Olá! Meu nome é Alice Fernanda Gonçalves. Sou uma mulher branca, com cabelos pretos na altura dos ombros e olhos castanhos. Estou vestindo uma blusa marrom. Estou muito feliz por estar aqui para ser a instrutora do curso de gestão ágil de projetos e programas de RH.
Audiodescrição: Alice é uma mulher branca, com cabelos pretos na altura dos ombros e olhos castanhos. Ela veste uma blusa marrom.
Apresentando-me um pouco, tenho vasta experiência em RH, sempre atuando como especialista na área. Iniciei minha carreira como HR Business Partner, onde evoluí por bastante tempo. Posteriormente, migrei para a consultoria, onde apliquei projetos tanto para o departamento pessoal quanto para HR BPs, além de implantação de tecnologia, como HCMs, ATS e outras tecnologias utilizadas no RH, incluindo motores de folha de pagamento.
Também faço parte da Chrome Alliance como Product Owner (PO) e já desenvolvi projetos com inteligência artificial voltada para RH. Sou Change Management Practitioner, sendo a gestão da mudança uma das minhas especialidades, que será abordada ao longo do curso.
Este curso de gestão de projetos e programas de RH será dividido em três partes. Na primeira parte, vamos introduzir os conceitos ágeis, entender a origem do conceito de agilidade, em qual contexto ele se aplica, como eram aplicadas as primeiras metodologias e o motivo para realizar uma mudança.
Na segunda parte, já teremos compreendido um pouco desse conceito básico e das ferramentas mais fundamentais. Aqui, entraremos em uma parte mais prática, onde aplicaremos exemplos da rotina de RH utilizando as ferramentas que aprendemos na primeira aula.
Por fim, a terceira parte do curso abordará a inteligência artificial para gestão de projetos. Após a prática na segunda parte do curso, aprenderemos como escalar essa gestão com IA, aplicando-a no dia a dia para melhorar a gestão de projetos e programas de RH, bem como na criação de soluções.
Esperamos que aproveitem bastante este curso. Caso tenham dúvidas, sintam-se à vontade para entrar em contato pelo LinkedIn. Além disso, podem explorar os materiais complementares ao longo de cada aula. Muito obrigado e nos vemos na próxima aula. Até mais!
Nesta aula, vamos abordar a introdução à agilidade, sendo a primeira aula da primeira parte deste curso. Nosso objetivo é entender o contexto histórico que levou à criação do Manifesto Ágil e qual era a principal metodologia de gestão de projetos utilizada na maioria das empresas até então.
A gestão de projetos possui um histórico bastante antigo, originando-se na engenharia. Muitas vezes, acreditamos que a gestão de projetos é algo contemporâneo, associado à inovação, e que empresas com um PMO são mais inovadoras e ágeis. No entanto, isso não é necessariamente verdade. A gestão de projetos não implica, obrigatoriamente, em conceitos ágeis, nem é algo essencialmente novo.
Desde as pirâmides do Egito e a Muralha da China, grandes construções já exigiam a gestão de recursos, tempo, pessoas, comunicação, expectativas e stakeholders. Embora hoje utilizemos nomenclaturas mais modernas, os conceitos básicos já eram aplicados naquela época.
Com o tempo, as metodologias evoluíram. A administração clássica foi incorporando novas ferramentas, impulsionada pelo avanço das tecnologias e marcos históricos, como a Revolução Industrial. Essa evolução fez com que a gestão de projetos se deslocasse do campo da administração para o da tecnologia. Por isso, atualmente, associamos gestão de projetos e PMO à inovação, muito difundida por equipes de tecnologia. Contudo, o contexto histórico remonta à engenharia, passando pela administração até chegar à TI.
Entre os marcos históricos, temos a criação do gráfico de Gantt por Harry Gantt, uma ferramenta que visualiza o progresso de um projeto em uma linha do tempo, mostrando fases, pendências e dependências. Na administração clássica, Henry Fayol introduziu conceitos que, apesar de evoluírem, mantêm a essência, como planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar. Esses conceitos evoluíram para o PDCA (Plan, Do, Check, Act), que possui objetivos semelhantes.
Ao longo do curso, apresentaremos diversas metodologias e ferramentas. Ao se aprofundar nelas, perceberemos diferenças e peculiaridades que justificam seu uso em determinados contextos. No entanto, todas visam uma gestão mais ágil dentro de suas realidades específicas.
