Se chegamos até aqui ao final, significa que concluímos a trilha de aprendizado em Full Stack (pilha completa), e agora um amplo conjunto de possibilidades se abre. É exatamente sobre isso que vamos conversar hoje.
Se retrocedermos e revisitarmos nossos passos, como chegamos aqui? Começamos pelos fundamentos: lógica de programação e pensamento computacional. Aprendemos JavaScript, entendemos como o JavaScript funciona no ambiente web, trabalhamos com JavaScript puro e avançamos para o React. Assim, aprimoramos nossas habilidades de front-end (camada de interface). Em seguida, passamos por um letramento em Java e começamos a explorar o lado back-end (camada de servidor) da força. Entendemos como as coisas funcionam do outro lado: como criar uma API, como gravar dados no banco de dados, como lidar com autenticação e outras responsabilidades. No final, focamos em ferramentas de IA, que facilitam e já fazem parte do dia a dia da pessoa desenvolvedora.
É muita coisa; aprendemos bastante nessa jornada. Mas não termina aqui. Podemos pensar que estávamos em uma escalada: chegamos ao topo e, em vez de um fim, temos agora uma visão ampla. É sobre essa perspectiva que vamos discutir. Existem várias especialidades que podemos escolher a partir deste ponto.
O que vamos abordar? Um pouco de front-end (o que vemos), um pouco de back-end (o que está no lado dos servidores), um pouco de dados, um pouco de DevOps (práticas de desenvolvimento e operações) — como publicamos aplicações back-end, front-end e também em mobile (dispositivos móveis). E, falando em mobile, vamos abordar também mobile, inteligência artificial e experiência da pessoa usuária. Portanto, são seis, sete caminhos diferentes que podemos seguir a partir de agora. Vamos analisar cada um deles.
Comecemos por front-end, área em que já avançamos consideravelmente. No front-end, buscamos aprimorar ao máximo a experiência da pessoa usuária: responsividade, boa performance (desempenho) e acessibilidade. Estamos na fronteira entre o código e a pessoa que utiliza o sistema. Portanto, avaliamos se a interface é acessível, como está a acessibilidade, se funciona bem em diversas telas, se o contraste está adequado, entre outros aspectos relevantes. Já percorremos essa etapa: aprendemos front-end, os alicerces, e estudamos React especificamente. Há muito mais a explorar dentro do ecossistema dessa biblioteca. Existem tópicos mais profundos e especializados que podemos estudar na carreira de front-end. O primeiro passo está dado — o check (verificação) inicial de: entendemos como a web funciona, entendemos o JavaScript no navegador e entendemos como React funciona. A partir daí, seguimos para temas cada vez mais complexos e avançados na carreira de front-end.
Do outro lado da moeda está o que ninguém vê: o back-end, o lado back-end da força. A pessoa usuária não enxerga diretamente que, por trás do front-end, há uma API que persiste dados em um banco de dados e realiza outras tarefas. Nós já vivenciamos isso na carreira, utilizando Java e Spring Boot. Se quisermos nos aprofundar em back-end, há percursos especializados, seja em Java — linguagem que já conhecemos —, seja expandindo para outras linguagens, como Node, Python e também .NET. Essa área é suficientemente profunda para escolhermos a direção: definir a linguagem de programação com a qual mais nos identificamos e seguir no aprofundamento. Se preferirmos JavaScript em vez de Java, existe a carreira de Node para utilizarmos JavaScript também no back-end. Se preferirmos Java, considerarmos a linguagem mais robusta e apreciarmos desenvolver com Spring Boot, podemos focar na carreira de Java.
O ponto central é compreender que tudo o que vimos — funcionalidades e aspectos técnicos — reflete maneiras como uma empresa pode operar, e há cenários distintos. Nem toda empresa funciona da mesma forma. No nosso cenário, falamos especificamente de back-end e front-end. A camada de dados ficou no banco de dados como um meio de armazenar o que a pessoa usuária realiza em nossas aplicações. No entanto, a área de dados vai muito além disso. Por ser uma área distinta, geralmente as pessoas de dados seguem uma carreira mais focada em dados, olhando menos para back-end e front-end, e concentrando-se na manipulação dessas informações. É sobre isso que trata a carreira de dados: pensar em como guardamos os dados, como os transportamos, como os interpretamos e como os analisamos.
