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Governança de dados: Produtos de dados

O valor dos dados - Apresentação

Apresentando o curso e o instrutor

Olá! Meu nome é Pedro Moura, e seja muito bem-vinde ao curso de Produto de Dados.

Neste curso, nós vamos discutir o contexto em que os produtos de dados surgem.

Detalhando conteúdos e convidando à participação

Também abordaremos definições importantes, sobre quem recai a responsabilidade pelos produtos de dados e como essa mudança de mentalidade em relação ao tratamento dos dados da instituição transformará inclusive a forma como trabalhamos com a plataforma de dados. Além disso, veremos como criar um produto de dados e, em seguida, realizar a avaliação de maturidade desse produto, etapa que também é muito importante.

Espero que você goste e que me acompanhe neste curso.

O valor dos dados - A transição do valor dos dados

Apresentando o curso e contextualizando a transição dos dados

Olá! Bem-vindas e bem-vindos ao nosso curso de produtos de dados.

Para iniciar este curso, vamos abordar a transição do valor dos dados de uma perspectiva mais técnica para uma perspectiva de negócio, o que está profundamente conectado ao surgimento e à popularização do conceito de produtos de dados. Para entender melhor esse movimento, nossa ideia é realizar um breve percurso histórico de como ocorreu a transição do interesse por dados.

Explicando o uso transacional dos dados e o surgimento do gargalo

Nesta etapa, teremos um primeiro momento em que os dados eram utilizados exclusivamente por áreas mais técnicas para suportar processos transacionais. Se pensarmos, por exemplo, em um grande banco, podemos imaginar que os dados eram utilizados para verificar, quando tentávamos fazer uma compra com cartão de débito, se a nossa conta tinha saldo para realizar a compra. Nesse sentido, o dado estava ali apenas como suporte para esse processo de negócio.

Com o aumento da percepção de que os dados podem gerar valor por si mesmos dentro da organização, passamos a um segundo momento, com maior interesse no uso dos dados, o que provocou um gargalo na área técnica. Vamos explicar em mais detalhes como isso ocorre. Quando as organizações e as áreas de negócio começaram a perceber que, ao analisar os dados da instituição, poderíamos gerar Insights (percepções), extrair valor e entender, por exemplo, qual é o comportamento de compra daquela pessoa usuária que utiliza o cartão de débito, as áreas passaram a demandar cada vez mais dados.

Essas capacidades para manejar dados estavam muito concentradas nas áreas técnicas: em analistas de dados, em analistas de bases de dados e em pessoas cujo objetivo principal dentro da organização era garantir que esses dados estivessem sempre seguros e sempre precisos, sob uma ótica mais transacional. À medida que todas as áreas passaram a demandar mais dessas capacidades para trabalhar com dados, isso se tornou um gargalo para as pessoas que atuavam na área de dados.

Detalhando a diversificação de papéis e a federalização das capacidades

É nesse contexto que observamos o boom da área de dados como temos hoje, e as profissões começam a se diversificar. Se antes tínhamos apenas uma pessoa analista de bases de dados, agora, neste segundo momento, passamos a ter analista de dados, cientista de dados, profissional de engenharia de dados e profissional de engenharia de plataforma, cada função com conhecimentos mais específicos, voltados a categorias e capacidades mais especializadas dentro desse ecossistema de dados.

Isso leva à federalização das habilidades e capacidades relacionadas a dados para as áreas de negócio. Por quê? Imaginemos que, dentro do nosso banco, onde trabalhamos, nesta empresa, pessoas de várias áreas de negócio diferentes — RH, finanças, área de cartões, área de conformidade — passaram a solicitar dados. Porém, tínhamos um número muito limitado de profissionais de engenharia dentro da unidade de dados. À medida que todas as áreas aumentaram a demanda, chega um momento em que se torna impossível para nossa equipe de engenharia cobrir todas essas solicitações. As demandas dos times de negócio crescem muito mais rápido e superam o que conseguimos atender com a equipe de engenharia central.

Com isso, as grandes empresas passam a entender a necessidade de federalizar essas capacidades, ou seja, criar áreas de dados nas próprias unidades de negócio — seja em finanças, RH ou na área de cartões — para que elas mesmas utilizem essa capacidade e supram o gargalo que é centralizar todas as competências de dados em uma organização única e central.

Introduzindo o conceito de produtos de dados e antecipando a próxima aula

É nesse momento, nesse contexto, que surge o conceito de produtos de dados. Veremos mais sobre isso adiante. O mais importante que precisamos entender é essa tendência que ocorreu no mercado, nesse movimento de federalização, em que a visão sobre dados muda conforme aumenta o interesse das áreas de negócio. Se no passado víamos os dados como um ativo tecnológico que apoiava processos transacionais, hoje encaramos os dados como um ativo da organização, que interessa e agrega valor ao negócio.

E como surge o produto de dados nesse cenário? É exatamente sobre isso que falaremos na próxima aula.

O valor dos dados - Ownership e responsabilidade

Contextualizando a capacitação das áreas de negócio

Na última aula, discutimos o contexto que leva à criação de produtos de dados. Ainda não chegamos a esse ponto, mas entendemos que, com o aumento da demanda e do interesse das áreas de negócio por dados, essas áreas começaram a se capacitar para trabalhar com dados.

