O que é Software Livre? entenda conceito, história e mais

Vamos conversar sobre Software Livre?
Mais do que uma categoria técnica, Software Livre é um movimento que defende a liberdade das pessoas usuárias em relação aos programas que utilizam. Isso significa poder executar, estudar, modificar, copiar e distribuir um software, respeitando determinadas condições.
Neste artigo, vamos explorar:
- o que é Software Livre;
- quais são as quatro liberdades da Free Software Foundation;
- a diferença entre software livre e software gratuito;
- a história do movimento;
- o projeto GNU e a Free Software Foundation;
- a relação entre GNU e Linux;
- as diferenças entre Software Livre e Open Source;
- o que são Copyleft e GNU GPL;
- por que esse tema continua importante.
Bora entender tudo isso com calma?
O que é Software Livre?
Software Livre, ou Free Software, é um software que respeita a liberdade das pessoas usuárias. Na prática, isso significa que qualquer pessoa pode executar, estudar, modificar e compartilhar esse software.
A Free Software Foundation, também conhecida como FSF, define Software Livre a partir da liberdade das pessoas usuárias, não do preço. Ou seja: a ideia principal não é se o software custa ou não custa dinheiro, mas sim quais permissões ele oferece para quem o utiliza.
Podemos pensar assim: quando você usa um software proprietário, normalmente só pode utilizá-lo dentro das regras definidas pela empresa ou pessoa que o distribui. Já em um Software Livre, você tem acesso a mais possibilidades, como entender como ele funciona, adaptá-lo às suas necessidades e colaborar com melhorias.
Isso é muito importante em comunidades de tecnologia, ambientes educacionais, empresas, governos e projetos colaborativos, porque permite que mais pessoas participem da construção e evolução das ferramentas.
As quatro liberdades do Software Livre
Para um software ser considerado livre, ele precisa garantir quatro liberdades fundamentais.
Liberdade 0: poder executar o programa como você quiser, para qualquer finalidade.
Isso significa que a pessoa usuária não deve ser limitada por regras que impeçam o uso do software em determinado contexto, seja para estudar, trabalhar, pesquisar, criar um projeto pessoal ou resolver um problema em uma empresa.
Liberdade 1: poder estudar como o programa funciona e adaptá-lo às suas necessidades.
Para isso, o acesso ao código-fonte é indispensável. Afinal, sem conseguir visualizar o código, fica muito difícil entender o funcionamento interno do software ou fazer alterações nele.
Imagine que você usa uma ferramenta para organizar tarefas, mas precisa adaptar uma funcionalidade para a realidade da sua equipe. Em um Software Livre, essa possibilidade existe porque o código pode ser estudado e modificado.
Liberdade 2: poder redistribuir cópias do software.
Isso permite compartilhar o programa com outras pessoas, comunidades ou organizações. Em vez de cada pessoa depender exclusivamente da empresa que criou a ferramenta, a própria comunidade pode ajudar a espalhar o acesso ao software.
Liberdade 3: poder distribuir versões modificadas do software.
Essa liberdade é muito importante porque permite que melhorias feitas por uma pessoa ou comunidade sejam compartilhadas com outras. Assim, o projeto pode evoluir de maneira colaborativa.
É como se alguém encontrasse uma forma de tornar uma ferramenta mais acessível ou segura e pudesse devolver essa melhoria para que outras pessoas também se beneficiassem.
Como surgiu o movimento do Software Livre?
Na década de 1970, um programador chamado Richard Stallman trabalhava no departamento de inteligência artificial do MIT - Massachusetts Institute of Technology (Instituto de Tecnologia de Massachusetts).
Apesar de cursar Física em Harvard, Stallman tinha uma paixão ardente por tecnologia e mais ainda pelo contexto de colaboração e compartilhamento de tecnologias que existia na comunidade da época.

Richard Stallman
Contudo, na virada da década, as principais tecnologias utilizadas para a realização de pesquisas, cada vez mais, se tornavam software proprietário ou eram descontinuadas por não conseguirem competir com esses softwares privados.
Software Proprietário: Um software no qual o acesso, estudo e redistribuição do seu código fonte é limitado à vontade da empresa distribuidora.

Stallman viu a necessidade da criação de um projeto que, em suas palavras - “Traria de volta o espírito cooperativo que prevalecia na comunidade de computação nos seus primórdios”.
Dessa, forma surgiu o projeto GNU, que buscava a construção de um sistema operacional totalmente desenvolvido através da filosofia do Software Livre e compatível com o sistema Unix (um sistema proprietário bem difundido na época).
O nome GNU é um acrônimo recursivo para “GNU’s Not Unix” (“GNU não é Unix”), uma piada que reflete o espírito da comunidade Hacker da década de 70.

