Olá a todos! Eu sou Rodrigo da Silva Ferreira Caneppele, instrutor do programa de maturidade de AppSec com OWASP SAMM. Este é um dos componentes da carreira de AppSec e é um curso avançado. Aqui, não apenas vamos apresentar o que é o OWASP SAMM — seus princípios, estrutura e motivação — como também vamos capacitar para implementar esse modelo de maturidade em segurança na sua organização. Antes de começarmos o curso, vou me autodescrever.
Audiodescrição: Sou moreno, tenho cabelo castanho-escuro de comprimento médio, um pouco abaixo dos ombros, olhos castanho-escuros, uso óculos de armação bege, levemente arredondada, e visto uma blusa bege.
Para que me conheçam um pouco, sobre minha formação: estudei Ciência da Computação e me formei na UFRJ. Desde o início da graduação, sempre tive interesse na área de segurança e integrei o GRIS (Grupo de Resposta a Incidentes de Segurança) da UFRJ. Meus trabalhos, estágios, consultorias e contratos CLT sempre foram no contexto de segurança, direta ou indiretamente, pois também atuei com redes, infraestrutura e DevOps, mas sempre havia uma parte do meu trabalho dedicado à segurança. Hoje, tenho 16 anos de atuação em AppSec. Tenho um lado mais voltado à pesquisa: fiz um MBA com foco em CISSP e também tenho mestrado no IME (Instituto Militar de Engenharia), onde meu foco de pesquisa foi segurança da informação.
Vamos para a nossa primeira aula do curso, Fundamentos de AppSec e OWASP SAMM. O objetivo desta Aula 1 é conhecer toda a estrutura do OWASP SAMM, compreender seus princípios fundamentais, motivação e filosofia, identificar seus principais componentes e como interagem entre si, e entender como o OWASP SAMM apoia programas de melhoria contínua de AppSec.
Mas o que é o OWASP SAMM? É um framework (estrutura) de maturidade de segurança de aplicações, aberto e mantido pela OWASP, cujo objetivo é avaliar o cenário atual de segurança da sua empresa e, a partir daí, capacitar a organização a desenvolver estratégias para elevar a maturidade em segurança. Como isso é feito? Por meio de avaliações: analisamos as práticas de segurança existentes, construímos o programa a partir do que foi avaliado, demonstramos as melhorias e a evolução obtida para os/as stakeholders (partes interessadas) do projeto e medimos continuamente os avanços alcançados.
Quanto à motivação: por que o OWASP SAMM foi criado? Antes, as empresas desenvolviam seus próprios processos de segurança e não havia uma forma consistente de comparar a maturidade entre elas. O OWASP SAMM veio para padronizar, permitindo que organizações sigam um mesmo caminho, independentemente do contexto. Além disso, não é viável implementar um programa de segurança da informação de forma direta e completa de uma só vez, pois isso é caro e pouco exequível. A proposta do OWASP SAMM é uma evolução incremental, de modo que, conforme o programa avança, as partes interessadas tenham clareza sobre o progresso do projeto. É fundamental que a empresa perceba o valor do retorno sobre o investimento e que as equipes consigam enxergar, de forma tangível, como suas ações repercutem na segurança da organização.
O OWASP SAMM adota uma abordagem prescritiva, mas não excessiva, o que permite trabalhar com grande diversidade de contextos. É um framework de maturidade aplicável a qualquer tipo de empresa — algo especialmente útil hoje, quando, além de naturalmente existirem organizações com cenários muito diversos, é comum encontrarmos big techs (grandes empresas de tecnologia) que funcionam como se contivessem várias empresas em seu interior. O OWASP SAMM pode atuar em qualquer um desses cenários, de empresas pequenas a grandes corporações.
