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Governança de Dados: comunicação estratégica para stakeholders

Comunicação e Governança - Apresentação

Apresentando-se e função atual

Olá! Seja muito bem-vinda, bem-vindo. Eu me chamo Allan Henrique Souza Carvalho.

Trabalho há mais de 20 anos no mercado segurador. Atualmente, sou gerente de Governança de Dados e Inteligência Artificial na MAPFRE, uma seguradora de grande porte no Brasil e no mundo.

Destacando atuação na FIAP e na Alura

Há mais de cinco anos, atuo na FIAP, onde cuido de alguns cursos de MBA e Pós Tech, e atuo como mentor e professor em algumas disciplinas.

Na Alura, mais recentemente, há cerca de dois anos, venho gravando alguns conteúdos.

Indicando temas abordados e formação acadêmica

Possivelmente você já viu algum conteúdo meu sobre governança de dados, governança de inteligência artificial e empresas data-driven (orientadas por dados). Já publiquei alguns materiais aqui na plataforma.

Sou formado em Economia, tenho um MBA em Big Data (grandes volumes de dados) e Analytics (análise de dados) e estou finalizando meu mestrado em Computação Aplicada, no qual estudo níveis e técnicas de avaliação de maturidade em governança de dados.

Fornecendo audiodescrição e mensagens finais

Para fins de acessibilidade:

Audiodescrição: Sou um homem branco, estou vestindo uma camiseta preta, tenho barba e cabelos castanhos-escuros e curtos. Ao fundo, há um estúdio da Alura, bonito, com tons de azul e de pink (rosa).

Espero que você goste do conteúdo que nós vamos iniciar agora. Seja muito bem-vinde e bom curso. Agradeço e até mais.

Comunicação e Governança - Comunicação como fator crítico de sucesso

Apresentando o curso e a relevância da comunicação

Olá, bem-vindo. Vamos dar início ao nosso curso sobre comunicação e governança de dados.

Quando pensamos em governança de dados, normalmente lembramos de catálogos, indicadores, políticas, qualidade de dados, ferramentas tecnológicas — enfim, todas as buzzwords (palavras da moda) com as quais já temos familiaridade no nosso ambiente de governança de dados. Porém, a experiência mostra que muitos programas fracassam não por problemas técnicos, mas porque as pessoas não entendem seus objetivos, benefícios e responsabilidades. Por isso, a comunicação deve ser tratada como um dos componentes estratégicos da governança de dados.

Aqui, ampliamos: a comunicação é base para qualquer negócio. Independentemente da atividade em que atuamos — neste caso, governança de dados, mas poderia ser uma área de tecnologia, de negócio ou qualquer outra —, tudo o que fazemos exige que consigamos nos comunicar de forma assertiva, direcionando os benefícios, trazendo a dor do negócio para o contexto e justificando por que precisamos de um investimento, por que precisamos de uma ferramenta, etc.

Demonstrando impactos da comunicação na governança

Imagine implementar novos papéis de Data Steward (pessoa administradora de dados) e Data Owner (pessoa proprietária do dado) sem explicar claramente seus objetivos. Chegamos a uma área de negócio, a um domínio, e solicitamos que se identifiquem como Data Owner (pessoa proprietária do dado) e Data Steward (pessoa administradora de dados). Acreditamos que isso será fácil se não explicarmos claramente os objetivos? Ou, se publicarmos uma política de dados sem esclarecer sua importância para as áreas de negócio, e apenas entrarmos em contato exigindo que cumpram essa política que implementamos, sem apresentar os benefícios? Nesses cenários, é comum surgirem resistências, dúvidas e até rejeição às iniciativas de governança. A comunicação reduz essas barreiras e aumenta a percepção de valor.

Governança de dados é uma disciplina cujo valor muitas pessoas executivas ainda não percebem plenamente — temos visto isso mudar, mas ainda há um caminho a percorrer. A comunicação torna-se ainda mais importante, porque precisamos corrigir entendimentos equivocados, demonstrar benefícios, justificar maiores investimentos, ampliar a capacitação das equipes e fortalecer o escritório de governança de dados. Tudo isso depende de uma comunicação mais orientada dentro da nossa disciplina.