Em outubro de 1985, foi fundada a Free Software Foundation - FSF (Fundação Software Livre), não apenas com o objetivo de arrecadar recursos para o desenvolvimento do GNU, mas para disseminar a ideia de que o software proprietário - aquele não liberado ao público - não era o caminho certo para o desenvolvimento de software e mostrar ao mundo as vantagens da filosofia do Software Livre.

Já em 1990, praticamente todos os componentes do novo sistema operacional haviam sido criados com exceção de um, o kernel. Isso mudou com a adição do kernel Linux, criado pelo por Linus Torvalds, ao projeto GNU.
A partir daí o sistema operacional passou a se chamar GNU/Linux e acabou por dar origem a várias distribuições de sistemas operacionais open source existentes.
Alguns deles são:
- Debian
- Ubuntu
- Fedora
- Red Hat Enterprise Linux
- Linux Mint
- Pop!_OS
- Kali Linux e muitos outros.
Software Livre e Open Source são a mesma coisa?
Software Livre e Open Source têm muitos pontos em comum, mas não são exatamente a mesma coisa.
O termo Open Source foi criado em 1998 com a fundação da Open Source Initiative e diz respeito ao conjunto de técnicas e modelo de negócio utilizado pela comunidade do Software Livre para a elaboração de um projeto.
A grande diferença estaria no fato que não necessariamente um projeto Open Source compactua com a filosofia e os pensamentos do movimento do Software Livre.

Se quiser ver alguns projetos open source, indico esse repositório no GitHub.
Copyleft e GNU GPL
Mesmo ao elaborar um software que segue os princípios do Software Livre pode-se haver a seguinte questão: “O que impede a redistribuição desse software de forma proprietária?”. Afinal de contas, não é só por que algo é criado sobre um preceito que permaneceria sobre tal preceito.
Devido a esse questionamento, juntamente com a elaboração do projeto GNU, surgiu a ideia do Copyleft. Através da inversão lei dos direitos autorais, o Copyleft garante que todos os projetos que derivam do projeto original continuem dentro dos preceitos do Software Livre.
Na prática, qualquer pessoa tem a permissão para executar, copiar, modificar, e distribuir versões modificadas do projeto, porém jamais podem-se aplicar restrições por conta própria.

Logo da GNU GPL. Siglas e símbolos estilizados de jeito único e abstrato em tonalidade e cor vermelha. Existem os dizeres na parte inferior: “Free as in Freedom”
A forma na qual o Copyleft é aplicada seria através de algumas Licenças que compactuam com os conceitos de Software Livre. Uma das mais reconhecidas seria a GPL - General Public Licence (Licença Pública Geral).
A origem da palavra Copyleft se trata de mais uma brincadeira bem humorada da comunidade hacker da década de 70 com a palavra Copyright, usada para definir direitos autorais.
Para saber mais sobre licenças, acesse o nosso artigo: Como escolher uma licença para seu projeto.
Por que Software Livre ainda é importante?
Software Livre continua sendo um tema atual porque a tecnologia está presente em praticamente tudo: educação, saúde, trabalho, comunicação, governo, pesquisa científica, inteligência artificial e muito mais.
Quando falamos sobre liberdade de software, também estamos falando sobre:
- autonomia tecnológica;
- transparência;
- colaboração;
- segurança;
- educação;
- inovação;
- acesso ao conhecimento.
Em ambientes educacionais, por exemplo, o Software Livre permite que estudantes vejam como ferramentas reais funcionam por dentro. Em empresas, pode reduzir dependências de fornecedores específicos.
E, muitos projetos fundamentais para a internet e para o desenvolvimento de software nasceram ou cresceram dentro de comunidades abertas.
Ou seja: Software Livre não é apenas um tema histórico. Ele continua influenciando como criamos, distribuímos e pensamos tecnologia hoje.
Como começar a estudar Software Livre?
Se você quer se aprofundar no assunto, um bom caminho é começar por três frentes:
1. Entender as licenças
Licenças definem o que pode ou não pode ser feito com um software. Vale conhecer diferenças entre licenças como GPL, MIT, Apache e BSD, porque cada uma tem regras próprias de uso, modificação e redistribuição.
2. Explorar projetos abertos
Escolha uma ferramenta que você usa no dia a dia e procure seu repositório. Leia a documentação, veja as issues, observe como as pessoas colaboram e tente entender como o projeto se organiza.
Não precisa começar contribuindo com código. Melhorar documentação, reportar bugs ou sugerir ajustes também são formas de participação.
3. Usar ferramentas livres
Experimentar sistemas, editores, bibliotecas e plataformas livres ajuda a entender melhor a lógica desse ecossistema. Quanto mais você usa, mais percebe como a colaboração acontece na prática.
Veja uma lista aqui direto do site da Free Software Foundation.
Conclusão
Agora que você já conhece melhor o universo do Software Livre, que tal continuar sua jornada de aprendizado em tecnologia com um caminho mais estruturado?
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Vamos lá evoluir cada vez mais?