Entre os benefícios do OWASP SAMM, está o fato de gerar valor para qualquer público dentro da organização. Para executivos/as, ele oferece visibilidade do avanço em segurança e possibilita comparar a situação da empresa em relação a outras, favorecendo parcerias para troca de conhecimento e evolução mútua, com um retorno sobre o investimento mais demonstrável. Para a gerência de segurança, ficam claros os próximos passos; a partir do OWASP SAMM é possível desenvolver o roadmap (roteiro) do time — seja de segurança, seja das áreas de desenvolvimento — pois será necessário trabalhar de forma conjunta na empresa com base no OWASP SAMM.
Podemos justificar onde é necessário investir mais, mostrando que uma determinada área apresenta maturidade muito baixa, pois a ideia do OWASP SAMM não é manter uma diferença enorme entre suas áreas. Além disso, podemos justificar investimentos e trabalhar uma comunicação mais efetiva com as pessoas interessadas, isto é, com os stakeholders (partes interessadas).
Para as equipes técnicas, o OWASP SAMM também tem um enfoque prático, pois indica exatamente, de forma objetiva, o que precisamos fazer, o que devemos implementar e como orientar os esforços do time para as atividades que entregam mais valor. Dessa forma, toda a evolução da empresa ocorre de maneira profissional e estruturada.
Apresentamos uma tabela que compara o OWASP SAMM a outros modelos do mercado. O OWASP SAMM oferece flexibilidade muito alta. Seu custo, por ser open source (código aberto), não implica gasto para a empresa, enquanto há outros modelos de segurança no mercado que envolvem custos. Em relação à complexidade, não afirmamos que o framework (arcabouço) seja simples de implementar, mas ele apresenta complexidade moderada e também ensina como utilizá-lo, o que ajuda bastante na execução do plano dentro da empresa. Há certo nível de prescrição, mas não em excesso: o OWASP SAMM orienta alguns pontos, apresenta outros como desejáveis, e inclui aspectos que não são estritamente mandatórios. Por isso, é um framework (arcabouço) que pode ser utilizado por empresas em diferentes contextos.
A filosofia do OWASP SAMM baseia-se em princípios fundamentais. É flexível — não é excessivamente prescritivo — e permite adaptação ao contexto organizacional: escolhemos o que implementar e quando. É mensurável: cada prática tem critérios próprios de avaliação, o progresso pode ser codificado e podemos comparar, ao longo do tempo, toda a nossa evolução. É acionável: o foco está na implementação, não apenas na teoria. A partir dele, conseguimos promover melhoria contínua, pois a evolução é gradual.
Quanto aos princípios de uso do OWASP SAMM, começamos medindo e ajustando. Precisamos entender nosso contexto atual: como a empresa funciona, quais ações de segurança existem, sejam formais ou informais. Devemos envolver todas as pessoas, pois cada integrante faz parte do processo, e precisamos ser muito realistas com o cenário. Mencionamos isso porque, em diversas execuções desse framework (arcabouço) com outros times, em uma empresa onde trabalhamos, as respostas acabavam divergindo: havia receio em expor o panorama real, sobretudo em empresas muito grandes. As pessoas devem ser honestas sobre o que estão fazendo, sobre os componentes de segurança que possuem e sobre como executam os processos, para que a empresa obtenha uma avaliação correta. O processo se torna muito mais desgastante quando precisamos validar constantemente o que uma pessoa afirma e o que outra informa, já que, por vezes, integrantes do mesmo time apresentam dados contraditórios. Por isso, é importante cultivarmos o conceito de responsabilidade adulta e uma cultura organizacional que apoie esse comportamento. O framework (arcabouço) não deve ser conduzido apenas pela base da pirâmide de colaboradores; é essencial contar com o direcionamento da alta liderança. Além disso, não adianta tentar abarcar um escopo excessivo para “entregar um resultado mais rápido”. Precisamos começar pequeno, definir metas alcançáveis e entregar valor com rapidez. Isso motiva a alta liderança a investir mais no programa e evita sobrecarga e retrabalho.