Conduzindo gestão da mudança com comunicação eficaz

Implementar governança de dados significa promover mudanças organizacionais. As pessoas passam a registrar definições, controlar a qualidade, assumir responsabilidades e seguir novos processos. Como toda mudança gera algum nível de desconforto, a comunicação torna-se essencial para explicar o motivo das transformações e apoiar a adaptação das pessoas envolvidas. Não se trata de orientar uma alteração no procedimento de uma área simplesmente porque consideramos necessário, sem explicar e sem convencer a área impactada de que esse novo caminho traz benefícios maiores para a companhia em segurança, controle, organização, produtividade e eficiência. Precisamos garantir que a pessoa impactada por uma política nova de governança de dados tenha clareza, para que adote a ideia com menos barreiras e de forma mais simples.

Muitas organizações acreditam que comunicar é simplesmente enviar um e-mail ou publicar uma notícia. Quantas vezes vimos isso? Há uma área que envia um e-mail semanalmente e considera que essa é toda a comunicação. Isso resolve nossas necessidades? Isso convence as pessoas que precisam atuar daquela forma? Na prática, comunicação eficaz significa criar entendimento e gerar ação. Precisamos engajar as áreas, ativá-las e fazer com que atuem dentro do que esperamos. Em governança de dados, o objetivo não é apenas informar que existe uma política ou um processo, mas fazer com que as pessoas compreendam sua importância e participem ativamente da iniciativa. É necessário entender que existe uma boa prática, que essa boa prática deve ser seguida e que seus benefícios incluem determinadas atividades, ganhos e eficiências; com isso, conseguimos promover a mudança.

Segmentando a comunicação por públicos

Nem todos os públicos possuem os mesmos interesses e necessidades — este é um ponto importante que precisamos considerar. Temos pessoas executivas, pessoas gestoras, Data Owners (pessoas proprietárias do dado), Data Stewards (pessoas administradoras de dados), pessoas usuárias de negócio e equipes técnicas; cada um desses grupos possui interesses e necessidades específicas.

Por exemplo, a diretoria normalmente busca entender aspectos estratégicos e a geração de valor. Quando estivermos nos comunicando com pessoas da diretoria, precisamos adotar essa mentalidade.

Um perfil de Data Steward operacional (day-to-day) precisa compreender responsabilidades e processos. Essa pessoa está mais no dia a dia, trabalhando ativamente com dados, portanto precisa ter clareza sobre os processos e as responsabilidades que deve desempenhar.

Uma área técnica, por outro lado, busca orientações operacionais: como o processo deve ser executado, qual é a entrada e qual é a saída.

Diante disso, uma comunicação única dificilmente será eficaz para todos. Não conseguimos comunicar de uma única forma uma atividade para a diretoria, para responsáveis operacionais e para áreas técnicas, e obter a mesma captura de valor. Precisamos de modularidade: comunicar de maneira diferente para cada público.

Alinhando benefícios e relevância para o negócio

É muito mais fácil apoiar uma iniciativa quando entendemos por que ela existe. Quando a governança de dados demonstra benefícios concretos para as áreas e esclarece responsabilidades, o nível de participação tende a aumentar. Não se trata de impor a execução de uma tarefa, e sim de explicar o benefício de realizá-la, por que aquela pessoa é a ideal para desempenhá-la e quais ganhos perceberá no seu negócio ao fazê-la.

A comunicação transforma iniciativas técnicas em iniciativas relevantes para o negócio. A pessoa que vai executar precisa compreender que aquilo é benéfico para si e para o seu contexto de negócio.

Mediando conceitos e articulando entre áreas

Um profissional de governança de dados não atua apenas com dados. Grande parte do trabalho envolve interação com pessoas, mediação de conflitos conceituais e alinhamento entre áreas. Se estamos governando dados e temos um catálogo corporativo de termos de negócio, quando duas áreas apresentam definições diferentes para um mesmo termo, é papel da governança de dados conduzir e participar da discussão entre essas áreas para que, em conjunto, alcancem um consenso sobre o conceito ou concluam que são conceitos distintos e, portanto, termos de negócio diferentes. Nesse caso, criam-se dois termos de negócio.

Em resumo, a governança de dados precisa interagir com todas as áreas, em níveis operacionais e executivos, entre outros. Por isso, a habilidade de comunicação torna-se tão importante quanto o conhecimento técnico.

