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Gestão de produtos: fundamentos para product builders

O raciocínio de produto - Apresentação

Apresentando o curso e contextualizando o aprendizado

Olá, bem-vindes ao curso Fundamentos de Gestão de Produtos, do programa Product Builders (Construtores de Produto) da Alura. Eu sou Letícia Ribeiro. Trabalho com produtos digitais há 11 anos, passei por empresas como o Einstein, onde criei uma startup (empresa nascente) chamada Scala. Atualmente, estou na Elo como Senior Product Manager (Gerente Sênior de Produto) e também tenho trabalhado intensamente em como a IA pode nos apoiar na construção de produtos e nos ajudar a otimizar nosso tempo para criar produtos melhores. Vou compartilhar alguns conselhos com você ao longo do curso.

Antes de começarmos, é importante contextualizar o que vamos aprender neste curso. Este curso é um percurso completo do pensamento e do raciocínio de produto; não se trata apenas de ter ideias, mas de como transformamos essas ideias em valor, como chegamos ao outro lado.

Detalhando os módulos e esclarecendo o escopo

Vamos passar por cinco módulos: como enquadramos o problema a partir de uma ideia; como escrevemos uma proposta de valor que nos diferencia da concorrência e de outros produtos no mercado; para quem o produto existe — quem é nosso público ideal, quem vai comprar e quem vai usar o produto; como definir o produto mínimo viável e priorizar — vamos compartilhar alguns conselhos; e como definir métricas e evoluir, isto é, como saberemos se esse produto realmente funcionou ou não.

Em paralelo, o que este curso não é: não se trata de criar telas bonitas, nem de listar funcionalidades e desejos; não é sobre usar frameworks (estruturas de desenvolvimento) como receitas. Aqui vamos aprender a tomar melhores decisões antes de construir algo, e nós vamos acompanhar você nesse percurso, oferecendo conselhos práticos, exemplos e criando um caso prático em conjunto.

O raciocínio de produto - Antes de Construir

Apresentando o pensamento de produto e evitando começar por funcionalidades

Antes de começarmos a falar sobre produto mínimo viável, métricas e proposta de valor, precisamos aprender a pensar como pessoa de produto. Quando olhamos para Uber ou iFood, às vezes pensamos que o aplicativo já nasceu pronto, mas o produto não começa na tela. Há muitos elementos por trás, e o produto começa com uma boa pergunta.

O primeiro erro, o principal que cometemos, é: temos uma ideia de produto e vamos começar pelas funcionalidades. Isso é muito natural. Não precisamos nos preocupar caso já tenhamos tido esse impulso de listar funcionalidades, mas, antes, precisamos responder com clareza qual problema estamos resolvendo.

Pode soar promissor afirmar que vamos implementar login (autenticação)/cadastro, um dashboard (painel), criar notificações, perfil de pessoa usuária, gamificação e relatório de progresso. Mas para quem? O que estamos resolvendo? O que estamos fazendo aqui? É fundamental manter isso presente.

Alertando sobre construir sem direção e sem valor

Construir rapidamente pode ser perigoso. Quando pulamos esse raciocínio, podemos até entregar algo interessante, mas que não gera valor real. O problema não é construir rápido — hoje, é quase inacreditável: conseguimos criar produto em questão de horas. O problema é construir sem direção.

Funciona, é visualmente agradável, funciona tecnicamente, o código executa, não há bugs (erros), o desempenho é aceitável, a interface é agradável, e as funcionalidades parecem úteis à primeira vista; há muitas funcionalidades: login (autenticação)/cadastro, dashboard (painel), perfil de pessoa usuária, notificações, gamificação, relatório de progresso, entre outras. Porém, se isso não resolve uma dor relevante, ninguém utilizará — não porque o produto seja ruim, mas porque não tem valor e não é necessário.

Vemos muito isso hoje. Nesta era das IAs, é muito fácil criar produtos, então existem produtos de todo tipo. Nas redes sociais, diariamente alguém lança algo novo, mas a maioria não resolve uma dor de fato. É aí que nós vamos nos diferenciar.

Enquadrando o problema com perguntas essenciais

Antes da solução, precisamos pensar no problema. Isso forma, em grande medida, a base do que vem depois: o que vamos priorizar, para quem vamos vender, como vamos comunicar.

Quem tem esse problema? Em quem vamos focar? Não precisamos criar um produto para todas as pessoas. Ele precisa ser específico, sobretudo na primeira versão; depois, podemos expandir o público.

