso a pessoas executivas e a áreas operacionais, mas com uma lacuna técnica (gap). Conseguimos desenvolver esse conhecimento técnico com muito mais facilidade do que desenvolver habilidades de comunicação. Essa pessoa, sim, performou muito bem, agregou valor à área de governança de dados e à empresa como um todo, e está desempenhando um excelente trabalho conosco na nossa área.
Concluindo com direcionamentos e próximos passos
Para concluir este primeiro vídeo, devemos reconhecer que a comunicação não é uma atividade complementar da governança de dados: ela é um fator crítico de sucesso. Sem comunicação clara e direcionada, considerando o público que receberá a mensagem, dificilmente conseguimos implementar mudanças. Nossa área promove alteração de cultura, da forma como as áreas trabalham, organizam suas atividades e reaproveitam dados de outras áreas. Por isso, a comunicação para nosso público, no contexto de governança de dados, precisa ser muito clara, simples e orientada, demonstrando onde está o benefício em determinada atividade, por que é necessário seguir as recomendações e por que a empresa está traçando e seguindo essa estratégia.
Esperamos ter começado bem ao destacar o que é comunicação e como ela é importante para a governança de dados. À medida que o curso avança, vamos trazer novos elementos e compor uma estratégia para que você consiga modular sua comunicação entre diversas áreas de negócio, níveis operacionais e executivos e, ao final do curso, tenha algumas percepções (insights), promovendo mudanças na sua forma de atuar dentro da sua companhia. Caso já atue com governança de dados, poderá aprimorar sua prática; caso não atue, poderá entender sua importância e correlacioná-la à sua atividade profissional.
Nos vemos no próximo vídeo, e até lá!