Em uma linha do tempo mais contemporânea, temos o gráfico de Gantt em 1917. Nos anos 50, após a Segunda Guerra Mundial e entrando nos anos 70, surgiram modelos mais controlados, de origem militar e governamental, que exigiam sign-offs e etapas bem definidas. Nos anos 70, foi criado o modelo Waterfall ou Cascata, que se tornou o principal modelo e ainda é amplamente utilizado por muitas empresas. Vamos aprofundar nosso estudo sobre esse modelo.
Até o final dos anos 80, tivemos o PRINCE, criado pelo governo britânico, um modelo de gestão bastante controlado. Já nos anos 90, em um contexto de crise do software, que vamos entender mais a fundo na próxima aula, ocorreu a criação do Frameworks CRAN, o principal framework do Agile, e a primeira publicação do PMBOK. O PMBOK é um guia de boas práticas e a principal ferramenta para quem deseja se certificar como Project Manager dentro do PMI, o Project Management Institute. Para uma leitura complementar, o PMBOK é uma fonte de informação sempre atualizada. Ele é atualizado periodicamente, e já temos uma versão para 2026. É importante manter-se sempre atualizado com o que está saindo no PMBOK.
Um ponto importante é que muitas pessoas acreditam que o PMBOK trata de uma gestão em cascata, mas isso não é necessariamente verdade. O PMBOK é um guia de boas práticas de gestão de projetos, seja ele tradicional ou ágil, e já incorpora conceitos ágeis dentro dessas boas práticas. O CRAN também está contemplado dentro das versões do PMBOK. Por fim, em 2001, tivemos a criação do Manifesto Ágil, que também vamos entender melhor na próxima aula.
Nos anos 70, estabeleceu-se o modelo tradicional em cascata, que ainda é muito utilizado hoje em dia. Esse modelo é basicamente dividido em cinco fases. O grande ponto é que só conseguimos avançar para a fase seguinte se tivermos concluído totalmente a fase anterior. Não é possível pular etapas ou ter incrementos durante as fases. Primeiramente, temos os requerimentos, onde identificamos tudo o que é necessário para montar o projeto ou produto. Depois, passamos para o design, onde fazemos a especificação funcional nos requerimentos, definindo como aquilo deve funcionar. No design, a equipe técnica entra para fazer a especificação técnica, desenhando como a especificação funcional se traduzirá no produto, na tecnologia que está sendo criada, ou no projeto.
É importante lembrar que esses conceitos de gestão de projeto vêm muito da TI, por isso a maior parte deles inclui design e implementação, pois estamos falando de implementação de softwares. No entanto, para o contexto de RH, pode-se criar um programa de liderança, um conselho institucional ou um projeto mais voltado para processos de RH do que para a implantação de um sistema. Os preceitos continuam válidos, mas sem a aplicação de tecnologia, algumas fases podem ser mais fluidas.
Após isso, temos a implementação, ou execução, quando realmente começamos a criar o produto. Em seguida, testamos o produto, fazemos o lançamento e a manutenção, atualizando o que for necessário, corrigindo bugs e conduzindo o projeto ao longo do tempo. O modelo em cascata enfatizava um alto controle e planejamento excessivo para ter um produto pronto no final das cinco etapas. O produto só estava realmente pronto no final.
Na próxima aula, vamos entender o manifesto ágil e como o modelo em cascata levou à criação desse manifesto. O modelo em cascata não era o único, mas era o principal, e vamos explorar ao longo do curso as metodologias que confrontam esse modelo tradicional. É importante ter esse conceito tradicional bem claro, pois vamos referenciá-lo bastante. O ágil vem para resolver problemas ocasionados principalmente por esse modelo tradicional. Nos vemos na próxima aula. Até mais!
Olá, na aula de hoje vamos discutir o Manifesto Ágil, seu surgimento e como o modelo Cascata deu início a essa questão. Já analisamos nossa linha do tempo, compreendemos o início da gestão de projetos, o modelo tradicional de gestão e como, ao longo do tempo, esses modelos foram se atualizando e se refinando. Agora, vamos entender o contexto que levou à criação dos métodos ágeis.