Progressivamente, as capacidades necessárias para trabalhar com dados, como os acessos — que antes estavam muito monopolizados pelas áreas técnicas — foram sendo transferidas para as áreas de negócio. Isso significa que, por exemplo, uma pessoa engenheira de dados, que antes estava muito centrada na equipe central de engenharia de dados, agora pode trabalhar diretamente com Recursos Humanos, atendendo demandas específicas dessa área de negócio, porque há necessidade de muitos dashboards (painéis), tabelas e até mesmo APIs (interfaces de programação de aplicações) específicas, entregando dados para possibilitar a extração de valor.

Introduzindo a questão da responsabilidade na governança

Esse cenário nos leva a uma pergunta muito importante e relevante: a responsabilidade. Quem é o responsável pelos dados, especialmente nesse contexto em que o interesse das áreas de negócio é cada vez maior e, junto a ele, cresce a capacidade de manejar os dados?

Para responder a essa pergunta, é fundamental entendermos por que essa questão é tão central para a governança de dados. Podemos perguntar: Professor, este não é o primeiro vídeo de governança de dados que vemos, mas a questão da responsabilidade sempre volta, reaparece e surge. Por que isso ocorre? Isso acontece porque, tanto sob uma perspectiva de conformidade — de entender como a LGPD, por exemplo, incide sobre os dados — quanto sob uma perspectiva de uso, orientada a produtos de dados, a questão da responsabilidade, isto é, ownership (titularidade), é central para a governança de dados. Afinal, precisamos identificar quem será o responsável pelos dados, inclusive para podermos delegar responsabilidades e capacidades.

Lembremos que, quando uma empresa centraliza excessivamente as capacidades, normalmente apenas essas pessoas têm acesso aos dados. Assim, torna-se muito mais difícil para uma área de negócio conseguir acesso a um dado que, por exemplo, pertence a Finanças ou ao balanço da empresa, ainda que esse dado seja muito relevante para a tomada de decisão daquela área de negócio.

Definindo responsabilidades entre negócio e organização

Portanto, retornamos à pergunta sobre quem é o responsável pelos dados. Temos uma resposta curta e uma resposta mais longa, como costuma acontecer em temas complexos. A resposta curta é: o negócio é o responsável pelos dados. Esse é um ponto importante, pois está bem estabelecido na teoria da disciplina de governança de dados que o negócio é, sim, o responsável por esse dado — responsável nesse sentido quando pensamos em prestação de contas.

No pior cenário, ocorre um vazamento de dados pessoais de Recursos Humanos. Nesse caso, quem será responsabilizada é a pessoa proprietária dos dados, isto é, a pessoa responsável pelos dados, porque detinha o dever legal e moral, assim como as capacidades, de proteger esses dados, e falhou nisso.

Há, porém, uma resposta mais extensa e completa: o negócio também pode ser responsabilizado, no sentido quase jurídico do termo, como quem presta contas sobre esses dados. Contudo, o cuidado com os dados de uma organização é responsabilidade de toda a organização, de todas as pessoas que terão contato com os dados e, inclusive, daquelas que decidirem não ter contato com os dados para tentar se eximir, em parte, dessa responsabilidade.

Destacando a relevância da pessoa consumidora de dados

Nós precisamos entender isso com mais detalhes. É exatamente isso que faremos no curso: promover a mudança de uma visão mais técnica para uma visão mais orientada ao uso dos dados. É o que fazem os produtos de dados. Com essa mudança, passamos a ter outras pessoas atuantes mais relevantes, como, por exemplo, a pessoa consumidora dos dados.

A pessoa consumidora dos dados é fundamental, porque é quem lida com os dados no cotidiano. Ela tem sua parcela de responsabilidade: apontar um erro; sinalizar quando um dado é pessoal e não está marcado como pessoal.

Detalhando responsabilidades do negócio e da área técnica

O negócio também é diretamente responsável pelos dados e por seus usos, pois, nesse contexto, representa a pessoa proprietária dos dados. Em primeira instância, é o negócio que decide quem ou quais pessoas consumidoras terão acesso aos dados e para quais usos esses dados estão autorizados. Aqui, precisamos considerar a questão de compliance (conformidade) com a LGPD, o GDPR (Regulamento Geral de Proteção de Dados) e outras legislações.

A área técnica não se exime de responsabilidade apenas por ter delegado algumas capacidades às áreas de negócio. A plataforma e as áreas técnicas, em termos gerais, atuam como garantidoras da proteção dos dados, assegurando, por exemplo, que, quando houver necessidade de anonimização, os dados estejam devidamente anonimizados, além de proverem essas capacidades.

Esclarecendo a responsabilização formal na organização

Em última instância, também contamos com a pessoa no cargo de Chief Data Officer (pessoa diretora de dados) como responsável legal pelos dados em toda a organização.

De forma simplificada, podemos afirmar que a responsabilidade recai sobre o negócio, porque, de fato, quem responde pelos dados, em primeira instância, é a pessoa no papel de Data Owner (pessoa proprietária dos dados). No entanto, em última instância, normalmente temos a pessoa no cargo de Chief Data Officer (pessoa diretora de dados), que responde, por exemplo, perante as autoridades legais, como responsável pelos dados, ao menos no Brasil.

Precisamos, portanto, compreender a responsabilidade não de forma direta e única, mas como algo compartilhado por todas as pessoas que interagem com dados dentro de uma organização e, honestamente, hoje em dia, isso abrange todas as pessoas da organização. Cada pessoa tem sua parte de responsabilidade quando trabalhamos com dados.

Sobre o curso Governança de dados: Produtos de dados

O curso Governança de dados: Produtos de dados possui 104 minutos de vídeos, em um total de 45 atividades. Gostou? Conheça nossos outros cursos de Governança e Qualidade de Dados em Dados, ou leia nossos artigos de Dados.

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