Quanto aos casos de uso do OWASP SAMM, podemos utilizá-lo para:
Vamos propor um exercício reflexivo, conforme o que discutimos aqui. Perguntemo-nos:
Agora, vamos apresentar a estrutura conceitual do OWASP SAMM. O SAMM é composto pelas funções de negócio, as Business Functions (Funções de Negócio). Há cinco no total, que são componentes do ciclo de desenvolvimento de software e oferecem tanto um enfoque estratégico quanto operacional para um programa de maturidade de segurança de aplicações na empresa.
Estamos mostrando uma imagem em que há um retângulo cinza que delimita as cinco funções de negócio existentes no SAMM. Entre elas, temos a de Governança, responsável por definir quais são os processos e procedimentos de gestão relacionados à segurança da empresa. Também temos a de Design, que incorpora o conceito de security by design (segurança desde a concepção); portanto, os produtos devem nascer seguros. Temos a de Implementação, que reflete mais o dia a dia da pessoa desenvolvedora, por exemplo, com foco em código seguro. Há a de Verificação, que valida os controles de segurança existentes, e a de Operações, cujo objetivo é garantir que as aplicações em produção estejam seguras.
A partir das funções de negócio, temos as práticas. Cada função de negócio tem três práticas; assim, totalizamos 15 práticas dentro do SAMM. As práticas de segurança são áreas específicas do ciclo de desenvolvimento de software e foram desenhadas para serem implementadas de forma incremental. Dessa forma, a empresa pode ter visibilidade do que está evoluindo, do que não está evoluindo ou direcionar melhor seus investimentos.
Dentro de cada prática, existem os streams (fluxos), que ajudam a organizar melhor essas práticas. Temos o Stream A (Fluxo A), cujo foco é o processo, e o Stream B (Fluxo B), cujo foco é mais técnico na implementação.
Retornamos à imagem, que mostra a visão geral dos componentes do SAMM. Dentro da área de Design, por exemplo, temos as práticas de Avaliação de Ameaças, Requisitos de Segurança e Arquitetura Segura. Além disso, dentro da prática de Arquitetura Segura, temos o Stream A (Fluxo A) e o Stream B (Fluxo B), conforme a divisão em fluxos.
Além disso, o SAMM tem níveis de maturidade. A partir dos níveis de maturidade, podemos entender qual é o grau de sofisticação e de eficácia que temos na implementação da prática na empresa. A partir deles, podemos avaliar qual é o progresso e definir quais são as metas da empresa, seja no curto, médio ou longo prazo.
No nível básico, o objetivo é que tenhamos uma base de segurança.
As práticas nesse contexto são mais ad hoc, com foco principal em conscientização. Requeremos uma implementação inicial de segurança, ainda que o processo não esteja formalizado e dependa amplamente das pessoas envolvidas.
Na prática de Avaliação de Ameaças, uma forma de identificar se estamos no nível básico é verificar se a empresa utiliza o OWASP Top 10 para checar as principais vulnerabilidades do mercado. Esse seria o nível básico.
No nível intermediário, o objetivo é demonstrar eficiência, consistência e constância das práticas de segurança no dia a dia da empresa. Os processos ficam mais definidos e repetíveis, começamos a ter escalabilidade e passamos a utilizar ferramentas de automação, mesmo que ainda não em um contexto amplo. Na prática de Avaliação de Ameaças, o nível intermediário inclui monitoramento sistemático de ameaças, uso de algumas ferramentas no cotidiano, formalização de processos e capacitação das pessoas na organização.
No nível otimizado, buscamos garantir inovação e excelência. Os processos estão otimizados, a automação faz parte do dia a dia e o foco é a melhoria contínua, com revisões constantes e um ciclo de verificação estabelecido. Na Avaliação de Ameaças, o nível 3 (nível otimizado) envolve um monitoramento de ameaças o mais automatizado possível, com ferramentas incluídas na pipeline (esteira) e todas as aplicações verificadas.