Estamos muito próximos de IA porque, no universo de dados, trabalhamos com Machine Learning (aprendizado de máquina). Falamos de IA enquanto tecnologia com a qual criamos e aprimoramos soluções, e não apenas como pessoas usuárias de agentes, como fomos anteriormente. Nesse contexto, a camada de dados é tão importante quanto front-end e back-end, e está disponível para sua atuação.
Há uma área que atua de forma transversal: executar publicações, orquestrar fluxos de dados, publicar o back-end e o front-end, e enviar o aplicativo para as lojas. As pessoas responsáveis por essa etapa compõem times de SRE (Site Reliability Engineering, Engenharia de Confiabilidade de Sites) e de DevOps (operações de desenvolvimento). Essa equipe cuida de servidores, automações de publicação e alertas para incidentes — por exemplo, o que fazer se tudo parar de funcionar às 3 horas da manhã, como restaurar uma cópia de segurança e como organizar e executar essas cópias de segurança. A equipe de infraestrutura é especializada nessa área e há carreira de infraestrutura disponível.
Observamos que há muitas vagas e poucas pessoas na área de infraestrutura/DevOps. Este é um panorama baseado no que vimos recentemente: muitas pessoas tendem a seguir para programação e nem sempre para infraestrutura/DevOps. Portanto, pode ser um bom caminho se você estiver buscando uma área com alta demanda.
Já abordamos front-end, back-end, dados, DevOps e SRE. Também há a área de aplicações móveis, que carregamos no bolso em nossos celulares. Existem carreiras específicas e diversas formas de desenvolver para dispositivos móveis. Precisamos considerar controle de bateria, envio de notificações e resposta a toques. Hoje, trabalhamos majoritariamente com duas plataformas: Android e iOS. Há várias maneiras de escrever código que gera um aplicativo para essas plataformas. Por exemplo, com React e React Native, utilizamos componentes React e JSX e, ao final, obtemos um aplicativo para iOS e outro para Android. Também é possível seguir caminhos nativos, escrevendo especificamente para Android ou para iOS, ou adotar um caminho híbrido diferente usando Flutter. São múltiplas abordagens para criar aplicações móveis para iOS e Android.
A área mais recente é IA. Vamos entender como criamos aplicações que consomem modelos, como esses modelos funcionam e como controlamos o contexto. Você já tem uma base, pois aprendemos como utilizamos agentes no dia a dia; agora podemos estudar como esses agentes são criados. Toda a área de IA está disponível, e essa familiaridade adquirida facilita seu avanço.
Há ainda a etapa de definição do que vamos fazer antes de começar a desenvolver. Conversamos com pessoas, conduzimos entrevistas e entendemos qual experiência queremos criar. Essa parte de UX (experiência da pessoa usuária) é tão importante quanto a parte de código. A pessoa responsável por UX entende o público-alvo, define a melhor forma de apresentar o produto e escolhe, por exemplo, a melhor paleta de cores. Também pensa em usabilidade: é preciso considerar que a pessoa que utilizará o aplicativo pode estar com uma criança no colo, com apenas uma mão disponível. E a IA pode cometer erros — como vamos lidar com isso para ajudar a experiência? Tudo o que envolve experiência da pessoa usuária é foco da carreira mobile. Quando encontramos uma pessoa desenvolvedora que domina tanto tecnologia (front-end, back-end) quanto UX, isso é raro. Vale a pena observar que existe uma carreira específica de UX para pessoas já desenvolvedoras.
Esses são os sete pilares que queríamos apresentar.
Já praticamos um pouco de tudo isso, mesmo sem nomear explicitamente. Nos cursos de front-end, por exemplo, já fizemos a publicação do nosso aplicativo na Vercel, integrando diretamente com o GitHub — isso é um pouco de DevOps. Transformamos o Figma em uma aplicação e cuidamos de proporções e responsividade — isso é um pouco de UX. Já falamos de back-end e armazenamos dados em banco de dados — há também um componente de dados aí. Ou seja, já vimos de tudo um pouco, e você já colocou isso em prática. Não vamos começar do zero.
O mais importante: você não precisa escolher hoje. Pare, pense e analise. São muitos caminhos possíveis e, nestes poucos minutos, mencionamos sete deles. No final das contas, você já é uma pessoa desenvolvedora, uma pessoa full-tech (perfil multidisciplinar em tecnologia), que transita do front-end ao back-end, banco de dados e autenticação, utilizando ferramentas de IA. Isso é muita coisa e representa um grande milestone (marco).
Eu estou muito contente que você tenha chegado até o final. Agora é a hora de dar voos mais altos ou mergulhos mais profundos. Escolha a carreira que você mais gostar.
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