Em que contexto esse problema aparece? Dependendo da situação, podemos ter vieses distintos e formas diferentes de enxergar as coisas. Por exemplo, uma situação é solicitar um Uber à meia-noite no meio da rua: temos um problema relacionado à segurança e à rapidez do Uber, pois precisamos chegar em casa rapidamente. Isso é diferente do contexto de estar dentro de um shopping center, em um lugar seguro, solicitando um Uber. Não teremos o mesmo problema para resolver em ambos os contextos.

O que a pessoa está tentando fazer? Aqui tratamos da necessidade real, não do que acreditamos que ela queira. Para isso, precisamos conversar com as pessoas para as quais fazemos o produto, falar com nossas pessoas usuárias e entender de fato suas necessidades. Há algumas metodologias que vamos trazer aqui também.

O que acontece quando essa pessoa não consegue? Quais são as consequências se não resolver esse problema de forma imediata? É muito grave? Isso dará o peso e a urgência ao problema que estamos enquadrando.

Exemplificando o enquadramento com um aplicativo de estudos

Por exemplo, uma ideia que pode ocultar muitos problemas, por ser genérica: tivemos a ideia de criar um aplicativo de estudos. A pergunta deveria ser: que dificuldade específica esse aplicativo vai resolver? Porque, por trás dessa ideia, podemos ter vários problemas, como:

Portanto, “aplicativo de estudos” é muito genérico. Quando fazemos a pergunta correta — qual dificuldade específica estamos tentando resolver com esse aplicativo? — o jogo muda. Isso nos leva a pensar com mais profundidade e a usar nosso pensamento crítico para estruturar melhor o problema.

Aplicando a técnica de enquadramento e definindo próximos passos

Como fazemos esse enquadramento do problema? Existe uma técnica para isso. A decisão precisa vir antes da ferramenta escolhida, até porque hoje as ferramentas abundam. Elas não dizem o que vale a pena construir se não fizermos esse exercício antes.

Vamos começar pensando no problema que queremos atacar. Qual é a dor real da nossa pessoa usuária? Para quem é esse problema? Como citamos antes, qual é a pessoa específica — por exemplo, um comércio de pequeno porte? Em que contexto essa pessoa está? Existe uma consequência relevante se não resolvermos esse problema?

Essas perguntas vão modelar tudo o que vem depois: o escopo do nosso produto, o público-alvo, como vendemos, como mostramos o valor do nosso produto e como medimos o sucesso.

Nas próximas aulas, vamos mostrar isso aplicado em um caso.

O raciocínio de produto - Enquadramento de problema

Apresentando o Estuda Aí e o foco do curso

Vamos trazer como exemplo o produto fictício Estuda Aí. Esse produto nos acompanhará ao longo de todas as aulas. Trata-se de um produto para ajudar pessoas em transição de carreira que aprendem por meio de cursos e conteúdos online (on-line) a identificar com clareza o que já aprenderam a fazer, quais habilidades adquiriram e quais lacunas ainda as separam do objetivo profissional.

Ao longo do curso, vamos usar o Estuda Aí para aplicar cada conceito na prática. Trabalharemos a proposta de valor, quem é a pessoa-alvo do produto e como priorizamos um produto mínimo para validar se há mercado e se realmente há valor.

A ideia aqui não é construir código ou telas na prática. Vamos construir o raciocínio por trás desse produto. Escolhemos um produto fictício para podermos errar à vontade, aprender e mostrar também que é possível aplicar esse raciocínio de produto mesmo fora do nosso contexto.

Definindo o enquadramento do problema

O que é enquadrar um problema? Enquadrar um problema não é inventar uma frase de efeito nem criar um quadro bonito na parede. É organizar o pensamento para que todas as pessoas que trabalham no produto compreendam do que estamos falando, entendam o problema que estamos tentando resolver e como podemos orientar decisões a partir disso.

Para enquadrar bem, precisamos responder:

A estrutura do enquadramento é simples e será utilizada durante todo o curso. Podemos expressá-la assim: em um determinado contexto, uma pessoa (ator) precisa realizar algo, mas encontra uma barreira, o que gera uma consequência.

Reforçando:

Contrastando exemplos de problema mal e bem enquadrados

Por exemplo, quando usamos iFood, nossa tarefa a realizar é comer (jantar, almoçar). Não estamos simplesmente pedindo delivery (entrega). No fim do dia, nossa necessidade é comer ou comprar algo que o iFood oferece.