Os componentes do SAMM são dependentes entre si. Há dependência vertical, isto é, dentro das próprias práticas: o nível 1 normalmente habilita o nível 2. Se estivermos começando a implementar o SAMM e decidirmos configurar diretamente o nível 2, isso pode fazer sentido para estabelecer o estado real do cenário e a base da empresa. Entretanto, como regra, o nível 1 habilita o nível 2; para pular etapas, precisamos de justificativa e fundamentação.
Também existe a dependência horizontal, ou seja, entre práticas diferentes. Um exemplo é a prática de Políticas e Conformidade, dentro da área de Governança, que habilita Requisitos de Segurança na parte de Design.
Há ainda uma dependência transversal entre funções de negócio. A função de Governança habilita todas as demais. Portanto, ao iniciarmos com o SAMM, devemos começar pela área de Governança. Além disso, a função de Verificação valida o que foi feito nas áreas de Design e Implementação.
Observamos, assim, que existe uma conexão completa nesse ecossistema do SAMM.
Vamos falar sobre mecanismos de evolução contínua. As ameaças evoluem constantemente. Pessoas atacantes se tornam cada vez mais sofisticadas, surgem novos ataques e a tecnologia muda. As organizações também alteram seu contexto: passam a responder a novas regulamentações, lançam novas funcionalidades, novos produtos e novos serviços, além de realizarem reestruturações internas. Vivemos em um mundo no qual a tecnologia surge o tempo todo.
Diante disso, quais são o framework (estrutura) e a linguagem que utilizamos, e podemos afirmar que os de hoje são os mesmos de dez anos atrás? Qual é o modelo de hospedagem e de infraestrutura em uso? É com contêineres, serverless (sem servidor), na nuvem?
Além disso, as organizações aprendem com o dia a dia. Um incidente, seja de segurança ou não, gera aprendizado para que a empresa não repita o mesmo erro. As próprias pessoas colaboradoras também aprendem com sua vivência diária. Por isso, o SAMM é visto como um mecanismo de evolução contínua da empresa.
Apresentamos um slide com uma imagem centralizada que faz uma analogia do ciclo PDCA no SAMM. PDCA é composto por: plan (planejar), do (executar), check (verificar) e act (agir). Temos fases no SAMM que permitem executar esse ciclo. Quando pensamos na fase correspondente ao check, no SAMM o análogo é a parte de avaliação. A partir da avaliação, verificamos onde estamos e qual é o cenário da empresa. O plan traz a visão de onde queremos chegar. Implementar, que é o do do PDCA, corresponde a como chegamos lá: quais ferramentas utilizar e o que precisamos fazer para alcançar o objetivo. O act relaciona-se à etapa de verificação do SAMM: conseguimos chegar lá? Se não, por que não? O que precisamos ajustar? Esse processo é cíclico. Por isso, o SAMM é visto como uma ferramenta que promove melhoria contínua na organização.
Fase 1 — Avaliação. O objetivo é identificar como está o cenário atual. A partir dela, realizamos a coleta de evidências, que inclui entrevistas, levantamento de relatórios e verificação de processos. Também atribuímos as pontuações das práticas. Com isso, definimos a maturidade de cada prática de segurança e identificamos as lacunas existentes dentro da organização.
