Alura promove debate sobre LGBTQIA+ e carreira no Google For Startups

Alura promove debate sobre LGBTQIA+ e carreira no Google For Startups
Adriana Vieira
Adriana Vieira

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Quais são os desafios de grupos minorizados na hora de ingressar no mercado de trabalho de tecnologia? Que transformação é necessária dentro das empresas para receber estes grupos e fortalecer de fato a diversidade na cultura organizacional? No dia 30 de junho, a Alura promoveu um debate para responder essas e outras perguntas ligadas ao tema Recrutamento e Carreira em Tecnologia para pessoas LGBTQIA+, na sede da Google For Startups.

A mediadora e tech recruiter Ana Ribeiro, instrutora da escola de Inovação e Gestão da Alura, conversou com Alejandra Yacovodonato, diretora da Fly Educação, com Noah Scheffel, CEO da Educa TRANSforma e com Mayara Gonçalves, Diretora de Pessoas e Cultura da Letrus.

Confira a seguir alguns highlights dessa conversa em prol da inclusão, ou assista à gravação da Live no canal da Alura..

Alejandra Yacovodonato, Mayara Gonçalves e Noah Scheffel.

O que os dados dizem

Recentemente, foi divulgado que não haverá perguntas sobre orientação sexual no IBGE. A preocupação com a ausência de dados é grande pois, somente com eles, é possível entender o cenário do mercado de trabalho para pessoas LGBTQIA+.

Sobre os dados já disponíveis, Noah Scheffel trouxe o que temos hoje por meio da Antra, que aponta que apenas 5% das pessoas trans estão no mercado formal do Brasil, 5% estão em subempregos e 90% acabam recorrendo à prostituição.

A Alejandra complementou o tópico com estatísticas do Mindtech que mostram que 50% das empresas de tecnologia não tem nenhuma pessoa da comunidade LGBTQIA+ em seu quadro de profissionais.

Segundo a Mayara Gonçalves, a carência de dados formais atrapalha muito na hora de fazer ações de diversidade dentro das empresas, pois faltam referências para dar embasamento para essas ações.

Capacitação para o mercado

Os convidados conversaram sobre ações que podem ajudar a preparar pessoas de grupos minorizados a ingressar na área de tecnologia e mencionaram projetos específicos para o público LGBTQIA+ que estão liderando:

1. Meninas em Tech - Alejandra Yacovodonato

A Fly Educação é uma ONG que trabalha em parceria com empresas com o objetivo de democratizar a educação e capacitar pessoas para o mercado trabalho. Um de seus principais projetos é o Meninas em Tech LBTQ+, que visa aumentar o número de mulheres no mercado tech, em especial mulheres lésbicas, bissexuais e trans.

O Meninas In Tech da Fly promove a capacitação sobre programação em parceria com a Alura, combinada com a capacitação socioemocional.

2. EDUCATRANSFORMA - Noah Scheffel

Da mesma forma, a EducaTRANSforma promove a formação de pessoas transgênero gratuitamente com softkiils em parceria com diversas empresas e também de hardskills a partir da plataforma da Alura.

Todo processo se dá de forma online, possibilitando que pessoas transgênero de todo Brasil participem das turmas, que possuem duração de 6 meses de formação.

Transformação nas empresas

Além de fornecer capacitação para pessoas que desejam uma carreira em tecnologia, também é necessário preparar as empresas para recebê-las. O primeiro passo, para o Noah, seria entender a diferença entre os conceitos de diversidade e de inclusão:

"Não necessariamente um ambiente diverso é inclusivo. Afinal, existem diferenças entre todos e todas. O ambiente inclusivo vai além, olhando para cada marcador social, partindo para a criação de mecanismos específicos para esses recortes e colocando as pessoas em lugares de equidade" - Noah Scheffel

Outros passos importantes das empresas vão desde o mais básico, como olhar para os formulários destinados a pessoas candidatas que não sejam binários, até fazer parcerias com ONGs que apoiam e capacitam esses grupos. Outra reflexão importante foi sobre a necessidade das áreas de RH perceberem que suas próprias equipes ainda não contemplam a pluralidade que existe na sociedade:

“Faz muita diferença quando a pessoa que a gente entrevista se vê na gente e eu falo isso por ser uma mulher negra. Quando eu faço entrevistas com pessoas negras, é assim: primeiro o susto e depois vem o gente, mas você tá aí? Então quero ir pra aí também”. - Mayara Gonçalves

Sobre entrevista de emprego, a Mayara trouxe ainda que é preciso incluir indagações que esclareçam se a pessoa candidata está próxima do valor de diversidade da empresa. Um exemplo seria perguntar "O que você acha de vagas afirmativas?". Além disso, pontuou que ter políticas de permanência, como um auxílio home office robusto e acesso à terapia também são fundamentais.

Representatividade na política

Sobre políticas públicas, a Alejandra Yacovodonato comentou que quando a empresa é aliada da causa, ela não precisa aguardar as políticas públicas para promover a mudança. Mas, reforçou que um caminho muito importante é termos pessoas no poder que representem os grupos minorizados. Assim, essa jornada pela equidade demoraria muito menos tempo. Como um alento, a Alejandra trouxe dados do programa Voto Com Orgulho que mostram que houve um aumento nas candidaturas de pessoas LGBTQIA+:

“Dentro de tanto caos, tanta miséria e tantos problemas que a gente vive, temos que ser nosso próprio motivador. Em São Paulo, tem 110 pré-candidaturas LGBT, ou seja, 80% mais do que ano passado. Então, gente! Está ruim, mas estamos movimentando. O que eu faço é ver o que eu posso dialogar que nos dê um pouco de esperança porque uma mudança sistêmica, especialmente em um país grande como o Brasil, demora. Temos que ter paciência.” - Alejandra Yacovodonato

Por fim, os convidados mencionaram a necessidade de termos cada vez mais diálogo e criação de pontes, com comprometimento de todas as pessoas, para gerar mudanças e alcançar a equidade nas empresas. Assista ao vídeo completo da Live para ver mais depoimentos inspiradores, além de respostas às perguntas da plateia.

Adriana Vieira
Adriana Vieira

Analista de Conteúdo na Alura.

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