Um problema mal enquadrado costuma aparecer em frases genéricas que parecem corretas à primeira vista, mas não respondem ao essencial. “As pessoas precisam estudar melhor” não responde nada de concreto. Por que essa frase é fraca? Quem são essas pessoas? São pessoas estudantes, pessoas adultas, crianças, jovens? “Melhor” em quê? O que significa estudar melhor? Estudar mais rápido? Com mais frequência? De modo mais organizado? Em que contexto isso acontece? O que ocorre se não estudarem melhor? Que decisão de produto essa frase orienta? Nenhuma. É uma frase vaga: não guia escopo, não guia proposta de valor, não guia nada.

Como resolvemos isso? Enquadrando com precisão: Pessoas em transição de carreira que aprendem por meio de cursos e conteúdos online (on-line), ao tentar avaliar se estão avançando rumo às competências necessárias para mudar de área, não conseguem relacionar os conteúdos consumidos com habilidades concretas adquiridas, o que resulta em sensação de estagnação e em trocas recorrentes de cursos ou de rotas de aprendizagem.

Nesse enunciado:

Orientando decisões com um bom problema

O que um bom problema permite decidir? Um problema bem definido funciona como uma bússola para o nosso produto, como um norte.

Isso vai orientar tudo. Vai orientar a alocação do esforço no lugar correto, o escopo — o que queremos construir; o que, de fato, vamos manter fora do foco, ao menos nas versões iniciais, e construir no futuro; para quem vamos servir e para quem esta solução foi desenhada. Isso muda muito a forma como também vamos comunicar o produto.

Se estivermos vendendo para estudantes em transição de carreira, vamos nos comunicar de determinada maneira: pessoas que já trabalham, estão cansadas do dia e desejam fazer uma transição de carreira; por isso, a comunicação precisa ser leve. Se fosse um produto para pessoas da área médica, a comunicação seria outra. Se fosse um produto para crianças, precisaríamos nos comunicar com responsáveis e com as próprias crianças; é outra forma de enquadrar.

A proposta de valor é a proposição clara do benefício que a pessoa obterá com o nosso produto e a razão pela qual essa pessoa o utilizaria. Precisamos também definir como vamos medir o impacto e o sucesso na resolução desse problema.

O problema não é apenas uma frase bonita. Como vimos na aula anterior, o enquadramento do problema não existe para enquadrar, imprimir e colar na parede; existe para ser utilizado de verdade. Aqui, temos um problema central que vai orientar o que entra no nosso produto, o que fica fora do nosso alcance, qual público vamos priorizar, qual proposta de valor vamos comunicar, quais métricas vamos observar e como vamos testar primeiro — o que vamos testar primeiro.

Validando a maturidade do problema com perguntas

Como sabemos que temos um bom problema em mãos? A seguir, apresentamos perguntas que podem ajudar a guiar se o problema está suficientemente maduro antes de avançarmos; caso não esteja, também trazemos conselhos para refiná-lo.

Utilizando a IA e mantendo o raciocínio crítico

Para ajudar com tudo isso, trazemos um prompt (instrução) que vai criticar nosso enquadramento. A ideia é criarmos, de forma improvisada, o enquadramento usando nosso próprio raciocínio, para que a IA atue como validadora desse enquadramento. O prompt é: leia esta frase de problema e diga se ela é suficientemente específica para orientar decisões de produto; se o ator está claro; se a barreira é real; se a consequência tem peso; e sugira como torná-la mais precisa. Em seguida, vamos colar nossa frase.

O que esperar da IA? Ela vai indicar o que está vago — por exemplo, “pessoa”, “dificuldade”, “melhorar”, “estudo” —, questionar se o ator é suficientemente específico ou se precisamos recortá-lo mais, sugerir versões melhores dessa frase e apontar o que falta na estrutura.

Conselho importante: precisamos manter nosso raciocínio crítico mesmo com as IAs. Não devemos aceitar a primeira versão que a IA sugerir. Usemos as perguntas dela para reescrever nós mesmos. Ao final do dia, a estratégia e o pensamento crítico continuam sendo nossos.

Sobre o curso Gestão de produtos: fundamentos para product builders

O curso Gestão de produtos: fundamentos para product builders possui 168 minutos de vídeos, em um total de 49 atividades. Gostou? Conheça nossos outros cursos de IA para Produto & Negócio em Inteligência Artificial, ou leia nossos artigos de Inteligência Artificial.

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