Fase 2 — Planejamento. Definimos onde queremos chegar e em qual horizonte de tempo: em um, dois ou três anos. Priorizamos as melhorias e, para isso, estabelecemos critérios de priorização. Esses critérios podem se basear em impacto, esforço e no conhecido princípio 80-20: ao executar determinada ação, onde conseguimos maior ganho mesmo com uma atuação reduzida, e de que isso depende. Também criamos uma trilha de execução e métricas de sucesso. Escolhemos a estratégia de evolução para implementar o SAMM:
Fase 3 — Implementação. Começamos pequeno e pensamos grande. Não faz sentido tentar implementar o SAMM em toda a empresa de uma só vez. Definimos um escopo reduzido: um time, um projeto, executamos ali e depois ampliamos a atuação. Automatizamos sempre que possível e integramos o que já existe. Criar trabalho novo e tarefas extras tende a gerar resistência, como: “isso não estava previsto” ou “isso vai dar mais trabalho”. Evitamos criar processos paralelos. Inserimos o processo dentro do fluxo de trabalho do time e automatizamos ao máximo para facilitar o dia a dia. Também capacitamos as pessoas e promovemos conscientização sobre segurança, tanto técnicas quanto não técnicas.
Fase 4 — Verificação. Definimos métricas e KPIs (indicadores-chave de desempenho). Exemplos de métricas interessantes:
Outra atividade dessa fase é auditoria e revisão. Verificamos e validamos as evidências obtidas, podendo criar amostras para revisão. Normalmente, quando estamos trabalhando com o SAMM, precisamos dessas evidências e de um enfoque de revisão contínua do que foi avaliado: o que está correto e o que falta para a empresa. A partir disso, revisamos todo o plano. Essa etapa é importante porque precisamos das pessoas para executar o SAMM. Por isso, é fundamental obter o feedback (retorno) do time, das pessoas e dos stakeholders (partes interessadas) com quem interagimos, para melhorar o plano e verificar a efetividade de todo o processo.
Falando de métricas de sucesso, uma forma de verificar a evolução do SAMM na empresa é manter métricas de melhoria. Fazemos acompanhamento, analisamos os dados e medimos quanto está contribuindo para o aumento de maturidade da organização. Utilizamos ferramentas que permitam verificar como está a adoção dos recursos que facilitam o dia a dia de segurança, inclusive do próprio SAMM. Existem ferramentas — que apresentaremos mais adiante — que ajudam a verificar como está a implementação. Outra métrica de sucesso do SAMM é observar que está ocorrendo a capacitação das equipes.
As pessoas estão cada vez mais autônomas em segurança, com consciência e senso de pertencimento. Não adianta adotar um enfoque em que a responsabilidade pela segurança é apenas do time de segurança. A responsabilidade pela segurança é de todas as pessoas na empresa, da alta direção à equipe técnica do dia a dia.
Ao falar de melhoria contínua, podemos nos acelerar e ficar ansiosos, pensando: "precisamos entregar muitas coisas". Não é esse o caminho. Vamos considerar o poder dos pequenos passos. Quando pensamos em implementar de forma contínua e optamos por um enfoque incremental, assumimos menos risco. Ao desenvolver um sistema e implementar todo o software para só depois revisar, corremos o risco de desperdiçar muito trabalho caso haja algum problema e a pessoa cliente não aceite o resultado. Mudanças pequenas são menos arriscadas e mais fáceis de reverter, se necessário. Além disso, aprendemos e ajustamos de forma cíclica. No fim, o processo torna-se mais rápido e dinâmico.
Há também um retorno sobre investimento visível. Com pequenas entregas, as demais áreas observam a evolução continuamente, sem esperar meses ou um ano para ver resultados. Conseguem ver, por exemplo, que uma ação de conscientização aumentou a participação no orçamento e ampliou o investimento financeiro, além de evitar novos incidentes, reduzindo ocorrências em produção. Assim, os benefícios gerados pelas ações de segurança chegam mais cedo.
Com um enfoque incremental, também encontramos menos resistência, porque as pessoas não se assustam com o todo. Vamos exemplificar: se estivermos em uma empresa com muitas vulnerabilidades de segurança e dissermos "é preciso corrigir tudo" — supondo que haja 30 mil vulnerabilidades — isso não ocorrerá de imediato; as pessoas ficarão extremamente apreensivas. Portanto, adotamos o princípio de dividir para conquistar. Selecionamos o contexto mais crítico e pedimos que as equipes trabalhem nele primeiro. Mudanças graduais tendem a ser melhor aceitas e dão tempo para adaptação.
