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Pontos-chave:
Inovar se tornou uma palavra de ordem nas organizações. Mas existe uma diferença significativa entre falar sobre inovação e ter uma cultura voltada exclusivamente para ela.
Segundo o “Innovation Benchmark Report”, da PwC, 54% das empresas têm dificuldade em alinhar sua estratégia de inovação com a de negócio. E apenas um quarto das pessoas entrevistadas acredita que o seu negócio lidera em inovação em relação às concorrentes.
Engana-se quem acredita que o problema é a falta de ideias. O grande desafio da inovação nas empresas é a falta de cultura estruturada, que possibilita que as novas iniciativas sejam geradas, testadas e implementadas de forma consistente, não apenas em momentos pontuais.
Continue a leitura para entender melhor o que é cultura de inovação, sua definição, os fatores que a promovem e como implementá-la na sua organização!
A cultura de inovação é o conjunto de valores, comportamentos, práticas e estruturas que tornam a geração e a implementação de novas ideias parte do funcionamento de uma organização, e não um esforço especial ou projeto paralelo.
Vale a pena destacar que a definição de cultura de inovação vai além da criatividade individual. Uma organização pode ter pessoas altamente criativas e ainda assim não ter cultura de inovação.
Um exemplo é quando o negócio não aceita o risco de testar ideias, as hierarquias bloqueiam a experimentação ou quando não há processos para transformar as novas iniciativas em resultados.
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Mas, então, o que significa cultura de inovação, na prática? Significa que as pessoas da organização sentem que podem propor novas abordagens sem medo de serem punidas pelo erro, que existem tempo e recurso dedicados à experimentação e que há um caminho claro entre a ideia e a execução dela.
O conceito de cultura de inovação parte de uma diferença fundamental: tratar a inovação como evento versus incorporá-la como capacidade organizacional.
Muitas organizações tratam a inovação como evento, como um hackathon (reunião de ideias) anual, uma semana de ideação ou um laboratório de disrupção separado do negócio.
Esses são exemplos de esforços que podem gerar boas ideias, mas raramente criam resultados sustentáveis, porque não mudam o ambiente em que o trabalho acontece.
Desse modo, a cultura de inovação nas empresas existe quando a inovação está integrada ao fluxo normal de trabalho, ou seja, quando equipes de produto, tecnologia, operações e atendimento têm espaço para questionar o estado atual das coisas, propor melhorias e testar hipóteses sem precisar de uma aprovação rigorosa para cada experimento.
Segundo o “29th Global CEO Survey” da PwC, as lideranças que mais avançam em inovação são as que integram o conceito à estratégia de negócio e ao modelo operacional, não as que criam estruturas desconectadas da operação.
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Para entender melhor a cultura de inovação, é importante considerar os três níveis principais.
Cada pessoa da organização precisa sentir que tem permissão e capacidade para inovar. Isso envolve autonomia para questionar processos, habilidades para experimentar com método e segurança para propor ideias sem medo de ser punido(a) pelo erro.
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Times que inovam têm algumas características em comum: diversidade de perspectivas, processos de trabalho que incluem momentos de reflexão e aprendizado, e lideranças que incentivam a experimentação sem exigir certeza antes de agir.
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A cultura se manifesta nas estruturas, políticas e incentivos da organização. Empresas que dizem valorizar a inovação, mas avaliam e recompensam apenas entregas de curto prazo, criam um ambiente de contradição. Isso faz com que as pessoas aprendam rapidamente a fazer somente o que é recompensado.
Algumas condições são determinantes para que a cultura de inovação nas empresas se desenvolva de forma sustentável. Listamos a seguir.
A cultura começa no comportamento da liderança. Líderes que experimentam, que assumem publicamente quando algo não funcionou como esperado e que investem tempo em iniciativas de inovação que enviam um sinal claro para a organização.
Porém, gestores e gestoras que falam sobre inovação, mas nunca assumem riscos, não permitem o desenvolvimento de projetos-piloto, entre outras ações que barram novas ideias, comunicam o oposto.
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As pessoas colaboradoras não propõem ideias novas em ambientes em que o erro é punido ou em que discordar da hierarquia tem custo político. Por isso, a segurança psicológica — percepção de que é seguro assumir desafios interpessoais — é um dos fatores organizacionais que promovem a cultura de inovação.
Organizações que querem inovar precisam alocar tempo, orçamento e atenção para a experimentação. Isso pode ser uma porcentagem do tempo de trabalho, atividades regulares que promovam a criatividade ou orçamento para projetos-piloto de baixo custo.