Já tivemos profissionais com alto conhecimento técnico, profundo domínio de programação e de banco de dados, que não se comunicavam bem, não performaram adequadamente e, por consequência, foi necessário reestruturar o time. Por outro lado, também tivemos excelentes profissionais com grande habilidade de comunicação e fácil acesso a pessoas executivas e a áreas operacionais, mas com uma lacuna técnica (gap). Conseguimos desenvolver esse conhecimento técnico com muito mais facilidade do que desenvolver habilidades de comunicação. Essa pessoa, sim, performou muito bem, agregou valor à área de governança de dados e à empresa como um todo, e está desempenhando um excelente trabalho conosco na nossa área.

Concluindo com direcionamentos e próximos passos

Para concluir este primeiro vídeo, devemos reconhecer que a comunicação não é uma atividade complementar da governança de dados: ela é um fator crítico de sucesso. Sem comunicação clara e direcionada, considerando o público que receberá a mensagem, dificilmente conseguimos implementar mudanças. Nossa área promove alteração de cultura, da forma como as áreas trabalham, organizam suas atividades e reaproveitam dados de outras áreas. Por isso, a comunicação para nosso público, no contexto de governança de dados, precisa ser muito clara, simples e orientada, demonstrando onde está o benefício em determinada atividade, por que é necessário seguir as recomendações e por que a empresa está traçando e seguindo essa estratégia.

Esperamos ter começado bem ao destacar o que é comunicação e como ela é importante para a governança de dados. À medida que o curso avança, vamos trazer novos elementos e compor uma estratégia para que você consiga modular sua comunicação entre diversas áreas de negócio, níveis operacionais e executivos e, ao final do curso, tenha algumas percepções (insights), promovendo mudanças na sua forma de atuar dentro da sua companhia. Caso já atue com governança de dados, poderá aprimorar sua prática; caso não atue, poderá entender sua importância e correlacioná-la à sua atividade profissional.

Nos vemos no próximo vídeo, e até lá!

Comunicação e Governança - Barreiras de comunicação em governança

Apresentando o tema e a pergunta central

Olá, bem-vindas e bem-vindos. Vamos a mais um vídeo sobre comunicação e governança de dados.

Comecemos com uma pergunta clássica: por que a comunicação falha? A maioria dos problemas de comunicação não ocorre por falta de informação. Muitas vezes, a pessoa possui bastante informação, conhece o que está fazendo, entende amplamente o que foi feito e os objetivos, mas a área que recebe essa comunicação não compreende. A falta de entendimento na outra ponta é o que prejudica a comunicação. Precisamos entender quem recebe a mensagem e ajustar nossa comunicação para que o entendimento seja facilitado, permitindo que o público capte a essência e a mensagem principal. É isso que, de fato, precisamos fazer para que a comunicação não falhe e seja fluida.

Traduzindo jargões para a linguagem de negócio

Profissionais de governança convivem diariamente com termos técnicos que podem parecer naturais para esse grupo, mas que são pouco conhecidos por outros públicos. Quando utilizamos excesso de jargões sem contextualização, criamos uma barreira ao entendimento. A comunicação deve traduzir conceitos técnicos para a linguagem de negócio, explicando seu propósito e valor de maneira simples.

Imaginemos abordar uma área jurídica, que costuma ser bastante especializada em seu próprio universo de processos, legislações trabalhistas e demais atividades jurídicas, e falarmos sobre metadados, data lineage (linhagem de dados), Data Steward (responsável pelos dados) e framework (estrutura de trabalho). É provável que não haja compreensão. O importante é entender a área que receberá a comunicação e, em vez de somente citar “metadados”, explicar: metadados são dados sobre os dados; isso nos ajuda a entender determinado contexto. Por exemplo, em um contrato, existem elementos específicos que podemos usar para ilustrar como os metadados funcionam. Assim, trazemos elementos do negócio da área para explicar um termo técnico, o que ajuda significativamente na compreensão.

Evidenciando valor e segmentando a mensagem

Uma das principais razões para a baixa adesão à governança de dados é a falta de percepção de valor. Esse é o ponto central. Se conseguirmos, dentro da empresa, evidenciar o valor das atividades de governança de dados para todas as pessoas, teremos um caminho muito mais tranquilo. Quando as pessoas não compreendem como uma iniciativa impacta positivamente suas atividades, tendem a considerá-la apenas como mais uma obrigação corporativa. Surgem questionamentos como: “Por que precisamos adotar um padrão de nomenclatura de dados? Preferimos fazer do nosso jeito.” Quando entendemos os benefícios — por exemplo, ao seguir um padrão, conseguimos relacionar dados de forma mais fluida com outros processos e fontes —, a percepção de valor aumenta. Ao perceber esse valor, as pessoas tendem a aderir com mais convicção e menos barreiras.