Partimos da crise do software dos anos 90. Naquela linha do tempo, os métodos de gestão eram muito controláveis, frequentemente ligados a governos, até a criação do método Cascata, que foi amplamente difundido. Nos anos 90, enfrentamos o que chamamos de crise do software. Nesse período, muitas empresas estavam implementando sistemas e tecnologias que, ao serem lançadas, já estavam defasadas em relação às expectativas do mercado e às necessidades de novas funcionalidades e soluções.
Havia um problema de montagem dessas soluções, e o ágil surgiu dessa necessidade de entregar algo que realmente agregasse valor e resolvesse problemas. O ágil é mais uma forma de pensar do que um método ou ferramenta. O Scrum, por exemplo, é o principal framework e não um método; ele é adaptável à realidade de cada um e possui valores e princípios específicos a serem seguidos. O objetivo é criar produtos que realmente solucionem problemas de negócios, sejam úteis e agreguem valor, evitando retrabalho.
O método Cascata, que discutimos na aula anterior, era muito custoso para alterações. Passávamos muito tempo planejando, fazendo requerimentos e especificações funcionais antes de desenvolver e lançar. Cada fase só começava após a conclusão da anterior. Quando o produto era lançado, já estava defasado, e qualquer alteração exigia retornar à etapa inicial do projeto, o que era demorado e custoso. Precisávamos de uma gestão que respondesse de maneira mais rápida e efetiva ao modelo Cascata.
Nesse contexto, uma série de pessoas desenvolvedoras, engenheiras de software e profissionais de TI se reuniram na conferência de Snowbird em 2001 e escreveram o Manifesto Ágil. Foi nesse cenário que o ágil surgiu.
Dentro do ágil, os valores principais são destacados no manifesto ágil, que apresenta quatro valores fundamentais. Esses valores ajudam a entender a mentalidade ágil. O primeiro valor é "indivíduos e interações mais que processos e ferramentas". O segundo é "software em funcionamento mais que documentação abrangente". O terceiro valor é "colaboração com o cliente mais que negociação de contratos". E, por fim, "responder a mudanças mais que seguir um plano".
Ao analisar esses valores, percebemos que eles abordam os principais pontos de dor que as equipes enfrentavam em relação aos métodos anteriores, especialmente o método cascata. Cada valor coloca uma afirmativa em contraponto a outra. Não significa que processos, documentação, contratos ou planos não sejam importantes, mas, para agregar valor e responder com mais rapidez às demandas do negócio, é necessário priorizar outros fatores, como boa comunicação e relacionamento.
É essencial que o software funcione, especialmente em projetos de tecnologia. Podemos substituir "software" pelo projeto em questão, como um programa de RH que funcione. Se estivermos implementando uma nova trilha de mentoria, por exemplo, ela precisa ter valor, ser adequada, do tamanho correto e efetiva. As pessoas participantes devem realmente mudar seu comportamento e forma de gestão de equipes. O ágil enfatiza a importância de responder a mudanças, fazer adaptações e garantir que o produto funcione e tenha valor. As relações entre as equipes multidisciplinares e multifuncionais devem ser eficazes, permitindo boa comunicação e entendimento.
No ágil, temos quatro valores principais e, dentro deles, 12 princípios, que não serão detalhados aqui, pois os quatro valores já abrangem bem o contexto de RH. A mentalidade ágil contrasta com o método cascata, que era mais controlado, com mudanças não bem-vistas e foco em seguir o planejamento. No ágil, as mudanças são bem-vindas, e as equipes multidisciplinares são autogeridas, com autonomia para tomar decisões. Enquanto no cascata tudo era controlado e hierárquico, no ágil, as equipes atuam de forma mais independente, permitindo decisões mais rápidas. Embora haja menos controle, o que foi combinado no início deve ser entregue.
Esse é o contexto da criação da mentalidade ágil. Na próxima aula, vamos aprofundar mais sobre o contexto de RH, as tendências para aplicação do ágil dentro do RH e, por fim, entender um pouco dos frameworks básicos. Vamos explorar o Scrum, entender o Scrum, o Kanban e, até lá, esperamos que todos se aprofundem nesses assuntos. Há o PMBOK para consulta e alguns livros recomendados ao longo do curso. O livro desta aula é "Scrum: A Arte de Fazer o Dobro do Trabalho na Metade do Tempo". Esses livros são recomendáveis, mas não essenciais para continuar o curso. É sempre importante se aprofundar sempre que possível.
Aguardamos todos na próxima aula. Até mais!
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