Outra prática que observamos no SAMM é o Code Review (revisão de código) incremental. A partir do SAMM, iniciamos com uma implementação inicial: definimos critérios, capacitamos o time para iniciar o projeto piloto e planejamos a expansão de ferramentas. Em vez de tentar aplicar tudo em dez projetos, aplicamos em três; criamos o checklist (lista de verificação) de implementação e, por exemplo, colocamos o SAST para rodar com um objetivo final claro e um cenário mais definido, evitando um escopo amplo demais. Em seguida, buscamos cobertura total e otimização: avançamos para cobrir todos os projetos críticos, começamos a automatizar etapas, verificar resultados e coletar métricas. Assim, partimos da definição de critérios, expandimos para três projetos e, depois, ampliamos não apenas para três críticos, mas para todos os demais que também são críticos, até alcançar cobertura total do SAMM na empresa — cobrindo 100% dos projetos —, com uma rotina estabelecida de feedback (retorno) e meios de verificação contínua do processo para consolidar tudo por meio de automação.
Outros fatores críticos de sucesso do SAMM devem ficar claros. O patrocínio executivo é fundamental: é importante que a alta direção apoie o projeto. Dessa forma, as equipes entendem as prioridades — por exemplo, quando o CISO e o CTO patrocinam a iniciativa. Assim, podemos afirmar: "Entendemos a falta de tempo, mas esta é uma iniciativa estratégica da empresa; a liderança está ciente". Além disso, com patrocínio executivo, obtemos orçamento para investir no projeto. Também é essencial que as pessoas responsáveis estejam claras, com papéis e responsabilidades bem definidos, permitindo atuação mais autônoma.
Outro fator crítico é integrar o SAMM ao workflow (fluxo de trabalho) e aos processos existentes, evitando ao máximo adicionar atividades extras para as equipes. Para isso, mantemos um ambiente de comunicação estruturado para avisar todas as partes impactadas e evitar o conhecido "eu não sabia". Mantemos comunicação contínua: não basta anunciar que começamos a executar o plano e depois deixar de dar retorno. Fornecemos feedback (retorno) às pessoas envolvidas, com cadência adequada a cada público: para alguns grupos, semanal; para outros, quinzenal ou mensal. Assim, o SAMM não cai no esquecimento dentro da empresa. Medimos e coletamos feedback (retorno) para evoluir continuamente o processo.
Propomos agora um exercício reflexivo. Sob a perspectiva de um assessment (avaliação), qual é a previsão para o primeiro assessment (avaliação)? É importante destacar: se não conhecemos o cenário da empresa e nunca executamos o SAMM, o primeiro assessment (avaliação) deve ser completo. No planejamento, definimos a periodicidade de revisão do SAMM na companhia: anual, bienal ou a cada três anos. Identificamos os recursos disponíveis para implementar o SAMM: não apenas a pessoa que assumirá a liderança do SAMM e difundirá a iniciativa, mas também as pessoas necessárias para implementar as mudanças que elevarão a maturidade. Definimos ainda as métricas de acompanhamento: qual é hoje o maior fator de risco da empresa? Observamos o SAMM de forma estratégica e pensamos: por meio desta métrica, podemos afirmar que a segurança evoluiu significativamente; ou, com base nela, garantimos que estamos obtendo sucesso na implementação do SAMM.
Encerramos aqui nossa primeira aula. Apresentamos a base do SAMM, seus princípios, sua filosofia e seus componentes principais — funções de negócio e práticas —, além do motivo pelo qual o SAMM é visto como um mecanismo de evolução contínua.
Na próxima aula, vamos nos preparar para executar o SAMM: o que precisamos organizar para adotar o SAMM dentro da empresa. É isso. Nos vemos lá.
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