Uma comunicação única dificilmente funciona para todos os públicos. Pessoas executivas desejam entender resultados e riscos. Data Stewards (responsáveis pelos dados) precisam compreender responsabilidades. Equipes técnicas buscam orientações operacionais. Quando usamos uma mensagem genérica para todas as pessoas, aumentamos a probabilidade de desinteresse e falta de engajamento. Cada público possui objetivos, interesses e necessidades diferentes. O ideal é segmentar a comunicação, direcionando-a para cada público, considerando o que esse público reconhece como relevante e quais são seus objetivos. Ajustamos nossa mensagem a esse perfil.

Evitando excesso de informação e priorizando mensagens

Nem sempre mais informação significa melhor comunicação.

O excesso de conteúdo reduz a atenção das pessoas e dificulta a identificação das mensagens realmente importantes. Boas práticas de comunicação priorizam clareza, objetividade e foco nos pontos mais relevantes de cada público.

Consideremos aquele e-mail que recebemos de outra área, extremamente contextualizado, com muita informação e imagens. Ao abrir esse e-mail, frequentemente pensamos: “Vamos tomar um café e depois ler novamente”, porque é muita coisa. Esse excesso atrapalha o entendimento da mensagem principal. Precisamos ajustar a comunicação para sermos diretos no que é necessário: qual é a atividade que precisamos que a área desempenhe. Isso facilita muito.

Os seguintes pontos atrapalham a comunicação entre as áreas:

Mantendo a continuidade da comunicação

Barreira 5: comunicação sem continuidade

Esse é um problema comum, não apenas em governança de dados. Muitas iniciativas realizam um grande comunicado durante o lançamento e depois praticamente desaparecem. Isso reduz a visibilidade da governança e dificulta sua incorporação à rotina da organização. Mudanças culturais exigem reforço contínuo; por isso, a comunicação deve ser tratada com um processo permanente, e não como uma ação pontual.

Em projetos de governança de dados (definição de papéis, responsabilidades e outras frentes), buscamos o engajamento de toda a companhia e de todos os domínios funcionais. Frequentemente começamos com uma comunicação forte, direcionada e bem planejada, mas, com o desenrolar do projeto, após dois ou três meses já não mantemos o mesmo compromisso em enviar comunicados. Às vezes interrompemos porque estamos envolvidos em outras atividades. Esse é um erro comum e se torna uma barreira: algumas áreas deixam de perceber a continuidade da comunicação, entendem que o projeto já não é tão importante, e isso é prejudicial.

Apresentando boas práticas para superar barreiras

Como superar essas barreiras

Temos boas práticas simples:

Tudo isso que temos apresentado nos slides anteriores são boas práticas que podemos utilizar para superar as barreiras mencionadas ao longo deste vídeo.

Concluindo e apontando próximos passos

Conclusão

Grande parte das dificuldades nas iniciativas de governança de dados está relacionada à comunicação. Se tivermos uma comunicação mais refinada e direcionada, pensando no público, no benefício que esse público perceberá e, em seguida, deixarmos claro o que precisamos que seja feito, a fluidez das atividades será muito mais assertiva.

Linguagem inadequada, excesso de informação, falta de segmentação e baixa demonstração de valor são obstáculos frequentes que nós vemos na comunicação de governança de dados. Quando essas barreiras são superadas, as pessoas passam a compreender melhor as iniciativas e tornam-se mais propensas a apoiar a mudança. Primeiro, nós convencemos sobre a importância e o impacto que cada pessoa perceberá nas próprias atividades, no benefício para si; depois, mostramos: para alcançar esse benefício, precisamos de ajuda em determinada atividade. Tudo isso facilita a adaptação e a aceitação da proposta que estamos levando.

No próximo vídeo, vamos dar mais contexto, começar a construir esse elemento e destacar a importância da comunicação em governança de dados. Te vejo no próximo vídeo e até lá.

Sobre o curso Governança de Dados: comunicação estratégica para stakeholders

O curso Governança de Dados: comunicação estratégica para stakeholders possui 123 minutos de vídeos, em um total de 42 atividades. Gostou? Conheça nossos outros cursos de Governança e Qualidade de Dados em Dados, ou leia nossos artigos de Dados.

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