Um dos desafios mais comuns é a ausência de um caminho claro entre a ideia e a implementação. Boas iniciativas que não têm um processo para serem avaliadas, priorizadas e testadas morrem por estagnação.
Dito isso, ter um funil de inovação estruturado, ainda que simples, aumenta significativamente a taxa de conversão de ideias em atividades que geram resultados nas empresas.
Pessoas com formações e bagagem cultural semelhantes tendem a encontrar soluções parecidas para os desafios cotidianos.
Por essa razão, a diversidade, seja de formação, experiência, função ou ponto de vista, amplifica a capacidade da equipe de ver desafios de formas diferentes e gerar soluções que não seriam óbvias para um grupo uniforme.
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A resposta para essa pergunta não é linear, afinal, a cultura se constrói ao longo do tempo. Mas há pontos de partida mais eficazes do que outros em que sua empresa pode se inspirar:
Antes de lançar qualquer projeto, entenda onde a organização está. Algumas perguntas podem nortear as ações.
A resposta honesta a essas questões permite que a liderança intervenha nos pontos certos do negócio.
Segundo o “Innovation Benchmark Report”, da PwC, a estratégia é o principal fator de sucesso das iniciativas de inovação.
Isso significa que tentar inovar sem clareza sobre quais problemas é preciso resolver pode gerar dispersão de esforço, de orçamento e frustração nas pessoas envolvidas.
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Errar faz parte de qualquer processo de inovação. O que diferencia as organizações que aprendem das que travam perante um projeto que não deu certo é o que fazem depois do erro.
Nesse cenário, é importante criar uma rotina para revisar o que não funcionou, por meio de feedbacks regulares e registros de aprendizado acessíveis a todas as pessoas. Isso ajuda a transformar cada experimento fracassado em informação útil para o próximo projeto.
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Inovação é uma habilidade que se aprende. Por esse motivo, capacitar times em metodologias de experimentação, design thinking, análise de dados e pensamento crítico, por exemplo, aumenta a qualidade das ideias e a taxa de sucesso dos experimentos.
Organizações que medem apenas resultados de curto prazo impedem a inovação. O ideal é incluir indicadores de performance, como número de experimentos realizados, velocidade de aprendizado e taxa de ideias que chegam ao piloto, para criar incentivos mais alinhados com o comportamento inovador da equipe.
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A implantação da cultura de inovação raramente segue um cronograma fixo. Mas há dinâmicas comuns que as lideranças podem antecipar para saber como agir, conforme mencionamos a seguir.
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Construir uma cultura de inovação levanta questões práticas que nem sempre têm resposta direta. A seguir, respondemos às perguntas mais comuns de lideranças sobre o assunto.
Criatividade é a capacidade individual de gerar ideias novas. Já a cultura de inovação é o ambiente organizacional que permite que essas ideias sejam desenvolvidas, testadas e implementadas de forma consistente.
Uma organização pode ter pessoas altamente criativas e, ainda assim, não inovar, pois não há processos para transformar ideias em ação. Considerando isso, podemos resumir que: a criatividade é um insumo, mas a cultura de inovação é o sistema que a transforma em resultado.
Momentos de crise são exatamente quando as organizações tendem a abandonar as iniciativas de inovação, e exatamente quando não deveriam.
Segundo a pesquisa de Amy Edmondson, publicada pela Harvard Business Review, a segurança psicológica se torna ainda mais importante em períodos de pressão.
Isso porque as pessoas precisam se sentir seguras para levantar problemas e propor alternativas quando o risco de errar é maior. Lideranças que preservam esse espaço, mesmo em escala menor, saem da crise com times mais adaptáveis.
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Sim. Inclusive, alguns dos exemplos mais interessantes da cultura de inovação vêm de setores regulados, como saúde, finanças e energia. O que muda nesses ambientes é o escopo: experimentação com maior cuidado com compliance, inovação em processos internos antes de produtos para clientes, e ciclos de validação mais longos.
Neste artigo, vimos que construir uma cultura de inovação exige tanto mudança de ambiente quanto desenvolvimento de pessoas. Times que sabem experimentar com método, analisar resultados e aprender rápido inovam mais, independentemente das ferramentas disponíveis.
A Alura Para Empresas apoia organizações que querem transformar o aprendizado em prática, ajudando lideranças e equipes a desenvolver repertório, autonomia e mentalidade de evolução contínua.
Assim, a inovação deixa de depender apenas de iniciativas isoladas e passa a fazer parte da rotina de todos os times da organização.
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